Eu dividi este post em duas partes: nacional e internacional. Então, vou começar com os dez melhores filmes (na minha humilde opinião) deste ano de 2008 lançados/feitos lá fora. Sem mais delongas, eis a lista:
1) Sangue Negro - O filme dirigido por Paul T. Anderson não levou a estatueta do Oscar mas deu o prêmio ao ator Daniel Day-Lewis. O longa-metragem é um verdadeiro épico que nos invade com diálogos bem construídos e uma dualidade que permanece até os dias de hoje, entre o Capitalismo e a Religião, entre a Fé e a Razão. Uma verdadeira obra-prima do cinema atual. - Leia a Crítica aqui.
2) Do Outro Lado - Vigorando basicamente no circuito alternativo, este é o novo longa-metragem do jovem diretor Fatih Akin, sendo esta a segunda parte de uma trilogia que se iniciou em 2004 com o filme Contra a Parede. Em ambos os filmes, Akin fala sobre a morte, sobre a solidão, sobre as dificuldades na vida de qualquer ser humano. A tragédia aqui, ao contrário do que acontece na trilogia do diretor Alejandro Iñarritu, acontece naturalmente e não necessariamente precisa de um fio condutor para ligá-la aos personagens. Uma obra simples, mas de uma inteligência encantadora. - Leia a Crítica aqui.
3) Onde Os Fracos Não Têm Vez - Eu acho que este é uma daquelas obras incompreendidas pelo grande público. Logo quando saí do cinema e conversando com amigos posteriormente, muitos reclamavam da maneira como os irmãos Coen finalizam o seu filme, ganhador do Oscar de Melhor Filme. No entanto, o que importa aqui não é o final, mas sim, a metáfora criada para o significado da violência na pele de Anton Chigurh. Com certeza. um dos melhores filmes do ano e merecedor de todos os prêmios que levou. - Leia a Crítica aqui.
4) Batman - O Cavaleiro das Trevas - Um dos filmes mais aguardados do ano, com certeza. E ganhou ainda mais força depois da morte súbita de Heath Ledger. Pois antes de falecer, ele ainda nos entregou um último personagem. E que interpretação! O seu Coringa é, entre todos os elementos, o que de melhor existe neste segundo filme. Sem contar que Christopher Nolan transformou a história de Batman em um épico de ação, graças também à excelente trilha da dupla Hans Zimmer e James Newton Howard. - Leia a Crítica aqui.
5) Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto - Sidney Lumet está de volta! Sem palavras para dizer o quanto este filme é impressionante. O quanto o roteiro é inteligente e altamente meticuloso. Porque, no final, tudo parece ter sentido. O filme começa de uma maneira meio paranóica, mas quando as coisas começam a fazer sentido nos impressionamos com a capacidade que as pessoas possuem de irem até as últimas conseqüências para conseguirem aquilo que desejam. Esta é a principal mensagem do filme, diga-se de passagem. Entre idéias brilhantes e atrapalhadas, Lumet constitui uma obra própria sobre o que de mais sujo o ser humano possui. - Leia a Crítica aqui.
6) Wall-E - Acho que este foi um dos filmes mais impressionantes do ano. Eu também não sei explicar como ele foi ficar na 6ª posição, mas este é um dos problemas das listas e o porquê de eu nunca gostar de fazê-las. De qualquer modo, a excelente animação da Pixar (mais uma) mostrou um futuro, que parece distante, mas não impossível. A Terra transformada em um verdadeiro “lixão” por conta do nosso desrespeito com o meio ambiente vem sendo comentada ano após ano. Decerto, não acreditamos nas expectativas dos ambientalistas, mas a verdade é que a situação tem piorado. Candidato a vencer o Oscar de Melhor Animação no ano que vem? Ah, pode entregar logo a estatueta. Leia a Crítica aqui.
7) Senhores do Crime - A primeira cena deste filme é digna do cinema de David Cronenberg. Aquele sangue jorrando e a maneira crua como ele conduz este filme, são as melhores maneiras de caracterizá-lo. Alguns disseram que este era uma seqüência de Marcas da Violência, também dirigido por ele e atuado por Viggo Mortensen. Mas aqui as cenas são mais explícitas, mais cruas e mais violentas. E não poderia ser diferente. Um filme que tem em seu foco a Máfia Russa, é óbvio que seria violento. A única coisa que realmente não aprecio na obra é o final, que se mostrou muito diferente daquilo que estava sendo narrado. No mais, um excelente filme. Leia a Crítica aqui.
8) O Escafandro e a Borboleta - Este, sim, um dos filmes mais chocantes do ano. O filme nos faz pensar sobre as fragilidades do corpo humano. É uma incursão pela vida de um ser humano que, aparentemente, tinha tudo e depois precisou se superar para continuar vivendo. A impotência de não ser mais pai, de não poder mais ver as coisas e vivenciá-las, virou uma biografia, depois um filme. Entre arrependimentos e frustrações, o diretor Julian Schnabel nos proporciona uma viagem emocionante por dentro da imaginação de Jean-Dominique. Uma das obras mais surpreendentes e agonizantes do ano, com certeza. - Leia a Crítica aqui.
9) Uma Garota Dividida em Dois - É bem verdade que este novo longa-metragem de Charles Chabrol (um dos poucos remanescentes da Nouvelle Vague) tem uns problemas que incomodam e me lembro de não ter dado uma boa nota na crítica que eu fiz. No entanto, só de visualizar a lucidez de Chabrol no auge dos seus 84 anos, ainda fazendo cinema com as características que marcaram a sua filmografia, vale colocá-lo aqui na lista. Ele coloca em pauta a relação entre uma garota de 20 e poucos anos, com um cinqüentão que acabara de lançar um livro. Uma obra visual imperdível. E eu, como amante da Nouvelle Vague, indico para qualquer cinéfilo assistir. - Leia a Crítica aqui.
10) Apenas uma Vez - Este foi uma das boas surpresas do ano, sem dúvida alguma. Circulando no cenário independente e fazendo um tremendo sucesso por conta da canção Falling Slowly, Apenas uma Vez representa o que de melhor ainda possui no espírito de se fazer cinema independente, algo meio que perdido na contemporaneidade. Filmado de maneira simples e com câmeras digitais, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original, este é um dos melhores romances que eu já assisti, mas sem aquelas cenas romãnticas, sem aquelas declações amorosas. Algo muito mais lúcido e real. Sim, um filme feito de maneira simples, mas com um alcance emocionante.
Comentários Recentes