Capitu - O Quinto Capítulo (finale)

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“Mais um mistério entre tantos jogados ao mundo.” – Dom Casmurro

Capitu, enfim, chega ao seu final. E, ao contrário do que talvez poderíamos pensar, Luiz Fernando Carvalho não traçou nenhum vilão, ou pelo menos não deixou que ele transparecesse. A dúvida continuou (e continua), porque assim quis Machado de Assis quando este escreveu o seu genial “Dom Casmurro”. E neste último capítulo, vimos a sua angústia que antes podia ser sentida através das palavras machadianas. Bentinho estava louco por um filho, porque ele acha que era isso o que faltava para completar o seu amor por Capitu. Este filho veio e foi chamado de Ezequiel. No entanto, quanto mais ele crescia, mais as semelhanças com Escobar se tornavam evidentes. E Bentinho estava suspeitando de algo, principalmente pelas desculpas de Capitu e as visitas não programadas de Escobar. Bentinho, então, proclamou: “eu não sou o seu pai”. E gritou várias vezes com Ezequiel, que foi até mesmo mandado para um internato. Começou a se configurar a separação entre Capitu e Bentinho, que nunca admitiu ter tido um caso com Escobar e sempre afirmou que Ezequiel era o seu legítimo filho.

Mas a velhice estava chegando cada vez mais rápido. Bentinho foi perdendo os seus entes queridos, e o primeiro deles com Escobar. A dúvida (ou o segredo) não tinha como ser descoberto, a não ser que Capitu pudesse entregar alguma coisa. Mas este não foi o caso. Mais um pouco de tempo e foi a vez da mãe de Bentinho. Este, decidido a se separar de Capitu, se mudou para a Europa e permaneceu longe de tudo. Apenas José Dias o acompanhou, mas este faleceu em seguida vítima também da idade avançada. Depois de onze meses, eis que Bentinho retorna devido à morte de Capitu para tomar conta do seu filho (?) Ezequiel. E ele se surpreende ao ver que o garoto está ainda mais parecido com o seu amigo Escobar: o cabelo, o jeito de andar, o sorriso. Bentinho não se preocupou e agradou o menino, que tinha um sonho de ir para a Grécia. Em seguida, eis que ele também falece vítima de uma febre tifóide. Bentinho não tinha mais ninguém. E a sensação que dá, no apagar das luzes e o fechar das cortinas, é que Capitu permaneceu na dúvida e assim permanecerá até o fim dos tempos.

Cotação: ★★★★★

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Capitu - O Quarto Capítulo

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Chegamos ao penúltimo episódio de Capitu. E o que tenho observado, principalmente nestes dois últimos capítulos, foi uma certa pressa em chegar logo no final. Uma característica que não vinha se apresentando logo quando esta microssérie se iniciou. Mesmo assim, “O Capítulo 4” se mostrou muito melhor que o anterior em diversos aspectos. Passada aquela fase de transição, estamos nos aproximando cada vez mais do mistério (ou seria incógnita?) deixada por Machado de Assis, o que transforma Dom Casmurro em um dos livros mais geniais da nossa literatura. Este crédito não é dado por mero acaso. Bentinho se livrou do seminário, assim como o seu amigo Escobar. Ambos agora vão seguir os seus sonhos.

Bentinho se entregou às leis e virou doutor, enquanto que o seu amigo finalmente pôde se voltar para o comércio, algo que ele sempre quis fazer. Com isso, Bentinho ficou muito tempo fora estudando Direito e quando este retorna, ele percebe que as coisas mudaram. Capitu cresceu, virou uma mulher, mas continua com aquele olhar dissimulada. E, aqui, a cena em que Maria Fernanda Cândido aparece interpretando o personagem-título é o momento mais marcante deste episódio. Logo depois, Capitu e Bentinho se casam e se tornam um dos casais mais conhecidos da região do Rio de Janeiro. Mesmo assim, estou mesmo louco para ver como Luiz Fernando Carvalho vai trazer à tona este mistério que ronda o livro. Amanhã tem o último episódio e mal posso esperar para ver.

Cotação: ★★★½☆

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Capitu - O Terceiro Episódio

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Capitu, neste terceiro episódio, apresentou-se um pouco mais fraca e sem a mesma intensidade que lhe era tão característica. É claro que os capítulos colocados em pauta representam um momento intermediário dentro do próprio livro e acredito ter sido esta a maior causa. Este processo é desencadeado pela vida de Bentinho no seminário e a entrada de Escobar na série, o seu melhor amigo e companheiro que ele acabou conhecendo durante o curso para se tornar padre. Entretanto, a saída de Bentinho provoca uma série de acontecimentos e o primeiro deles é a febre que ataca a sua mãe, Dona Glória. Ele volta rapidamente do seminário para ficar próximo a ela e também a Capitu, mas os dois já não possuem a mesma química de antes e Bentinho percebe isso. Ela própria, segundo José Dias, estaria de caso com alguns vizinhos, fazendo com que Bentinho não tivesse mais tanta esperança em ter este amor para si.

E a chegada de Escobar só vai piorar as coisas. Capitu, com aquele jeito dissimulado, já está com segundas intenções em relação ao amigo de Bentinho. Este foi, na verdade, o episódio que se aconteceu pouquíssimas coisas, apenas um breve desenvolvimento da história. O que continua excelente é a direção de arte, que proporciona nos quadros, teatrais e televisivos, momentos únicos. Como neste episódio não tivemos exatamente um marcante como nos anteriores (vide aquela linda cena do giz), o que nos restou foi observar o ódio que Bentinho está sentindo de Capitu. Aquele seu jeito de alegrar a sua mãe enferma, aquela sua maneira de olhar, só fizeram com que Bentinho percebesse a verdadeira pessoa que ela é. E a ressalva já havia sido feita, a partir do momento em que Prima Justina percebeu que Escobar também não era uma pessoa. E não é mesmo.

Cotação: ★★★½☆

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Capitu - O Segundo Episódio

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“Nem durou muito a nossa despedida mas, aos quinze anos, tudo é infinito.” – Dom Casmurro

Bentinho está cada vez mais apaixonado por Capitu e este episódio representou o ápice desse louco amor. E para continuar vivendo esta paixão, Bentinho precisa de um plano o mais rápido possível para convencer a sua mãe a não mandá-lo para o seminário, com o intuito de fazê-lo virar padre. Para fazer com que isso aconteça, Bentinho resolveu se aliar com José Dias, o principal responsável por fazer com que a sua mãe se lembrasse da promessa que fez antes mesmo de Bentinho nascer. A aliança com José Dias implicava em ele poder mudar os planos de Dona Glória e começaram a surgir, entre eles, idéias para o futuro de Bentinho. Mas este estava apenas encantada com a beleza de Capitu, com aqueles olhos grandes, penetrantes e oblíquos. O cabelo encaracolado, formidável e maravilhoso para se tocar e escovar. Neste espírito romântico e poético, eles finalmente tiveram o seu primeiro beijo, na melhor cena deste episódio. Completamente maravilhosa tamanha a poesia utilizada pelo texto dos seus roteiristas, sabendo mesclar as narrações de Dom Casmurro, personagem-observador, com as ações dos personagens que ele próprio criou.

O primeiro beijo entre Bentinho e Capitu também trouxe consigo as brigas e as primeiras discussões. Ela colocou o seu amado contra a parede ao perguntar se ele seria capaz de desobecer a sua mãe em seu favor, em razão da mulher que ele amava. Bentinho nunca se questionara sobre isso, mas ele sabia que poderia fazer qualquer coisa para estar ao lado da pessoa que ele amava, assim como ele estava tentando fazer com que a sua mãe repensasse a sua promessa. Mas com as brigas, também vieram as reconciliações, as promessas, as juras de amor. Por mais que Bentinho tenha tentado fugir de se tornar padre, ele não obteve êxito e está partindo para o seminário. O seu amor em relação a Capitu, e o beijo que selou esta paixão, agora está com o futuro incerto. A separação foi inevitável e o que restará são apenas os bons momentos que viveram juntos e, para Bentinho, as lembranças daqueles lindos olhos fitando-o com tamanha paixão. Capitu continua impecável. As características teatrais permaneceram, assim como fidelidade ao livro escrito por Machado de Assis. Desde Queridos Amigos que eu não conseguia ficar tanto tempo ligado na Globo, mas Capitu realmente me conquistou por esta simplicidade e, ao mesmo tempo, a mesma complexidade narrativa imposta por Machado de Assis. Simplesmente, fascinante!

Cotação: ★★★★★

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