V Semcine: 50 anos da Nouvelle Vague

By Vinícius Silva. Filed in Cinema, SEMCINE  |  
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Texto escrito por João Carlos Sampaio, Agência A TARDE

O cineasta francês Jean-Luc Godard, 78 anos, é dono de uma obra singular, responsável por um constante questionamento da linguagem cinematográfica. Seu cinema está a serviço das ideias e cabe como uma luva na proposta do Seminário Internacional de Cinema da Bahia (Semcine), evento que chega à quinta edição e, a partir do próximo dia 27, traz a Salvador uma mostra significativa deste realizador.

São 14 longas-metragens e mais sessões especiais com curtas- metragens do diretor, a série batizada de História do Cinema, com filmes produzidos entre 1988 e 1998. A seleção é a segunda maior já apresentada na Bahia em conjunto. Em 2003, 18 filmes do cineasta foram mostrados por aqui, projetados na Sala Walter da Silveira.

Alguns deles estão de volta nesta nova amostragem, incluindo as obras-primas Acossado, Alphaville e O Desprezo. Godard é um cineasta ativo, remanescente da geração que foi decisiva nas transformações da sétima arte, a partir do final dos anos 1950, quando surgiu a Nouvelle Vague, uma movimentação francesa, liderada por cineastas, críticos e críticos-cineastas.

O diretor Jean-Luc Godard era um dos jovens talentos que participaram daquela virada nas estruturas de produção e linguagem. Ele foi um dos criadores da política dos autores, que dava plenos poderes ao diretor para conceber e realizar seus filmes, sem as imposições dos produtores. O resultado desta independência autoral pode ser conferido e revisto nesta seleção que o V Seminário Internacional realiza, com apoio de entidades diplomáticas da França e do Brasil.

Marco -
A retrospectiva inclui o longa de estreia de Godard, Acossado (1959), um marco da Nouvelle Vague. Parte destes primeiros passos para contemplar as diversas fases do diretor, desse cinema de ruptura até as narrativas mais lineares, ligadas à tradição das narrativas literárias, até as suas recentes incursões pelo universo das novidades digitais, seu flerte com o cinema digital.

Acossado é uma obra anarquista, embalada pelo charme da dupla de protagonistas, o casal de atores Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg. Deste primeiro momento do cineasta, constam da lista da mostra o estilizado Uma Mulher é uma Mulher (1961), a crítica à guerra da Argélia batizada de O Pequeno Soldado (1961-1963) e, ainda, Tempo de Guerra (1963) e O Demônio das Onze Horas (1964).

Está também na lista o citado O Desprezo (1963), um dos destaques da seleção, por ser uma fita cheia de referências de metalinguagem, além de mostrar Brigitte Bardot fotografada nua, no auge da beleza. Também dos anos 60, o rol inclui a hermética ficção científica Alphaville (1965), que venceu o Festival de Berlim, e A Chinesa (1967), filme-símbolo que antecipa o maio de 1968.

Não há filme dos anos 70, mas em compensação a seleção conta com os três títulos mais importantes da década seguinte: Passion (1982), Carmem (Prénom Carmen, 1984) e Je Vous Salue Marie (1985). Este último mais notório por conta da polêmica que provocou entre os religiosos, ao se referir à mãe do profeta Jesus Cristo.

Completam a mostra, três filmes dos anos 1990, fase menos insinuante do autor e talvez por isso mais digna de atenção. São eles: Nouvelle Vague (1990), Infelizmente para Mim (1993) e Para Sempre Mozart (1996). A maior expectativa fica por conta dos raros curtas do programa História do Cinema.

No ano passado, o foco do Semcine destacou temas como a interseção entre história e cinema e a política e a realidade social. Nas edições anteriores, com um rol de convidados que incluiu o cineasta grego Constantin Costa-Gavras e o cineasta chileno Miguel Littin, dois expoentes do chamado “cinema político”, o audiovisual engajado na mobilização social esteve sempre na mesa de debates.

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One Comment

  1. Comment by Rafael Carvalho:

    Curiosos porque eu tinha a impressão de que Acossado e A Chinesa não estavam nessa mostra. Mas enfim, o que vier é lucro. Como te disse, vi pouquíssimo do Godard, e ainda tô pendendo para ir.

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