Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Hate is Safer Than Love
Temporada: 05
Episódio: 17
Data de Exibição: 12/05/08
Emissora: CW

O tempo é algo crucial. Um elemento de extrema importância e que poucos sabem usá-lo dentro dos seriados e do cinema. O tempo, por assim dizer, é uma constante que cada diretor usa da sua forma, por isso o intermédio dele basicamente não tem a haver com o tempo propriamente dito, mas sim com a maneira com que ele é empregado com o objetivo de fortalecer uma narrativa fílmica ou de qualquer outro gênero. O tempo nos passa sensações, pode nos deixar confusos, mas também pode servir de base para a construção de um episódio em que nos mostra, por intermédio dele [o tempo], tudo o que vai acontecer e, ainda assim, consegue surpreender.

Assim foi One Tree Hill. Logo no início a série nos mostra, em cenas congeladas, o que está por vir no episódio. A princípio pode parecer até uma idéia estúpida, se eles realmente não soubessem construir o episódio de uma maneira que pudesse prender o seu telespectador. A verdade é que o programa obteve êxito neste quesito e, apesar de já nos dizer o que estava por acontecer, ele mesclou uma série de elementos, com idas e vindas (mais uma vez o tempo), que teve um saldo importante rumo à season finale na semana que vem.

Assim, no misto das cenas congeladas, se vê Lucas no jogo dos Ravens bastante irritado, fugindo até mesmo da sua personalidade. Depois vemos a Brooke chorando, sem entender o motivo. E, ainda, Jamie andando na rua sozinho. Cenas que seriam revistas, com um tipo de montagem não-linear dos fatos, exatamente pelo tempo ser o diferencial em todas estas tramas. A irritação de Lucas no jogo do seu time se deve à Lindsey, que contou a ele que estava saindo com uma pessoa. Ele, que ainda mantinha a esperança de que ela poderia voltar, começa a acreditar que perdeu ela para sempre. O choro de Brooke e o seu rosto apreensivo foi por conta da cirurgia do bebê Angie, que no final acabou dando tudo certo. E, finalmente, Jamie descobriu que a sua mãe não entregou o cartão que ele havia feito para o seu avô Dan e por isso questiona o porquê da mentira, mesmo de uma maneira indireta.

A volta de Mia neste episódio também causa um certo questionamento para a Haley sobre essa oportunidade de se aventurar novamente no mundo da música. Ao saber que Mia não estava mais encontrando tempo nem mesmo para namorar, Haley acaba relembrando os momentos em que ela saiu em turnê e em como aquilo fez mal ao seu relacionamento com Nathan. E ela lembra que agora não são apenas eles dois, mas tem também o Jamie e o medo dela obrigar a sua família a passar pelo mesmo processo faz com que ela se assuste mas, por outro lado, faz com que ela perceba que a música faz parte da sua vida, porém ela tem uma parte muito mais importante para se preocupar.

O ponto negativo desse episódio ficou por conta das cenas com a Deb, mostrando que o seu personagem está completamente fora de contexto, fora daquilo que a série está propondo. Ela não tem uma história, propriamente dita, que faça com que ela possa se aproximar mais. Os criadores tomaram a decisão de montar um caso dela com Skills, mas é completamente forçado e desncessário. Na verdade, acredito que Deb não tenha mais o que fazer dentro do seriado. A idéia dela voltar como babá, até agora não vingou porque nada disso foi explorado.

Para conter esse aspecto negativo, Lucas descarregou aquilo que ele realmente pensava sobre Peyton. Mesmo estando bêbado – e isso é um fato que deve ser levado em conta – ele exprime o seu ódio por ela e pelo o seu retorno a Tree Hill, causando uma grande turbulência no seu namoro com Lindsey e com o desfecho do mesmo. Além desse momento, a cena do abraço entre Dan e Jamie foi emocionante. Um ótimo episódio, que só me faz ficar ainda mais ansioso para a season finale da semana que vem.