Foram 43 episódios! A cada semana ficavámos ainda mais íntimos daqueles pacientes e também do Dr. Paul Weston. Durante as nove semanas pudemos perceber a evolução na terapia de alguns personagens, mas também dos problemas enfrentados por Paul que foram se acumulando ao longo da temporada. Além de ouvir os problemas dos seus pacientes e de tentar fazer com que estes pudessem entender e achar uma solução, Paul também tentava entender os seus próprios questionamentos se tratando com a sua mentora Gina. E vimos que algumas feridas foram reabertas pelos dois, principalmente pela maneira com que cada um enxerga a Psicologia e as teorias que a compõem. No entanto, In Treatment soube conduzir a temporada de maneira eficaz e intensa. Decerto, o final de alguns personagens acabaram por não corresponder as expectativas deste blogueiro. Por outro lado, a resolução de alguns quesitos me surpreenderam e a série deve continuar com essa ousadia na 2ª temporada, prevista para estrear em 2009. Portanto, vamos ao que aconteceu com cada personagem:

Laura: Paul teve muitas dificuldades para conduzir a terapia de Laura, principalmente porque viu se apaixonar por ela. Durante um ano ele tentou entender os motivos que levam à Laura a usar o sexo como forma de escapar da realidade. Paul estava com medo de se tornar mais uma pessoa no círculo sexual de Laura e ela estava com medo de não corresponder às expectativas do seu terapeuta. Dr. Weston tentou parar a terapia, mas Laura queria continuar as sessões porque ela ainda não se sentia preparada para se separar do seu mentor, do seu amor. Mas Paul também não estava preparado e por mais que ele não quisesse aceitar a idéia, o seu envolvimento com ela era só uma questão de tempo e Gina fez ele perceber que ele poderia amar quem quisesse. Paul tentou, mas na hora “h”, ele não conseguiu. Enquanto que Laura, para ele, conseguiu evoluir a sua terapia e chegou em um ponto que ela não dependia mais dos homens, se tornando uma mulher um pouco mais independente.

Alex: Foi um final trágico. Nem eu mesmo esperava que isso pudesse acontecer. Este, talvez, foi um dos personagens que mais Paul teve problemas. Piloto da Marinha, ele foi para terapia depois de ter jogado uma bomba e matado um grande número de crianças. Depois veio a separação com a sua esposa, o seu envolvimento com Laura e o retorno à Marinha como instrutor. Ele demonstrava estar feliz com o retorno, mas Paul sabia que ainda tinham muitas questões a serem tratadas, principalmente pela infância conturbada que ele teve. Alex, assim como o seu pai, era uma pessoa durona e que não se entregava, típica personalidade de um Soldado. Paul tentava fazer com que Alex pudesse compreender o que estava acontecendo com ele, as vertigens que ele tinha, os pesadelos e todo o resto que o atormentava. A morte de Alex pegou Paul de surpresa e acredito que a todos os telespectadores que acompanharam a temporada. A forma trágica com que as coisas aconteceram, levaram Paul a repensar as teorias que ele se utiliza no seu processo terapêutico e a rever também a forma com que as pessoas e os psicólogos encaram a Psicologia.

Sophie: Aqui está o personagem mais carismático dessa temporada. Torcemos, a todo instante, por um final feliz para Sophie. E ela teve. Porém, o processo foi doloroso e o trabalho de Paul foi realmente muito difícil, mas deve ter sido maravilhoso pensar que ele conseguiu fazer o seu trabalho, principalmente no final quando ele olha pela janela do seu escritório a felicidade que ela estava sentindo, mas também a maturidade que ela adquiriu e o poder de decisão que ela obteve, tanto com a sua mãe quanto com o seu pai, principalmente com este último. Sophie, por ser uma ginasta, sempre sofreu muita pressão. A soma disso com mais os problemas familiares, fizeram com que ela tentasse suicídio. Paul também se utilizou, não apenas de teorias, mas do seu carisma para fazer com que Sophie pudesse acreditar em si mesma. E ele conseguiu. Sophie começou a entender a relação de julgamento que ela tinha com a sua mãe e o porquê dela defender tanto o seu pai, mesmo este estando longe e não se preocupando com ela. E foi nestas sessões que a série mostrou que a Psicologia e a terapia não são feitas apenas de processos teóricos, mas que a relação de afeto e carinho entre o paciente e terapeuta são de extrema importância para que, além do respeito, haja uma confiança entre os dois e naquilo que está sendo falado nas sessões. Sophie, no final, se mostrou uma garota forte e pronta para alcançar os seus objetivos;

Jake e Amy: Já com estes personagens, Paul não apresentou tanta evolução como se era esperado. O casal Jake e Amy nunca conseguiram se entender, mesmo durante os dois meses de terapia em que o Dr. Weston tentava traçar o perfil dos dois aliado ao momento que eles estavam vivendo. Para Jake, as sessões de terapia, com o tempo, foram responsáveis pela trégua entre os dois, pelo menos enquanto estavam naquela sala. Amy já pensa o contrário e não viu muitas evoluções no processo. Para ela, tudo só piorou com a terapia. Paul tentou fazer de tudo para que eles não se separassem, desde a infância de cada um até o elo que ligam os dois hoje, o filho Lenny. Mesmo assim, Paul conseguiu com que cada um pudesse abrir o seu coração em certos momentos. Jake chegou a dizer que só havia se apaixonado por Amy em toda a sua vida. Mas tudo isso sempre se esbarrava nas confusões da sua esposa, por ela não saber o que queria da vida, pelas suas indecisões. Paul tentou, mas acredito que não tenha sido em vão, porque ambos conseguiram compreender que eles são melhores separados do que juntos. E o mais importante: essa foi uma decisão que partiu dos dois e não do terapeuta.

Paul e Gina: Com tantos problemas, tanto na sua vida profissional quanto na sua vida pessoal, Paul tinha que descarregar tudo isso. Ele precisava conversar com alguém que poderia fazê-lo compreender o que estava acontecendo. Para isso ele foi se consultar com a sua mentora Gina. As sessões entre os dois sempre foram muito carregadas de emoção, intensidade e de muito drama. Paul sempre questionou os métodos de Gina como psicóloga. Enquanto que Gina acreditava que Paul estava cada vez mais perto de se tornar como o seu pai, algo que ele sempre teve medo de acontecer. Paul, como terapeuta, era uma pessoa brilhante. Ele sabia conduzir as suas sessões de maneira perfeita, sempre mantendo a calma. E quando parecia que as coisas estavam saindo de seu controle, ele não se preocupava e continuava mantendo o seu ritmo. Mas quando ele se consultava com Gina, víamos uma pessoa completamente diferente. Ele se revela como um homem confuso, cheio de dúvidas sobre os seus pacientes e sobre a sua própria vida. Quando ele descobre, por exemplo, que a sua mulher estava tendo um caso, é como se ele estivesse vendo o seu mundo desmoronar, um mundo que ele demorou para construir. E quando a sua esposa e ele vão se consultar com Gina para uma terapia de casal, as verdades começam a vir à tona e Gina, talvez ainda mais brilhante que Paul, sabe se impôr aos comentários analíticos de Paul.

Conclusões Finais

In Treatment foi uma das melhores estréias esse ano. E falo isso pela maneira com que ela retratou estes personagens, com que ela foi, pouco a pouco, construindo uma personalidade para eles. O mais importante tudo foi o processo de humanização do seu terapeuta, Paul Weston. A série deixou de transformá-lo numa pessoa inatingível e possivelmente sem problemas, para um ser ainda mais humano que também enfrenta questões pessoais, que também busca entender questões que o perturba.

Durante os 20 e poucos minutos de duração de cada episódio, In Treatment se mostrou uma série fantástica, com textos e diálogos inteligentes e com problemas que são comuns em nosso cotidiano e que pode acontecer com qualquer pessoa. Talvez alguém tenha se identificado com a história de um certo personagem e a série consegue obter este sucesso. Laços teóricos, emocionais, seja qual for o processo terapêutico, o importante é dizer que In Treatment é uma série genial.