
Dirigido por Rupert Wyatt. Com: James Franco, Freida Pinto, Andy Serkis, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo, Tyler Labine e Jamie Harris. (The rise of Planet of the Apes, 2011).
Durante grande parte do filme, fiquei também prestando muita atenção às manifestações da plateia. Entre gritos e suspiros de espantos, pude perceber que eles, assim como eu, estavam torcendo para a revolução dos macacos. E olha que somos seres humanos. Esta manifestação não é tão difícil de explicar, mesmo porque, é comum ficarmos do lado oprimido. Mas o nosso fascínio por isso vem mesmo dos nossos ideiais, do que entendemos como certo e errado. Ainda assim, ao mesmo tempo em que vemos os macacos sendo testados, são por causa deles que a humanidade parece estar bem próxima de uma cura para o Mal de Alzheimer.
Will Rodman (Franco) é um biológo de destaque dentro da empresa onde trabalha. Nos seus experimentos, ele tenta achar uma cura para o Mal de Alzheimer enquanto é financiado por Steven Jacobs (Oyelowo), o homem que detém o dinheiro e que só pensa em se tornar ainda mais poderoso nem que pra isso macacos sejam sacrificados para que o seu experimento possa dar certo. Os testes começam em uma chimpanzé fêmea que, grávida, tenta proteger o seu filho com medo de que ele seja tomado dela. No entanto, o código genético que vinha sendo implantado nela é passado para o filhote que possui uma inteligência fora do comum. Para protegê-lo, Will o leva para sua casa e o cria como um animal de estimação.
O chimpanzé Cesar (Serkis) vai crescendo aos poucos e Will começa a testar o seu experimento em seu pai Charles (Lithgow) usando a droga que estava criando. Os testes dão certo e ele vê que está muito próximo da cura. Planeta dos Macacos: A Origem começa a sua bela história com este conto, mostrando a evolução de Cesar ao passar dos anos.
E em uma determinada passagem, para expressar isso, o diretor Rupert Wyatt realiza uma “elipse” interessante para mostrar a passagem do tempo à medida em que vemos as expressões de Cesar também mudarem.
Durante todo o filme, aliás, Wyatt sempre está à procura do olhar de Cesar, das suas expressões, dos seus sentimentos. E é isso que faz com que o personagem criado por Andy Serkis seja tão fascinante. Não adianta apenas colocá-lo como um ser evoluído dentro da sua própria espécie. E Cesar percebe isso quando é “abandonado” por Will, pois ele não conseguia mais deixá-lo vivendo na sua casa. Ao mesmo tempo em que ele desejava voltar para casa novamente, Cesar também compreendia que ele tinha finalmente encontrado o seu lar na companhia de outros macacos.
É contra o fato de estarem presos que ele organiza uma revolução e passa a ser o líder. E é importante a incursão que o roteiro escrito por Rick Jaffa e Amanda Silver fazem para mostrar realmente a “origem” daquilo, como eles chegaram naquele ponto.
Os humanos estavam tão preocupados em desenvolver a cura para uma doença terrível, que desmereceram a inteligência e os danos que a droga estava causando nos animais. Will percebe isso tarde demais, quando o dinheiro de Jacobs já não tinha mais como impedir o que seria inevitável em seguida: uma invasão de chimpanzés nervosos na cidade de São Francisco em busca da paz e da sua casa.
Ao contrário do filme dirigido por Tim Burton e lançado em 2001, Wyatt dão mais humanidade aos macacos ao mostrar os seus sentimentos, os seus rituais de liderança na tribo, etc. E o talento de Andy Serkis ajuda neste sentido, uma vez que o filme é totalmente calcado nas suas expressões até o momento em que ele fala pela primeira vez. E também pela primeira vez, Wyatt o filme de uma maneira que o torna grande perante os outros, mostrando a sua importância dentro do bando a partir de algo que o diferencia dos demais: ele fala.
Além de filmar com competência estas manifestações de sentimento, o diretor também se mostra competente e seguro nas cenas de ação. Sem apelar para grandes explosões, ele realiza sequências ágeis ao mostrar, por exemplo, os macacos pulando de galho em galho e, em contrapartida, ele mostra também o desespero dos seres humanos ao sentirem o seu mundo sendo invadido por eles.
A trilha sonora assinada por Patrick Doyle (Harry Potter – E o Cálice de Fogo) é um outro elemento que se destaca no filme, entregando momentos de suspense, outros com teor mais dramático e orquestrando as cenas de ação com a mesma agilidade e intensidade das suas filmagens.
Enquanto isso, um dos componentes da equipe de Will é infectado com a droga e passa a sofrer efeitos que vão destruindo o seu corpo. Sem ter uma cura, ele ainda passa a infecção para o vizinho de Will e isso pode desencadear em um vírus desenfreado “andando” no meio dos humanos.
No ano em que X-Men: A Origem rompeu todas as expectativas – e até preconceitos – do público ao apresentar o início da história de maneira em que se é possível até mesmo esquecer os três primeiros filmes sobre os mutantes, Planeta dos Macacos: A Origem é outra surpresa que Hollywood entrega neste ano. E ele também nos faz esquecer aquele péssimo filme dirigido por Tim Burton e lançado em 2001.
Dez anos depois, os macacos voltam às telas do cinema com uma história humana e fascinante. E a indústria cinematográficia se pergunta se a Academia deveria reconhecer o trabalho de Andy Serkis indicando ao Oscar.
“A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, é uma interessante fábula sobre o poder. No livro ele diz que “na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Animal nenhum deve morar em casas, dormir em camas, nem usar roupas, etc. Todos os animais são iguais”. A história narra a insurreição dos animais de uma granja contra os seus donos. E nesta fábula, Orwell declara os pensamentos dos animais em sentirem a necessidade de terem o controle das suas vidas, acabando contra a tirania dos homens, lutando contra o egoísmo e a falta de liberdade.
O texto de “A Revolução dos Bichos”, lançado em 1945 no meio da Segunda Guerra Mundial, pode parecer visionário. Mas ele pode ter sido uma das influências para a fascinante história de composição da personalidade dos personagens neste Planeta dos Macacos: A Origem.
[rating: 5/5]



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