Mad Men 2×04 - Three Sundays

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Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Three Sundays
Temporada: 02
Episódio: 04
Data de Exibição: 17/08/08
Emissora: AMC

Às vezes fico a me perguntar como uma série consegue ser tão genial. São aqueles momentos que, enquanto você assiste a um episódio, percebe que tudo se encaixa perfeitamente, com um roteiro altamente inteligente. Manter essa dinâmica entre uma temporada e outra é uma tarefa árdua, mas que é uma das características marcantes de Mad Men. Essa maneira confusa de tratar os seus personagens, de tratar a própria história, só comprova o seu jeito de querer soar diferente mas com responsabilidade, com bons desfechos e boas interpretações. No final da temporada passada, a história envolvendo a Peggy foi o que mais norteou o que poderia ser colocado no começo desse segundo ano. No entanto, fomos surpreendidos por um roteiro que nem sequer citou o acontecido.

Mas isso foi por pouco tempo. Nesses dois últimos episódios, a história esteve cada vez mais centralizada, juntamente com os problemas familiares que cada um dos seus personagens principais apresentam. No caso de Peggy, a sua maneira de fingir que nada aconteceu não causa repulsa apenas no telespectador, mas também este é um sentimento compartilhado pela sua irmã velha que, assim como o restante da família, é uma grande devota do Cristianismo e critica a maneira com a qual as pessoas encobertaram o que aconteceu com Peggy, para que ela pudesse continuar vivendo a sua vida sem dar importância para o que realmente tinha acontecido e os problemas gerados pelo seu comportamento.

A família de Don também está passando por problemas para educar os seus filhos. A maneira como Bets pretende educá-los contradiz com o pensamento do seu marido, que opta muito mais pela conversa e pelo bom diálogo do que partir para a agressão. Com esses fatos, aos poucos a série vai construindo o passado do seu principal personagem. Donald Draper teve uma infância conturbada; constantemente espancado pelo pai, por muitos momentos ele pensou em assassiná-lo, mas o destino preferiu que ele se desvencilhasse dessa pessoa e que ele se tornasse um dos publicitários mais bem-sucedidos na Madison Square. A sua opção em não querer bater em seu filho para educá-lo vem do seu passado, de não tomar os mesmos comportamentos do seu pai, pessoa esta que ele odiava.

Com tudo isso acontecendo, a Sterling Cooper estava passando pelo seu “Dia “D”. Depois de ter aceitado a conta da American Airlines, era hora de criar uma logomarca que pudesse atrair a clientela depois do acidente que aconteceu com a empresa áerea. Não apenas isso: era a oportunidade que eles tinham de impressionar os executivos da American Airlines e de entrarem de vez como uma agência importante, tendo um cliente que qualquer outra empresa gostaria de ter. O grande problema é que a pessoa que estava intermediando as negociações acabou sendo demitida e, agora, tudo virou uma bagunça e o futuro ficou ainda mais incerto. Mad Men é assim: a gente nunca sabe como o episódio vai terminar, muito menos imaginar como será o próximo. Mas estes segredos fazem parte da genialidade, tão esquecida nos dias atuais.

Cotação: ★★★★★

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Swingtown 1×11 - Get Down Tonight

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Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Get Down Tonight
Temporada: 01
Episódio: 11
Data de Exibição: 15/08/08
Emissora: CBS

Estava demorando para acontecer alguma coisa entre Susan e Roger. Depois do episódio anterior a este, sabíamos que era uma questão de tempo, uma questão de atitude e de afirmação dos sentimentos que eles sentiam. É bem verdade que Bruce até que tentou fazer alguma coisa para trazer a sua mulher para perto dele. Porém, a paixão é algo incontrolável e a gente nunca escolhe por quem se apaixonar. Roger, por exemplo, acabou se apaixonando logo pela mulher do seu melhor amigo. Decerto, não era uma coisa que ele queria mas as coisas acabaram acontecendo, desde aquele momento em que ele perdeu o seu emprego e encontrou em Susan o seu porto seguro para poder conversar sobre qualquer coisa.

Na verdade, muita coisa dessa paixão (até repentina) entre Roger e Susan vem muito da maneira como os seus parceiros se comportam. Janet, esposa de Roger, segue a linha tradicional das mulheres daquela época, mantendo os laços familiares sem deixar que eles se percam ou que sejam esquecidos. Com isso, ela acaba sofucando o seu marido, que não consegue ter nenhuma conversa além daquilo que eles já estão acostumados, sem contar as regras que são impostas por ela. Já no caso de Bruce, marido de Susan, segue a linha do pai durão. O tipo de homem que quer sempre que as coisas sejam do seu jeito e que ele está sempre certo. Por essa razão, Roger e Susan, talvez as duas pessoas com um pensamento mais avançado do que os seus parceiros, acabaram se aproximando por não terem agüentado mais o tipo de relacionamento familiar que estavam tendo em suas devidas casas.

Além dessa paixão entre Susan e Roger, o episódio também mostrou a mudança de papéis: a mulher indo trabalhar, enquanto o marido cuidando dos afazeres da casa. Foi isso que aconteceu a partir do momento em que Janet resolveu procurar um emprego para ajudar a sua família, mas principalmente o seu marido, Roger, que preferiu colocar um avental, fazer compras no supermercado e preparar o jantar. Swingtown, mesmo que aos poucos, sempre mostra algum tipo de transformação no jeito de ser desses personagens, ou seja, a maneira como a cultura foi mudando com o passar do tempo. Aquela história de que mulher nasceu para ser dona-de-casa, já não tinha mais tanto efeito. Entretanto, Janet tem que enfrentar uma forte resistência no mercado e chefes tarados no trabalho, que só contratavam mulheres para satisfazarem as suas vontades sexuais.

A aproximação entre Bruce e a sua filha também foi algo que o episódio procurou explorar, apesar de ter reservado pouco tempo para isso. Os esforços de Bruce para reaproximar a sua família não deram muito certo, mas ele notou que a sua filha se parece mais com ele do que se imaginava. A personalidade forte, a atitude em fazer as coisas certas e os valores que nunca são deixados de lado compõem a personalidade dos dois. Confesso que Swingtown não é uma grande série e está longe de se tornar uma. Porém, vale ressaltar que, em certos momentos, ela sabe como explorar a época em contraste com aquilo que os seus personagens estão vivenciando. Talvez este seja o grande mérito dessa série criada por Mike Kelley, que parece ainda ter alguma coisa para mostrar.

Cotação: ★★★☆☆

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Swingtown 1×10 - Running on Empty

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Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Running on Empty
Temporada: 01
Episódio: 10
Data de Exibição: 08/08/08
Emissora: CBS

Foi um episódio de reconciliações. Pelo menos, era pra ser. O que se viu foram mais problemas, mais indecisões e famílias que, antes eram tidas como um modelo, começaram a se disfuncionar por não terem suportado as conseqüências que uma prática como o swing pode causar. Eu sempre me perguntava quando a série começaria a utilizar estes problemas familiares provindos dos novos afazeres e das novas experiências que alguns personagens começaram a experimentar. Com o território preparado, Running on Empty trouxe estes questionamentos à tona.

Para unir a família novamente, Bruce sugere que eles passem um fim de semana juntos na cabana dos pais de Susan. Os problemas, a partir disso, estavam só começando. Primeiro, Laurie não queria viajar com os seus pais porque preferia ficar com Doug e aproveitar os dias com ele. Segundo, Susan e Bruce também tentam resolver as suas diferenças. O amor que parecia funcionar com o swing nas primeiras práticas, deu um jeito também de afastá-los um do outro e de criar possibilidades. Um possível romance entre Susan e Roger já vem sendo traçado há um certo tempo e parece que se tornou algo definitivo. A maneira como os dois conversam ao telefone, ou da forma como sentem saudade um do outro e as lembranças dos momentos que passaram juntos, só ajudam para comprovar a idéia de que eles estão apaixonados.

Do outro lado, Roger e Janet também estão tentando colocar as coisas nos lugares. O casal que não tinha nada de moderno, muito pelo contrário, se viram em situações diferentes daquelas que estavam acostumados, com todo o preconceito pela maneira com que Tom e Trina se relacionavam. Além disso, para suprir esses problemas Janet procura uma terapeuta que possa ajudar o seu marido a encontrar um emprego, mas isso é só um pretexto para que mais sentimentos venham à tona. Janet confessa a sua paixão por Tom que, quando fica sabendo, se mostra completamente surpreendido. E talvez esse afastamento entre Janet e Roger e a maneira como ela [Janet] controla as coisas e a sua pressão, fizeram com que o seu marido pudesse se apaixonar pela sua melhor amiga, enquanto que ela tenta agora achar um emprego para ajudar nas despesas da casa.

Acredito que Swingtown em alguns momentos perde o seu fôlego por não conseguir alavancar histórias, ou por ter jogado tudo o que eles tinham nos primeiros episódios. No entanto, vale ressaltar que existe uma qualidade muito interessante no tratamento dos seus personagens, na maneira como cada um foi mudando com o passar do tempo e ao longo dessa temporada. Olhando para trás, podemos em perceber, principalmente, em como Janet e Roger deixaram de ser o casal conservador, ou ainda em como Susan e Roger passando por uma transição inversa. E é dessa forma que, aos poucos, Swingtown vai chegando no seu clímax, isto é, naquilo que eles realmente querem mostrar ao seu telespectador.

Cotação: ★★★☆☆

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Mad Men 2×03 - The Benefactor

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Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: The Benefactor
Temporada: 02
Episódio: 03
Data de Exibição: 10/08/08
Emissora: AMC

The Benefactor foi o episódio mais fraco exibido até o momento. Poucas coisas foram mostradas e a história não teve nenhum avanço, apesar da série não seguir um roteiro bem definido. Digo isso porque não fica claro exatamente qual o rumo que o episódio vai tomar, principalmente porque o final é sempre muito categórico e sem expectativa alguma para o próximo. Mas foi assim que Mad Men alcançou o seu sucesso, logo, não seria agora que os roteiristas mudariam alguma coisa no formato. Por mais que se pense nessa lentidão como a sua principal característica, a série invoca um lado muito profundo nos seus personagens. Na verdade, Mad Men se trata mesmo dessas transformações que foram gerando no comportamento das pessoas com o passar dos anos e isso tem ficado cada vez mais claro.

A ambição, por exemplo, é um dos sentimentos que mais moveram os homens nessa época. Quando uma correspondência bancária de Kenneth Cosgrove (um dos chefes da Sterling Cooper) chega, acidentalmente, às mãos de Harry Crane, a sua ambição em querer algo mais sobe para a sua cabeça. Ele descobre que nenhuma outra pessoa dentro da agência ganha mais que Kenneth e que, por isso, ele merecia receber um aumento pelo trabalho que ele desempenha. Para conseguir tal feito, Harry arruma um programa de televisão que fora desprezado pelas emissoras, principalmente a CBS, e tem a brilhante idéia de montar uma rede de televisão na Sterling Cooper para expandir os negócios da agência. A idéia gerou um aumento interessante no seu salário, além de anunciar o que estava por vir: a publicidade estava começando a engatinhar na televisão.

Em relação a Donald Draper, pouco se viu. Mais uma vez, Mad Men captou a maneira como os homens traem as suas mulheres, sem nenhum medo. Enquanto isso, Betty já não consegue fazer o mesmo apesar das investidas de um pretendente no clube onde ela cavalga. Mas é óbvio que sabemos que existe todo um jogo por trás das ações e intenções de Don. Ele não transaria com uma mulher se não tivesse por trás um objetivo definido. Essa é a sua forma de manipular as pessoas a fazerem o que ele quer e, assim, conseguir aquilo que deseja: poder e prestígio. E mesmo quando está em situações inversas, ele dá um jeito de fazer com que tudo dê certo à sua maneira.

Como venho dizendo, Mad Men é uma série que vai atingindo o seu clímax aos poucos. Não adianta assistir a um episódio com a expectativa de que teremos fatos a serem revelados, ou coisas do tipo. Só que o mais interessante dessa série é a maneira como ela conduz esse mundo publicitário. A manipulação, ambição e todo o jogo necessário que essas pessoas fazem para conseguirem o que querem estão ali, mas tudo devidamente escondido e implícito. E quando ela mostra as facetas de outros personagens, não apenas de Donald Draper, vemos que todos são iguais e que possuem os seus interesses particulares.

Cotação: ★★★☆☆

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Mad Men 2×02 - Flight 1

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Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Flight 1
Temporada: 02
Episódio: 02
Data de Exibição: 03/08/2008
Emissora: AMC

Mais um excelente episódio de Mad Men. Alguns pontos da temporada e que haviam sido deixado de lados na season premiere começaram aparecer, sempre aos poucos, o que representa uma característica marcante da série. O bebê de Peggy, por exemplo, que nem ouvimos nada a respeito no início dessa segunda temporada, finalmente apareceu quando ela foi visitar a sua família. Mesmo tentando fugir da responsabilidade de ser mãe e apesar de fingir que nada aconteceu, é notável em algumas cenas observar que ela se importa mas, obviamente, não deixa isso claro para ninguém dentro da agência onde trabalha. De qualquer maneira, ela está passando por um processo de aceitação, não apenas de ser mãe, mas também das práticas religiosas da sua família.

Enquanto isso, a Sterling Cooper está movimentada. No episódio passado vimos a equipe de Donald Draper tentando criar uma logomarca para a Mohawk Linhas Aéreas. Em Flight 1, um terrível acidente com a American Airlines mata 100 passageiros e cria uma instabilidade muito forte dentro da agência. Os acionistas querem eliminar a conta da Mohawk e assinar com a poderosa American Airlines. Mas eles enfrentam uma resistência muito forte de Don, que é totalmente contra a substituição que eles querem fazer. Mas a Sterling Cooper estava realmente decidida e contou com a ajuda de Pete, que mesmo perdendo o seu pai que está entre os passageiros do vôo, não deixou de apoiar e de acirrar ainda mais a disputa entre ele e Donald Draper, uma concorrência que já vem desde a primeira temporada.

Com toda essa virada de mesa, começamos a perceber o que de fato é a Publicidade. A decisão da Sterling Cooper em recuperar a American Airlines e a confiança dos seus acionistas, mostra que eles estão preocupados em ter um cliente muito forte e que dará riquezas e crédito para a agência. Do outro lado, Don mostra um lado mais humano da Publicidade ao tentar respeitar os acordos que foram feitos quando a Sterling Cooper e a Mohawk Linhas Aéreas assinaram um contrato. Mas esta “humanização” da Publicidade é um romantismo, por assim dizer, que não cola na série e nem nos dias atuais, onde a concorrência e a individualidade estão cada vez mais em evidência.

E, nessa história, quem saiu perdendo mesmo foi Donald Draper. A confiança que ele possuía com todos os clientes por ser cumprir a sua palavra, foi completamente desfigurada pelo jogo de poder da sua própria agência. E Don já vinha enfrentando problemas, basta lembrar que no episódio passado ele foi pressionado para contratar novas pessoas para a sua equipe de criação. Com este fato e com a sua discordância em relação à conta da American Airlines, quem acaba surgindo com uma pessoa forte dentro da agência é Pete, na tentativa de mostrar aos acionistas que podem confiar nele e no sue potencial de persuasão para que os clientes possam assinar um contrato com Sterling Cooper. Um verdadeiro jogo, onde apenas o mais esperto pode se sair vencedor. É assim que funciona o mundo da Publicidade e Mad Men sabe explorar muito bem isso.

Cotação: ★★★★★

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