IV Semcine - A celebração do tango
Cinema, SEMCINE 24 de julho de 2008Agora que as discussões se encerraram, o IV Semcine promove apenas exibições de filmes na sala principal do Teatro Castro Alves e na Sala do Coro, onde acontece a Mostra Retrospectiva, além da mesa “Diálogos”, que nestes últimos dias de evento estará discutindo a atual posição da Crítica dentro do cenário cinematográfico.
Decidi, então, acompanhar os longa-metragens que estão sendo exibidos nas noites na sala do Teatro Castro Alves, sendo sempre antecedido por um curta-metragem que está concorrendo ao Prêmio de Melhor Curta que será entregue na celebração de sábado a noite. Confesso que até então, estava achando a qualidade dos curtas selecionados muito abaixo daqueles que foram exibidos em outras edições. Porém, o curta-metragem baiano 10 Centavos deu mostras de que é o um fortíssimo candidato para vencer a disputa neste ano.
Digo isso porque o diretor César Fernando de Oliveira soube empregar uma sensibilidade da realidade de um garotinho que luta pela sua sobrevivência nas ruas de Salvador de maneira muito peculiar, assim como a sua maneira de filmagem. Os 19 minutos são repletos de boas tomadas e da boa atuação do garoto Jorge Júnior, que vigora aí como uma possível revelação do cinema brasileiro. A diferença deste curta para os outros que foram exibidos anteriormente, é que 10 Centavos mantém uma narrativa única sem brincar com metáforas de imagens e viagens pelo inconsciente, como aconteceu no curta Dreznica. Não que isso traga uma dificuldade ou que fuja de um contexto, mas 10 Centavos mantém um roteiro que consegue passar uma mensagem, ao contrário do que estava acontecendo.
E como este IV Semcine foi marcado principalmente pelo Documentário, o longa-metragem da Mostra Internacional ficou por conta de Café dos Maestros, dirigido pelo argentino Miguel Kohan, que conta a história do tango verdadeiro, e não aquele de exportação. O documentário promove uma incursão por meio da sua musicalidade, mas procurando enfatizar ainda mais os seus músicos e não apenas a dança. Aliás, pouco se vê na lente de Kohan a dança em si. O filme tem a intenção de celebrar o tango argentino e de venerar os seus principais musicistas, que ajudaram a construir a sua história e a sua musicalidade única. É até mesmo um documentário feito de uma maneira diferente, sem muitos depoimentos. O que se vê é muita música e orquestras que fazem qualquer pessoa se deliciar na poltrona com a maravilhosa sonoridade do piano e dos violinos.
Ainda essa semana pretendo fazer uma publicação sobre o papel da crítica, já que este tem sido um tema recorrente dentro do Seminário, além de ter rendido uma discussão fervorosa no ano passado entre o crítico André Setaro e o cineasta Edgar Navarro. Mas este é um assunto para as próximas postagens…










25 de julho de 2008 as 9:33
PRA começar, parabenizo Vinícius por este espaço. Não tenho conferido tudo que eu gostaria desde as discussões das Mesas e, principalmente, os filmes das várias Mostras em exibição durante o evento. Por isso, encontrar um espaço na web como este que reverbera o atual Semcine, é sempre uma dádiva. Ainda mais porque quase nada há na web, a começar pela web baiana. nesse sentido. Palmas para o Uol por exibir ao vivo e na íntegra as discussões das Mesas. Lamentável a falta de reverberação das obras e questões suscitadas nas Mesas em nossa imprensa e na mídia em geral, além do mero noticiário e parcas entrevistas que não verticalizaram as informações.
Sobre a noite de anteontem, queria aproveitar este espaço pra registrar a minha (má) impressão sobre o curta baiano Meio Poeta. Registro isso como meu desabafo em meio à profusão de palmas alegrinhas que o filme recebeu no final da exibição:
É um filme autocomplacente. Obra deslumbrada consigo própria. Deslumbrada com o tema e a fonte em que se inspira o “enredo”. Deslumbrada com sua ‘escolha’ estética e com tudo o mais.
Complacente ao insistir em mostrar imagens de nossa Soterópolis, mesmo quando desnecessárias ao argumento, e ao roteiro tão retrab(p)alhado.
Complacente com um ícone baiano do cinema inventivo, como Edgard Navarro e seu O Superoutro, ao transpor para si, em sua literalidade, porém sem a menor inventividade, a personagem principal daquele filme, reinterpretada por Bertrand Duarte.
Complacente - neste ponto - sobretudo porque reduz o humor paroxista de Navarro a um embotado besteirol, modalidade de humor que assolou e ainda nos seus estertores assola a cena e outras ‘manifestações artísticas’ baianas, como a “axé music”.
Uma mistura de besteirol com dramalhãozinho: beisterolhãozinho.
Complacente com a poesia. Complacente com os poemas e com os poetas, escolhidos “meio” que só a contento para preencher a “lata” do filme.
Na lata do poeta pode caber tudo, como pode nada caber por sua meta ser inatingível. Mas é sempre uma lata “absoluta”, vale dizer, inteira, como metaforiza Gil na canção que ‘embala’ o final do curta no momento em que correm os créditos da obra.
O que mais dizer da ‘meia lata’ de Meio Poeta… Metonímia de meia meta? Poesia en-ta-la-da?
25 de julho de 2008 as 11:12
Olá Roberto. Primeiro, gostaria de agradecer os elogios. Em relação ao curta, estou tendo a mesma impressão que você, não apenas sobre este que foi exibido, mas sobre grande parte daqueles que foram selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas.
O da noite de ontem, “10 centavos”, foi até melhor filmado do que os anteriores, que investiram bastante em metáforas através de uma Semiótica que às vezes não é perceptivel logo “de cara”.
Mas tenho visto um empobrecimento das obras desse ano. No ano passado, a qualidade estava muito melhor, haviam curtas que conseguiam em poucos minutos passar uma mensagem interessante. O que tem se passado é um besteirol e um greve sentido em querer posar de “cult”. A platéia, como você mesmo mencionou, sempre aplaude tudo o que vê. Também fico sem entender.
No entanto, ainda tem aí mais dois dias de filmes e mostras para tentar salvar.
Abraços. Não sei como você achou este espaço aqui, mas gostei bastante do seu comentário.
31 de julho de 2008 as 8:57
Olá, Vinícius, bacana essa interação, ter encontrado em teu blog espaço pro meu desabafo. Andei visitando teu blog no anterior endereço também (no blogspot), que já estava bem concebido. Gostaria de contar contigo pra trocar algumas idéias sobre concepção de blogs. Como não encontrei teu e-mail por aqui, passe-o para mim: rjoaldo@gmail.com
Olha, mantenho um blog de literatura que eu adoraria reformular. Se eu puder contar com algumas dicas tuas… Confira-o nesse endereço: http://estreladecentauro.blogspot.com