In Treatment - Terceira Semana
By Vinícius Silva. Filed in In Treatment, Reviews |Estou um pouco atrasado com os comentários semanais de In Treatment, mas vamos seguindo em frente. Dessa vez – e daqui por diante – não colocarei mais o rating dos episódios. Não acho que seja justo eu fazer uma qualificação, uma vez que todos os capítulos são sessões de terapia e fica muito difícil julgá-los pela qualidade. Portanto, traçarei apenas comentários e ficarei aguardando pelos de vocês, para saber a opinião de quem assistiu. É melhor dessa maneira, pelo menos não fico numa situação difícil. Só preciso dizer mais uma coisa: a April é a melhor personagem desta temporada!
(Monday: 2×11) - Mia: Com Mia, parece que todos os assuntos de transferência sexual voltam á tona quando eles relembram do passado. No entanto, para ela o que mais vale é falar da vida sexual entre Paul e Laura. Ela está tão preocupada em compreender a estória dos dois, que se esquece dela mesma. Ciúmes? Talvez ela fique pensando na maneira como afasta os homens, ou naquilo que deveria acontecido entre os dois quando ela se apaixonou pelo seu terapeuta, há 20 anos. A bem verdade é que Mia, claramente, tem uma personalidade complicada no que diz respeito aos homens, não apenas porque ela os afasta, mas porque ela os obriga, os pressiona, a expressar os sentimentos da maneira que lhe é conveniente, da maneira que ela mesma possa se sentir segura. Talvez Mia esteja testando o Paul, como ele mesmo disse.
(Tuesday: 2×12) – April: Os diálogos entre April e Paul são curiosos e geniais. Primeiro, porque ela pede para ir mais cedo à sessão, uma vez que ela não conseguiu dormir por conta do seu projeto final de arquitetura. Contando os motivos que lhe levou a ter insônia, Paul chega até o assunto envolvendo a quimioterapia e a importância de fazê-la. É então que April começa a discorrer sobre os seus sentimentos. Não sei se a palavra “ciúmes” é a mais adequada, mas é como ela se sentisse menos assistida do que o seu irmão. Talvez por ele ser um garoto com uma doença especial, isso gerou em sua mãe uma assistência muito maior, fazendo com que April se tornasse uma pessoa independente. Pode também não ser ciúmes, talvez seja outra coisa. O seu medo de contar sobre a sua condição médica é exatamente de provocar em sua mãe uma dor muito grande, que ela não esteja pronta para suportar. Mas é ai que entra Paul e a sua função como terapeuta: e se ela não contar, o que a sua mãe irá pensar? Será que ela conseguiria se recuperar caso April morresse?
(Wednesday: 2×13) – Oliver: Enfrentar a separação dos pais, por si só, já é algo bastante complicado para alguém de 10 anos. Imagina agora que ele precisa fingir estar se sentindo bem com um para que as brigas possam cessar e eles terem uma vida mais “normal”. Oliver está no meio de uma guerra, no meio da infelicidade do casamento dos seus pais. Porém, o que mais impressiona é que existe um elo de ligação entre ele e Paul, a partir do seu filho Max. Por isso ele quer conhecê-lo, para ver que existem outras crianças como ele, que passaram (e passam) pelo mesmo momento. Aliás, o episódio já começa com uma conversa um pouco tanto melancólica entre Paul e o seu filho. É evidente quando ele tenta ajudá-lo a fazer uma boa Redação para recuperar a nota ruim que tirou, mas Paul não está lá presente.
(Thursday: 2×14) – Walter: Sempre me pareceu que Walter era uma pessoa controladora, sempre pensando que estava no comando. Por ele ser um empresário bem-sucedido, isso o fez com que a sua visão para determinadas coisas ficassem ofuscadas. Uma delas é a sua filha Natalie, que, talvez para fugir do seu pai resolveu ir para Ruanda. Porém, Walter sempre a achou diferente dos seus outros filhos e por isso também foi fazer uma visita, que não foi exatamente como ele gostaria que tivesse sido. Se Walter exerce uma pressão em cima da sua filha, ele recebe do outro lado por conta dos negócios e por gerenciar uma empresa de grande porte. Ainda assim, ainda não sei definir qual o tipo de tratamento que Paul pensa em desenvolver para este paciente, uma vez que ele ainda é uma incógnita.
(Friday: 2×15) – Gina: As conversas com Gina são sempre as melhores. Primeiro porque temos a oportunidade de mergulhar na mente de dois terapeutas e segundo porque vemos Paul também como uma pessoa humana, e não apenas como alguém inalcançável. É isso o que muitos pensam sobre eles, mas Paul vive atormentado pelos traumas que passou na infãncia com a separação dos pais, com as tentativas de suicídio da sua mãe, com o fato do seu pai estar sempre com alguma mulher fora do casamento. São flashes na sua mente que o fazem lembrar de Oliver e do trabalho que ele terá para que esta criança não passe pelas mesmas coisas que ele passou. Mesmo depois de 40 anos, Paul ainda tem medo de visitar o seu pai, já quase morrendo por conta do Mal de Alzheimer. Mas o seu medo vai além disso: ele não quer ter que lembrar do trágico fim que a sua mãe teve, assim como o fato dele ter cuidado dela até os últimos momentos. Paul vive com a culpa de não ter salvado a sua mãe e com o medo de se tornar como o seu pai.


