Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Sympathy for the Devil
Temporada: 06
Episódio: 09
Data de Exibição: 03/11/08
Emissora: CW

Percebi que não era sobre um assassinato. É sobre como o seu coração se parte.”

A idéia de ter um produtor querendo adaptar um dos livros escritos por Lucas Scott deu uma transformada na história, e para melhor. Uma vez que ele precisa escrever o roteiro para o filme, Lucas necessita também em lidar com fatos que ele tinha esquecido nestes quatro anos. Não que ele tenha apagado completamente da sua cabeça, porque isso seria impossível quando se fala no assassinato de Keith, o seu tio mas que foi o seu verdadeiro pai. No primeiro roteiro, Lucas decidiu cortar esta cena. Porém, Julian sabe que a indústria cinematográfica – e o público – gostam do choque e pense na repercussão que o filme teria ao tratar de um homem matando o seu próprio irmão.

Lucas, então, entra em um dilema e tenta confrontá-lo. Como seria o personagem Dan Scott? Ele seria tratado como humano, ou apenas como um assassino? Como pai ou como prefeito? A cena em que Lucas se encontra parado no mesmo corredor em que Keith Scott e Jimmy Edwards morreram, ilustra muito bem a maneira como ele pretende realçar toda essa história. Ao pedir ajuda para Nathan, ele acredita que a maneira mais inteligente de retratar alguém como Dan Scott é a partir da sua crueldade ao matar o seu próprio irmão. Sem saber como vai escrever a cena, ele começa a remoer o passado para achar a maneira mais humana para transformar Dan Scott em uma pessoa má, capaz de provocar ódio na platéia, compartilhado pelos seus dois filhos.

Na verdade, a idéia de se adaptar esta história, dá à série a oportunidade de utilizar uma metalinguagem muito interessante. Leio outros blogueiros que escrevem sobre One Tree Hill, e uma das coisas comentadas por nós (me incluo também dentro desse círculo) é a forma com que o personagem Dan Scott é conduzido na série. De alguma forma, mesmo ele tendo matado Keith, se torna impossível odiá-lo. Não por culpa do roteiro, mas porque o ator Paul Johansson lhe confere um carisma que conquista o público. Nas vezes em que ele pressionou Nathan, se ele não tivesse feito talvez ele não fosse um jogador de sucesso, que teve o seu futuro interrompido por conta de uma lesão. Existem certas medidas que foram tomadas por ele, ao longo do programa, que podem ter contrariado o telespectador, mas que tenha certeza que ele estava zelando pelo futuro do seu filho, pela própria experiência que ele tinha e tem.

E quando Dan fala “toda boa história precisa de um herói, Lucas. Me desculpa, mas eu sou para a sua”, é uma comprovação de que ele não se arrepende do que fez. E mesmo quando Lucas pergunta “por que?”, a resposta estará na mente de cada telespectador que assistiu à cena e que acompanha a série. Depois de três temporadas e retratar o motivo para tudo o que aconteceu naquele corredor não seria interessante. Mesmo porque, o que era pra ser explicado e tomado como lição para as tragédias que acontecem em Escolas e Universidades americanas foram todas discutidas naquele episódio. Quando uma série como One Tree Hill, com seis temporadas e um caminho sedimentado, pode se dar o luxo de criar essas idas e vindas, retomar discussões, fatos. E isso é uma coisa que ela faz com muita perspicácia e propriedade.

Cotação: ★★★★☆