Distrito 9

By Vinícius Silva. Filed in Cinema, Críticas  |  
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Dirigido por Neil Blomkamp. Com: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike, John Summer, Nick Blake, Jed Brophy e William Allen Young. (District 9, 2009)

Durante 20 anos, uma nave pairou sob o céu de Joannesburg. Assim que o Exército conseguiu entrar à força no local, eles perceberam o número de alíens que tinha dentro e algo precisava ser feito. Ao invés de exterminá-los, como não havia outra opção, favelas foram criadas para colocá-los. É assim que surge o Distrito 9, um lugar não muito diferente das favelas que vemos aqu no Brasil. Aliás, a ideia é basicamente a mesma. Sendo utilizados como cobaias, eles foram jogados dessa maneira para que também fossem feitos estudos sobre a sua espécie. Por trás disso, grupos milionários loucos para lucrarem com alguma descoberta científica que pudesse mudar o mundo. Perguntas como, por exemplo, de que planetas estes eres eram, começaram a ser feitas constantemente e mais ainda existiam capitalistas interessados em investir dinheiro em um estudo científico que pudesse, acima de tudo, dar lucros. Esta é a principal premissa de Distrito 9, produzido por Peter Jackson, dirigido pelo novato Neil Blomkamp e com roteiro escrito pelo próprio em companhia de Terri Tatchell.

Wikus van der Merwe (Copley) se torna um dos diretores da Multi-Nacional-United (MNU), empresa contratada para controlar os alienígenas, além de mantê-los em campos de concentração. O seu desejo principal: receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como “matéria-prima” as defesas naturais dos extraterrestres. As autoridades, então, sob o comando de Wikus, decide realocar os alíens para um novo local. E isso não os agrada, de maneira alguma. Durante os 20 ou 30 anos em que a nave pairou sob o céu de Joanesburgo, na África do Sul, o mundo desconhecia de que 2 milhões de alienígenas estavam sendo mantidos no Distrito 9 por uma empresa privada. A falha da MNU, no entanto, se dá exatamente pela ganância que ela tinha em obter lucros para o contrabando de armas pelo mundo. Para que as armas fossem construídas a partir da “matéria-prima” dos extraterrestres, era necessário que fosse coletado uma amostra de DNA dos alíens (algo que eles não sabiam, até então). O maior problema é quando Wikus é infectado e começa a espalhar o vírus. Sem casa, sem família e sem ninguém, qual o lugar mais “seguro” que ele poderia se esconder: o Distrito 9.

Se caracterizando como um falso documentário no seu início, Distrito 9 traça uma diferença bastante peculiar e interessante. Sendo uma ficção científica, como o filme poderia se encaixar em um gênero documental que se caracteriza pela verdade e por uma narrativa completamente diferente. É exatamente por estes traços psicológicos e, de certa forma, modernos, que o longa-metragem ganha em originalidade. Filmado com a câmera na mão, a cada quadro temos a nítida sensação da realidade e de estarmos realmente mergulhados no Distrito 9 de uma maneira que, se fosse filmado de outra forma, talvez não teriamos esta visão sensitiva. A intensidade da obra em cada minuto que passa, faz com que o espectador se contagie pelas cenas de ação bem filmadas e, principalmente, por um roteiro que se encaixa dentro da proposta do filme. Para dar verossimilhança a estas imagens e à própria estória, os produtores utilizam imagens das câmeras de segurança, simulacros de noticiários e isso ajuda a conferir uma verdade que nos faz sentir a apreensão que o filme causa.

Tudo isso, diga-se de passagem, é contada de maneira bastante ágil. Ao mesmo tempo em que vemos Wikus tentando realocar os alienigenas, em seguida já mergulhamos na trajetória do personagem, agora já infectado, em tentar encontrar uma cura, fugindo e se escondendo da MNU. Apesar dessa luta entre humanos e extraterrestres ser uma constante no gênero, Distrito 9 não cai em clichês. Pelo contrário, com um roteiro bastante inteligente e original, além de contar com cenas de violência que não são escondidas em nenhum momento, Distrito 9 provoca em seu espectador a oportunidade de mergulhar em um mundo “imaginário” criado pela “real” mentalidade e consciência daqueles que conceberam o filme. Ao mesmo tempo em que nos sentimos longe do filme - e isso sempre acontece quando vemos o depoimento de outras pessoas que simulam o falso documentário o qual a película aparenta ser -, ele também nos provoca a olhar de perto a deterioração de um ser humano.

Me chama a atenção, durante a transformação de Wikus, algumas semelhanças com o filme A Mosca, a obra-prima do diretor David Cronenberg. Nos dois filmes, vemos a maneira degradante com a qual o ser humano se sujeita. Um outro filme que Distrito 9 pode ser relacionado é com a obra do diretor Alfonso Cuáron, Filhos da Esperança. Com temáticas bastante parecida, ambos os filmes se caracterizam também por terem filmagens com a câmera na mão, tendo por objetivo expressar ainda mais a realidade das cenas. É claro que em Distrito 9 isso fica muito mais em evidência. Nas cenas de ação, principalmente nos momentos finais, a filmagem se torna ainda mais “nervosa” e, de maneira interessante, completamente eficaz em conseguir captar com tamanha eficiência os movimentos dos personagens e detalhes que são pulsantes na tela pela intensidade e agilidade da narrativa.

Distrito 9 é uma ficção científica, acima de tudo, original. Desde o seu começo, traçando um falso documentário até se chegar no momento ficcional que a obra tem por característica. Além disso, é uma ficção científica despreocupada em nomear heróis. Existe sim uma particularidade em traçar o perfil dos personagens, seja ele humano ou alienígena (o que explica a amizade entre Wikus e Christopher). Chamando atenção para questões polêmicas como o tráfico de armas, a realidade das favelas no mundo, a desigualdade e o capitalismo feroz que consome a mente das pessoas e gera uma ganância desenfreada para se obter lucros a qualquer custo, Distrito 9 é um filme que se aproxima de uma outra realidade que ainda não tínhamos visto no gênero da ficção científica. Cortes secos de um quadro para o outro, câmeras sempre nas mãos e uma narrativa equilibrada e ágil, fazendo do filme produzido por Peter Jackson uma obra intensa do primeiro ao último minuto.

Cotação: ★★★★★

8 Comments

  1. Comment by rebecca:

    filme muitoo ruim .. horrivel !!

  2. Comment by Leandro:

    É uma verdadeira tortura suportar os primeiros 30 minutos de filme, mas depois vai ficando gradativamente mais divertido e, quando vc acha que realmente o dinheiro investido valeria a pena, o filme acaba.

  3. Comment by marcio:

    é, realmente é insuportavel assistir esse filme!!! na verdade nem deveria ser chamado de ficção cientifica, o filme não apresenta tecnologia!!! (só aqueles quadros virtuais, mas já existe fez tempo…).
    o filme começa no meio de uma historia(q não sabemos como começou, que motivos levaram ets a chegar terra?), a nave toda quebrada ainda voa! e o fim…. nem sei!

  4. Comment by Santiago.:

    Eu achei o filme extremamente elementar, se não fosse a temática, não sei o que seria dele. Recomendo que as pessoas o vejam em casa, ir ao cinema para vê-lo não será uma boa experiência, ainda mais quando vi nesse ano, Bastardos Inglórios. Nem boas perfomances consegui encontrar, como alguns festejam.

    Abraço.

  5. Comment by Marcos Ayala:

    O filme é muito bom, porque apresenta uma temática diferente, e foge daquela história de alienígenas dominando o mundo, os efeitos especiais são bastante convincentes e o roteiro é fantástico, já vi no cinema e vou assitir de novo para poder visualizar melhor cada detalhe. Para aqueles que não viram recomento ver na telona, porque o filme é realmente tudo aquilo que dizem por aí.
    Abraço!

  6. Comment by Kain:

    Filme extremamente foda, pessoal que nao curtiu foi porque nao teve capacidade pra compreender a essencia do filme. Na minha opinião muito melhor e infinitamente mais profundo que bastardos inglorios.

  7. Comment by Jerry Barkins:

    Peter Jackson created King Kong…his forward vision was quite astounding in the fiels of movie making.

  8. Comment by Juhverde:

    Eu não achei melhor que Bastardo Inglórios (filme muito bom *-*), mas eu gostei do filme “Distrito 9″, de como o protagonista Wikus, se tornou um dos alienigenas, ou seja, o feitiço virou contra o feiticeiro. Só não gostei do jeito meio parecido com um documentário, e as cameras que se mexiam demais.

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