Um gênero que não assusta mais

Cinema, Opinião do Editor 1 Comentário »

Antes mesmo de gostar apenas de dramas, eu era fascinado por suspense/terror. Lembro de ter visto várias vezes Lenda Urbana, até mesmo o Eu Sei o que Vocês fizeram no verão passado. Com o tempo comecei a procurar algumas coisas antigas, foi aí que me deparei com Alfred Hitchock. Minha vida já não era mais a mesma. O que dizer de Um Corpo que Cai? Ou, ainda, o grande clássico Psicose com a cena ainda mais clássica do chuveiro? O mestre do terror era fascinante e ele conseguia se reinventar, inclusive mesclar outros elementos com o suspense que faziam com que qualquer espectador pudesse vibrar com o filme, pudesse ser surpreendido.

Nesta semana procurei dar uma chance à Fear Itself, nova série de terror da NBC para esta midseason. O programa conta com episódios isolados e por isso não tem uma narrativa fixa. A cada semana uma nova história é apresentada, com novos personagens. Os capítulos são escritos e dirigidos pelos “mestres do terror” que são considerados atualmente. Fico a pensar: como eles podem dar um título como este a pessoas que não têm a mínima ousadia em ser diferente? E depois a minha imaginação parte completamente para a obra de Hitchock e imagino como este deve estar se remexendo no túmulo.

Fear Itself tem graves problemas de roteiro, algo que já ficou muito claro nos filmes do gênero atualmente. Como os episódios são isolados uns dos outros, sobra muito pouco tempo para desenvolver os personagens, as histórias. Parece que, enquanto o capítulo vai passando, só ficamos mais perdidos com o que está sendo contado porque nada faz sentido. O roteiro começa a jogar muitos fatos e, obviamente, sem dar nenhuma explicação para o que acontece. Tudo isso porque o tempo é pequeno para eles se preocuparem com a história, por isso a ação acaba sendo a parte favorita desses diretores e roteiristas. Os elementos do gênero também são explorados, mas o besteirol é muito maior do que qualquer outra coisa.

Eu tenho dito que o grande problemas dessas produções atualmente são as continuações e a tentativa de ganhar dinheiro. Claro, o cinema é algo mercadológico, assim como tudo nesta vida. Quando lançaram Jogos Mortais, por exemplo, foi um tremendo sucesso porque, naquele instante, foi um longa que conseguiu soar diferente e assustador ao mesmo tempo. Não era um filme apenas para dar sustos, mas tinha um roteiro altamente inteligente por trás. Depois vieram as continuações e a franquia se perdeu completamente na própria inteligência em constituir uma história tão boa no primeiro filme. A mesma coisa aconteceu também com Eu Ainda Sei…, Lenda Urbana 2 e outros que foram lançados.

Os remakes também nunca dão certo. Gus Van Sant é um exemplo disso. Ele deveria apagar a refilmagem que ele fez de Psicose da sua filmografia. E ele é um diretor extremamente competente e isso está comprovado nos filmes Últimos Dias, Paranoid Park e Elephant. No ano passado foi a vez de regravarem A Morte Pede Carona e o resultado: um desastre. Só valeu mesmo porque tinha a maravilhosa Sophia Bush no elenco. E esta tem sido a grande aposta do gênero: investir cada vez mais em mulheres gostosas para atrair o público. O que dizer, então, de Captivity estrelado por Elisha Cuthbert (24 horas). O filme não tinha história alguma, mas bastava colocá-la tirando a roupa para que fosse adquirida atenção. Veja bem, eu não estou reclamando do formato, mas acredito que o gênero é bem maior do que isso. Na verdade, essa história, dizem os especialistas, se enquadram em sub-gênero: o torture porn. Fica a pergunta: até quando eles vão continuar criando gêneros para incluir as besteiras que eles mesmos fazem?

Assistir a um bom filme de terror hoje é algo realmente difícil. O último que consegui ver foi 30 Dias de Noite. A própria atmosfera do filme deu conta de transmitir o suspense. Como foi baseado numa história em quadrinhos, o trabalho ficou facilitado porque eles não tiveram que criar uma história, mas sim adaptar. Assim, o resultado não foi tão ruim como se esperava. O que nos resta é continuar relembrando clássicos como O Iluminado dirigido por Stanley Kubrick, Carrie: A Estranha, O Exorcista. Para ser um pouco mais contemporâneo, dá pra citar O Exorcismo de Emily Rose que, nos últimos anos, é o único que salva da mediocridade.

E mesmo quando se lança obras que realmente resgatam os elementos do suspense/terror, como foi o filme Possuídos de William Friedkin, a crítica pouco dá valor e prefere continuar comentando dessas porcarias que hoje são lançadas. Possuídos foi um filme que passou despercebido pelo Brasil. Pouco se comentou que o diretor de um clássico, como O Exorcista, tinha conseguido novamente criar uma história inteligente e assustadora ao mesmo tempo. A verdade é que o gênero está entregue nas mãos de pessoas que se consideram “mestres”, sem ao menos saberem o que realmente significa ser um.

A imagem que ilustra esta postagem é de uma cena do filme O Exorcista (1973), dirigido por William Friedkin.

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O final de temporada de In Treatment

Opinião do Editor 1 Comentário »

Foram 43 episódios! A cada semana ficavámos ainda mais íntimos daqueles pacientes e também do Dr. Paul Weston. Durante as nove semanas pudemos perceber a evolução na terapia de alguns personagens, mas também dos problemas enfrentados por Paul que foram se acumulando ao longo da temporada. Além de ouvir os problemas dos seus pacientes e de tentar fazer com que estes pudessem entender e achar uma solução, Paul também tentava entender os seus próprios questionamentos se tratando com a sua mentora Gina. E vimos que algumas feridas foram reabertas pelos dois, principalmente pela maneira com que cada um enxerga a Psicologia e as teorias que a compõem. No entanto, In Treatment soube conduzir a temporada de maneira eficaz e intensa. Decerto, o final de alguns personagens acabaram por não corresponder as expectativas deste blogueiro. Por outro lado, a resolução de alguns quesitos me surpreenderam e a série deve continuar com essa ousadia na 2ª temporada, prevista para estrear em 2009. Portanto, vamos ao que aconteceu com cada personagem:

Laura: Paul teve muitas dificuldades para conduzir a terapia de Laura, principalmente porque viu se apaixonar por ela. Durante um ano ele tentou entender os motivos que levam à Laura a usar o sexo como forma de escapar da realidade. Paul estava com medo de se tornar mais uma pessoa no círculo sexual de Laura e ela estava com medo de não corresponder às expectativas do seu terapeuta. Dr. Weston tentou parar a terapia, mas Laura queria continuar as sessões porque ela ainda não se sentia preparada para se separar do seu mentor, do seu amor. Mas Paul também não estava preparado e por mais que ele não quisesse aceitar a idéia, o seu envolvimento com ela era só uma questão de tempo e Gina fez ele perceber que ele poderia amar quem quisesse. Paul tentou, mas na hora “h”, ele não conseguiu. Enquanto que Laura, para ele, conseguiu evoluir a sua terapia e chegou em um ponto que ela não dependia mais dos homens, se tornando uma mulher um pouco mais independente.

Alex: Foi um final trágico. Nem eu mesmo esperava que isso pudesse acontecer. Este, talvez, foi um dos personagens que mais Paul teve problemas. Piloto da Marinha, ele foi para terapia depois de ter jogado uma bomba e matado um grande número de crianças. Depois veio a separação com a sua esposa, o seu envolvimento com Laura e o retorno à Marinha como instrutor. Ele demonstrava estar feliz com o retorno, mas Paul sabia que ainda tinham muitas questões a serem tratadas, principalmente pela infância conturbada que ele teve. Alex, assim como o seu pai, era uma pessoa durona e que não se entregava, típica personalidade de um Soldado. Paul tentava fazer com que Alex pudesse compreender o que estava acontecendo com ele, as vertigens que ele tinha, os pesadelos e todo o resto que o atormentava. A morte de Alex pegou Paul de surpresa e acredito que a todos os telespectadores que acompanharam a temporada. A forma trágica com que as coisas aconteceram, levaram Paul a repensar as teorias que ele se utiliza no seu processo terapêutico e a rever também a forma com que as pessoas e os psicólogos encaram a Psicologia.

Sophie: Aqui está o personagem mais carismático dessa temporada. Torcemos, a todo instante, por um final feliz para Sophie. E ela teve. Porém, o processo foi doloroso e o trabalho de Paul foi realmente muito difícil, mas deve ter sido maravilhoso pensar que ele conseguiu fazer o seu trabalho, principalmente no final quando ele olha pela janela do seu escritório a felicidade que ela estava sentindo, mas também a maturidade que ela adquiriu e o poder de decisão que ela obteve, tanto com a sua mãe quanto com o seu pai, principalmente com este último. Sophie, por ser uma ginasta, sempre sofreu muita pressão. A soma disso com mais os problemas familiares, fizeram com que ela tentasse suicídio. Paul também se utilizou, não apenas de teorias, mas do seu carisma para fazer com que Sophie pudesse acreditar em si mesma. E ele conseguiu. Sophie começou a entender a relação de julgamento que ela tinha com a sua mãe e o porquê dela defender tanto o seu pai, mesmo este estando longe e não se preocupando com ela. E foi nestas sessões que a série mostrou que a Psicologia e a terapia não são feitas apenas de processos teóricos, mas que a relação de afeto e carinho entre o paciente e terapeuta são de extrema importância para que, além do respeito, haja uma confiança entre os dois e naquilo que está sendo falado nas sessões. Sophie, no final, se mostrou uma garota forte e pronta para alcançar os seus objetivos;

Jake e Amy: Já com estes personagens, Paul não apresentou tanta evolução como se era esperado. O casal Jake e Amy nunca conseguiram se entender, mesmo durante os dois meses de terapia em que o Dr. Weston tentava traçar o perfil dos dois aliado ao momento que eles estavam vivendo. Para Jake, as sessões de terapia, com o tempo, foram responsáveis pela trégua entre os dois, pelo menos enquanto estavam naquela sala. Amy já pensa o contrário e não viu muitas evoluções no processo. Para ela, tudo só piorou com a terapia. Paul tentou fazer de tudo para que eles não se separassem, desde a infância de cada um até o elo que ligam os dois hoje, o filho Lenny. Mesmo assim, Paul conseguiu com que cada um pudesse abrir o seu coração em certos momentos. Jake chegou a dizer que só havia se apaixonado por Amy em toda a sua vida. Mas tudo isso sempre se esbarrava nas confusões da sua esposa, por ela não saber o que queria da vida, pelas suas indecisões. Paul tentou, mas acredito que não tenha sido em vão, porque ambos conseguiram compreender que eles são melhores separados do que juntos. E o mais importante: essa foi uma decisão que partiu dos dois e não do terapeuta.

Paul e Gina: Com tantos problemas, tanto na sua vida profissional quanto na sua vida pessoal, Paul tinha que descarregar tudo isso. Ele precisava conversar com alguém que poderia fazê-lo compreender o que estava acontecendo. Para isso ele foi se consultar com a sua mentora Gina. As sessões entre os dois sempre foram muito carregadas de emoção, intensidade e de muito drama. Paul sempre questionou os métodos de Gina como psicóloga. Enquanto que Gina acreditava que Paul estava cada vez mais perto de se tornar como o seu pai, algo que ele sempre teve medo de acontecer. Paul, como terapeuta, era uma pessoa brilhante. Ele sabia conduzir as suas sessões de maneira perfeita, sempre mantendo a calma. E quando parecia que as coisas estavam saindo de seu controle, ele não se preocupava e continuava mantendo o seu ritmo. Mas quando ele se consultava com Gina, víamos uma pessoa completamente diferente. Ele se revela como um homem confuso, cheio de dúvidas sobre os seus pacientes e sobre a sua própria vida. Quando ele descobre, por exemplo, que a sua mulher estava tendo um caso, é como se ele estivesse vendo o seu mundo desmoronar, um mundo que ele demorou para construir. E quando a sua esposa e ele vão se consultar com Gina para uma terapia de casal, as verdades começam a vir à tona e Gina, talvez ainda mais brilhante que Paul, sabe se impôr aos comentários analíticos de Paul.

Conclusões Finais

In Treatment foi uma das melhores estréias esse ano. E falo isso pela maneira com que ela retratou estes personagens, com que ela foi, pouco a pouco, construindo uma personalidade para eles. O mais importante tudo foi o processo de humanização do seu terapeuta, Paul Weston. A série deixou de transformá-lo numa pessoa inatingível e possivelmente sem problemas, para um ser ainda mais humano que também enfrenta questões pessoais, que também busca entender questões que o perturba.

Durante os 20 e poucos minutos de duração de cada episódio, In Treatment se mostrou uma série fantástica, com textos e diálogos inteligentes e com problemas que são comuns em nosso cotidiano e que pode acontecer com qualquer pessoa. Talvez alguém tenha se identificado com a história de um certo personagem e a série consegue obter este sucesso. Laços teóricos, emocionais, seja qual for o processo terapêutico, o importante é dizer que In Treatment é uma série genial.

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O mais irreverente dos 70’s show

Opinião do Editor, Swingtown 1 Comentário »

A midseason sempre nos reserva bons programas, o que acaba sendo uma alternativa às séries que entraram de férias e que só devem entre os meses de agosto e setembro. Normalmente as emissoras americanas conseguem investir bastante nesse meio do ano, como é o caso da rede ABC Family que tem, na grande maioria da sua grade, seriados que sempre estream nesta época. No entanto, quem tem roubado mesmo a cena é a CBS com a série Swingtown, que tem conseguido chamar atenção pela construção de um tema polêmico e pela recriação da década de 70.

O período da década de 70 foi extremamente conturbado, mas a música foi a expressão que mais se sobressaiu, assim como a mudança de comportamento das pessoas. O classic rock teve o seu surgimento e por essa razão os anos 70 também é chamado de “a década da discoteca”, devido ao surgimento da dance music e todos aqueles bailes que agitavam as boates de todo o mundo. Grupos como Pink Floyd, Genesis, Jethro Tull, dentre outros, foram de grande importância para a incorporação de anos tão significativos e de uma evolução musical muito importante. O glamour visual que começou com David Bowie também marcou uma década em que as pessoas seguiam uma moda que, nos tempos atuais, é simplesmente chamada de “brega”. A força de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, ainda ajudaram a criar uma tensão muito mais forte para o rock e influenciando as gerações seguintes, assim como Sex Pistols, Ramones, The Clash e tantos outros conjuntos musicais que marcaram época.

É dentro desse círculo que se desenvolve a série Swingtown, considerada como uma das grandes promessas do canal CBS para esquentar essa midseason. A história gira em torno dos casais Susan e Bruce, Tom e Trina. Os dois primeiros acabaram de se mudar para uma vizinhaça no subúrbio de Chicago, onde os residentes praticam o swing. E essa premissa não poderia se passar em uma década melhor, visto que os anos 70 tem toda a ousadia e a irreverência que um tema como este necessita. Por essa razão, a série não tem a intenção de retratar como nenhum romantismo a idéia, mas sim tentanto recriar uma realidade. E isso fica claro na parte técnica do programa. É impressionante como as construções são realmente idênticas às da época, assim como os carros, as rodovias, o figurino, os costumes dos personagens e tantas outras características marcantes da série.

Além disso, a série tá sabendo construir muito bem os seus personagens. Assim que assisti o episódio Pilot, resolvi não traçar muitos comentários positivos para não ser surpreendido no capítulo seguinte. Porém, Swingtown continou muito bem a história mostrando as conseqüências dos atos que foram explorados na sua estréia e a reação dos casais. Trina e Tom são os que conduzem Susan e Bruce para a nova prática com a intenção de levantar o astral do relacionamento entre os dois, que estava um pouco frio até por conta do tempo que estão juntos e dos dois filhos que tiveram. Susan e Bruce, com a ajuda de Tom e Trina, encontram no swing uma forma de continuar vivendo o amor. E me parece que esse tipo de recriação é a melhor possível, não apenas criando um fato sem um mero significado. A série tem o objetivo de transmitir que o relacionamento aberto pode ser uma saída para os problemas que muitos casais enfrentam como, por exemplo, os ciúmes, as desconfianças e o medo do outro encontrar uma outra pessoa.

Mesmo assim, o que realmente exalta a qualidade de Swingtown é a sua trilha sonora. Contagiante como a década foi, até agora foi o que de melhor a série se preocupou em mostrar, revivendo grandes clássicos da música como Johnny Cash, Rolling Stones, Bob Dylan. Assim como músicas de extremo sucesso, entre elas estão “Radar Love”, “Machine Gun”, “I Can See Clearly Now” e tantas outras belas canções. E acho imensamente importante esse resgate que a série tem feito, o que acaba sendo uma oportunidade para aqueles que não viveram nesta década de, pelo menos, ouvir e sentir o que foram aqueles anos de drogas, sexo e muito rock n’ roll, além da busca pela aceitação das mulheres o que acabou gerando os movimentos feministas que se iniciaram mais tarde.

Ainda é muito cedo para se avaliar Swingtown porque foram apenas dois episódios exibidos, mas é impossível não dizer que a série já conseguiu obter um tremendo destaque, seja com a trilha sonora maravilhosa ou com o tratamento de um tema tão polêmico e sensual. Mas não pense que o programa é cheio de sexo, porque ele não é. Se você está pensando em assistir por este motivo, a série não vai responder às suas expectativas. Mesmo sem as cenas que poderiam conter, Swingtown tem conseguido criar personagens que são tão contagiantes quanto a sua trilha sonora e que, acima de tudo, atores que possuem “a cara dos anos 70.”

Dica: Vocês podem acessar o link http://www.lastfm.com.br/group/swingtown para ouvir as músicas que são tocadas nos episódios da série.

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Os casais apaixonantes das séries

Opinião do Editor 3 Comentários »

Bem, eu sei que o Dia dos Namorados já passou, mas não custa nada prorrogar a comemoração. Eu estava para escrever este artigo desde o começo dessa semana, mas não encontrei tempo hábil para fazê-lo. De qualquer maneira, o que seria das nossas maravilhosas séries se elas não tivessem os casais para nos fazer emocionar e, de vez em quando, nos fazer acreditar que o amor realmente existe em algum lugar nos corações dos seres humanos e que ele pode ser correspondido?

Para começar essa demonstração de amor, o que falar do casal Haley James e Nathan Scott? Na verdade, One Tree Hill é uma série fantástica para a formação de relacionamentos. Dois chamam atenção: o já citado e, obviamente, Lucas Scott e Brooke Davis. Alguns podem acreditar que o casal mesmo da série atende por Lucas e Peyton, mas nada disso. O grande problema deles dois é a falta de química em cena, algo que é essencial para que se transmita, mesmo que seja superficial, uma dramaticidade suficiente para nos fazer acreditar nas palavras que ambos dizem. Isso é algo que definitivamente não acontece entre Lucas e Peyton, o que sobra em Nathan/Haley e Lucas/Brooke. Ambos conseguem causar impacto nas cenas, principalmente na terceira temporada, em que todos estavam tentando se amarem novamente. Prova disso foi o episódio How Ressurrection Feels, que tem umas das edições mais dramáticas para mostrar a reconciliação dos casais.

No entanto, tem aqueles que parece que não vai dar nada e que não gostamos no primeiro momento, mas que depois começam a nos empolgar. É o caso de Blair e Chuck em Gossip Girl. São dois personagens que se completam, porque estão sempre unindo forças para não deixar de serem populares e foi isso que acabou ligando eles. Quem poderia imaginar que uma pessoa como o Chuck Bass poderia se apaixonar? Certo, pode ser tudo uma mentira, mas quem pode afirmar que é? Acho interessante como a série mostra os dois personagens, porque eles estavam, no início, sempre armando contra os outros, sendo aqueles vilões clichês. E depois os dois cresceram de uma maneira positiva dentro da série e acabaram roubando a cena quando os holofotes estavam todos direcionados para Serena e Dan, que não demonstram ser um casal que nos possa fazer acreditar em nenhum sentimento verdadeiro.

Tem os casais divertidos também, como Monica e Chandler. Um relacionamento improvável, eu diria, mas que acabou criando momentos e cenas clássicas dentro de Friends. O romance principal estava em Rachel e Ross, mas eles dois conseguiram uma química que nunca poderia ser imaginada pelas primeiras temporadas. E isso acabou criando mais cenas bacanas dentro de uma série que, para mim, é uma das melhores de toda a história da tevê americana. Sem contar que tem também o romance entre Hank Moody e Karen van der Beek da série Californication. Os dois já foram casados, tiveram uma filha e agora Hank decidiu por curtir a sua vida de solteiro, enquanto que Karen fazia planos para se casar com um outro homem. Ainda assim, o interessante da série é ver que, mesmo Hank sendo um adepto do “carpe diem” e Karen aparentemente apaixonada por outro, a série sempre os coloca frente-a-frente para resolver os conflitos do passado, arestas que não foram consertadas e que são responsáveis pela intensa atração entre os dois.

E os casais que mais nos impressionam normalmente aparecem em dramas teens, mas ele também surge em séries médicas, como é o caso de Dr. House e Dra. Cuddy. Apesar de não serem propriamente um casal, é inegável o fato de que rola uma química muito interessante entre os dois, o que poderia render uma boa história para a série. Acredito mesmo que os roteiristas estão procastinando esse fato, que deve acontecer em alguma hora. Os dois podem sempre brigar pelos seus interesses, mas é visível que as brigas fazem parte de algo maior.

E o que dizer, então, de Seth Cohen e Summer Roberts? Seth, o nerd isolado de Orange County, apaixonado por uma das mulheres mais populares do lugar. The O.C soube conduzir muito bem a história dos dois, ao contrário do que fizeram com Marissa e Ryan. Outra série que tem criado um casal interessante é Friday Night Lights, ao explorar um fato improvável: uma mulher gata como Tyra namorando um nerd como Landry. Alguns podem reclamar que a maneira como os dois se uniram foi meio forçado, mas eles conseguem também expressar sentimentos fortes na tela, o que é muito importante.

Tenho certeza que eu poderia ter citado outros casais maravilhosos que já foram mostrados nas séries, mas o artigo não tem o interesse em fazer isso, mas sim de relembrar a importância do amor, da paixão, dos sentimentos verdadeiros, dos momentos inesquecíveis que esses personagens compartilharam conosco, telespectadores. O Amor, acredite ou não, é o sentimento mais Belo que existe, por isso existe uma data especial para ser comemorada. Pena que ele machuca tanto…

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O descaso com os fãs de séries

Opinião do Editor, Seriados 10 Comentários »

Acredito que qualquer pessoa viciada nesse mundo de séries, deva também ser viciada em comprar DVDs e fica bastante atento aos lançamentos que são programados para o mês e tudo mais. Este blogueiro, como um eterno viciado, acompanha tudo isso, sejam os catálogos, as promoções, os próximos lançamentos. Sempre procuro ficar atento para que eu veja a minha estante ficar cada vez mais “gordinha”. É loucura mesmo, coisas que só um colecionador pode entender. Afinal, temos várias particularidades que nos diferenciam de outras pessoas e tenho esse hábito de colecionar DVDs. Alguns dizem que irei montar uma locadora aqui em casa qualquer dia desse, vamos ver. Por enquanto, eu funciono como uma locadora mas ainda não cobro pela locação.

No entanto, este artigo não é para falar do meu vício em cobrar boxes das séries que amamos, mas sim, trazer o descaso que as distribuidoras vem tendo com os DVDs, não só de séries, mas também de filmes. Eu estava conversando na semana passada com a Gisele Ramos por MSN, editora do Blog NaTv, e falávamos sobre a demora em lançar alguns boxes aqui no Brasil e o não-lançamento de outros. Foi assim que chegamos a falar de Veronica Mars, talvez um dos programas mais inteligentes já feitos pela Warner e UPN, atual CW. A série ficou no ar por três temporadas e conquistou um público fiel. E quando digo “fiel”, é que a audiência não era das melhores, mas possuía um telespectador diferenciado haja vista que quando o programa foi ao ar pela primeira vez, a Warner investia bastante em dramas teens e, obviamente, em Smallville.

E o que dizer, por exemplo, dos boxes de The West Wing? A Warner lançou os DVDs de todas as temporadas, menos da última. Dá pra entender uma marmelada dessa? Sem contar que os boxes estão ficando cada vez mais finos e mal-feitos. Quando comprei as temporadas de Friends, esperava que teria uma produção mais caprichada, afinal de contas, foi uma das séries mais vistas e uma das que mais durou na televisão americana. A verdade é que eu me deparei com duas caixinhas de DVDs, onde continham quatro discos sobrepostos. E assim também foi o box da 2ª temporada de One Tree Hill, que tinha um formato completamente diferente quando ela foi lançada originalmente, com três capas e dois discos apenas em cada uma. O primeiro ano de The O.C também foi lançado dessa maneira, mas depois entrou na mesmice de Friends e de tantas outras que estão sendo comercializadas.

Outro dia entrei em contato com a central de atendimento da Warner, procurando informações sobre uma possível data de lançamento dos DVDs da terceira temporada de One Tree Hill. A atendente me disse que a série não constava em um catálogo, apenas disponibilizado para o call center. Atualmente, a série terminou a quinta temporada, já foi renovada para uma sexta e ainda nem temos o box da terceira. Que beleza! Sem contar, mencionando novamente, o descaso com os fãs de Veronica Mars, que até hoje esperam pelos DVDs. Com isso, somos obrigados a ver milhares de promoções feitas para séries como Smallville, por exemplo, que enchem os bolsos da Warner com o número muito grande de pessoas que veneram uma série que se tornou, no mínimo, ridícula.

E essas mesmas distribuidoras ainda ficam por aí resmugando que a Internet é uma ferramente prejudicial, que os sites de legendas dão prejuízo e que contribuem com a pirataria e tantas outras asneiras que somente esses executivos sabem falar. Sabem o que eles são? Um bando de velhos que ficam sentados na cadeira, dando ordens e com pensamentos ultrapassados. São verdadeiros magnatas que detém todo o poder de uma indústria em suas mãos assim como o divertimento de pessoas fanáticas e viciadas. Ainda assim, a luta continua. Se o ditado diz que a “esperança é a última que morre”, então vamos continuar focados nesse sentimento.

O texto publicado pela Gisele Ramos pode ser lido clicando aqui.

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