O amor entre pai e filha em À Deriva
By Vinícius Silva. Filed in Cinema, Opinião do Editor |
No começo do filme À Deriva, vemos uma linda relação entre o pai e a sua filha, enquanto os dois brincam no mar e a câmera do diretor Heitor Dhalia, seguindo por este embalo, também contempla belas imagens em meio àquele paraíso azul. Era o ínicio de uma obra simples, sincera e melancólica. Era, também, o começo de uma trajetória que nos levaria a enxergar uma crise familiar a partir do olhar de uma adolescente de 14 anos.
Já escrevi a crítica sobre o filme ‘À Deriva’ (leia aqui) no final da semana, mas resolvi escrever um artigo mais focado nesta relação entre pai e filha, principalmente na maneira como os fatos são conduzidos durante a estória. Filipa, interpretada por Laura Neiva no filme, é levada a procurar entender as coisas ainda quando estava se descobrindo, uma vez que a sua grande intenção era fazer com que tudo pudesse dar certo.
No entanto, quando ela vê o seu pai flertando com uma turista, é o sentimento de perda que começa a tomar conta de si mesma. Mais do que isso, ela precisa lidar com o fato de contar ou não a verdade, isto é, até que ponto isso poderia ajudar (ou atrapalhar) no processo de dissolução dos laços familiares que foram construídos.
Já Matias também segue os mesmos encantos da filha, não deixando de dar o carinho necessário para ela e os seus irmãos, enquanto a sua mãe se mantém afastada da família, funcionando quase que como um ponto de separação, apesar disso ser muito bem guardado pelo roteiro, também escrito por Heitor Dhalia. Mesmo quando a relação entre Filipa e Matias se estremece, os dois conseguem se perdoar e se amar.
‘À Deriva’ neste ponto se mostra um filme completo, porque sabe criar em doses certas um pouco de cada sentimento nos seus personagens: ao mesmo tempo em que podemos contemplar a dor de Filipa em ver a sua família se dissipando, também conseguimos enxergar a própria força-de-vontade da garota para se entender, já que ela se mostra em alguns momentos visualmente confusa sobre aquilo que ela queria (vide o seu relacionamento com um garoto que ela conhecera e, mais tarde, a sua entrega ao barman interpretado por Cauã Reymond).
Ainda estou refletindo bastante sobre o filme do Heitor Dhalia. Como saí do cinema com alguns questionamentos na cabeça e impressionado pelo longa-metragem que eu acabara de assistir, ainda está impregnado em mim a mesma sensibilidade que o diretor empregou para fazer este filme compreendendo, assim, uma fase deste que vos escreve para entender também a trajetória de uma família marcada por momentos felizes e tristes.
Por isso mesmo que cheguei a dizer que o filme ‘À Deriva’ é bem maior do que apenas retratar a dissolução de uma família sob os olhares de uma adolescente de 14 anos. É uma obra sobre a própria vida, cheia de incertezas, cheia de idas e vindas, oscilando entre a felicidade, a dor e a tristeza. E acredito que esta sensibilidade, tão bem entoada pelo filme com a sua belíssima trilha sonora, acaba tocando os corações e as mentes das pessoas que assistem.
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Crítica: À Deriva


