O saldo da midseason

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Para os amantes de seriados, a midseason é um terror por não ter praticamente série nenhuma em exibição e, quanto tem, a qualidade não é das melhores. Por outro lado, essa fase da tevê norte-americana também pode servir de ajuda para colocar episódios em dia e aproveitar para assistir coisas antigas e que você nunca teve oportunidade de ver antes. No entanto, dessa vez eu resolvi acompanhar a midseason apesar de ter algumas séries pendentes como, por exemplo, The West Wing, Six Feet Under, The Sopranos e mais algumas outras.

Resolvi dar uma pausa nesses programas para assistir algumas coisas novas, mas o saldo não foi dos melhores. A midseason começou basicamente com Swingtown, série que se passa no subúrbio da cidade de Chicago, onde os seus moradores praticam o swing no auge dos anos 70. Trilha sonora bem característica e um elenco encabeçado por Molly Parker, além do tema polêmico atraíram telespectadores nos primeiros episódios. Porém, com o tempo o público foi desistindo da história porque a série não conseguia sair do lugar. Era fato que um programa com uma temática como essa e sendo transmitindo numa emissora de canal aberto (CBS) não iria dar muito certo, tanto que agora a CBS está procurando algum canal pago para comprar o show.

As limitações de Swingtown em não poder mostrar além do comum era algo que não incomodava apenas o seu público, mas os próprios executivos da série. Ela começou a mudar o seu formato a partir do momento em que resolveu explorar mais os fatos históricos dessa década, sendo esta a forma mais inteligente que ela tinha de fugir da normalidade. A midseason, assim, continou com a série In Plain Sight, que também não vingou apesar de já ter sido renovado pelo canal USA. A história de uma detetive durona e que trabalha na proteção de testemunhas não fugiu sequer dos estereótipos criados pelo gênero, nos entregando um programa sem fundamento algum.

Mas o desastre ainda estava chegando. Quando a NBC lançou Fear Itself, colocando supostos “mestres do terror” na direção dos episódios a midseason desandou de vez. Sem ter personagens e/ou histórias fixas, Fear Itself a cada semana nos apresentava novos roteiros (também escritos pelos supostos “mestres do terror”) que beiravam o ridículo. Mais preocupados com a ação e o suspense (que, na verdade, não existiam), a série se perdia na tentativa de criar personagens, histórias, cenários. O programa só serviu para comprovar que o gênero do suspense/terror está cada vez mais decadente nas mãos dessas pessoas tidas como “mestres”. Será que eles assistiram filmes do Hitchock? E do Friedkin, será?

Por outro lado, tivemos boas surpresas. A produção canadense Flashpoint foi uma delas. Estrelada por Enrico Colantoni (ex Keith Mars na série Veronica Mars), a série mostrou uma qualidade que é pouco vista na televisão. A parceria entre a CTV e a CBS criou a possibilidade de se utilizar mais dinheiro que o normal. A história também era consistente ao mostrar o cotidiano de um grupo especiais da polícia (estilo o BOPE) que é responsável por resolver casos que a polícia comum não é capaz de solucionar. Nos primeiros episódios, Flashpoint conseguiu explorar boas histórias mas, aos poucos, foi se afundando no seu próprio roteiro, que tinha a proposta de ter plots independentes.

Aproveitando o sucesso de crítica e de público que foi o filme Juno, o canal fechado ABC Family lançou The Secret Life of the American Teenager que também mostra os problemas da gravidez de Amy Juergens, além de ter um enfoque voltado para o seu grupo de amigos e a vida que pessoas da sua idade se costuma levar no colégio. A primeira impressão que a série passou foi de preservar certas características que ajudaram a construir o drama teen. Por essa razão, a série tinha um visual anos 80 bem caracterizado com o intuito de utilizar este meio para resgatar os fãs antigos, além de conquistar o público novo que estava entusiasmado com Juno.

Normalmente, a midseason sempre é uma época em que boas séries são exibidas. Pelo menos foi assim nos anos anteriores. Para mim, este foi o pior ano até agora desde o tempo em que acompanho a exibição americana. Apesar da boa vontade dos seus criadores e de até alguns episódios interessantes, a midseason não conseguiu suprir a ausência das séries que estamos acostumados a ver na fall season, que começa oficialmente no dia 1° de Setembro. Antes eu tivesse colocado meus episódios em dia…

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Parabéns Fox

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O que a Fox nos deixar de fazer, não é mesmo? Quem entrou aqui no blog mais cedo deve ter visto a crítica do filme O Escafandro e a Borboleta e agora pode estar se perguntado onde o tal artigo foi parar. Calma, o editor não tá ficando maluco. Eu apenas tive que guardar um pouco o texto pois o Sob a Minha Lente está participando, em parceria com a Sociedade Brasileira dos Blogs de Séries, dessa “luta armada” contra a Fox, que nesta terça-feira completa 1 ano da mudança do formato legendado para o dublado.

Eu já escrevi tanto sobre esse assunto, tanto aqui no blog quanto no OverSéries onde sou colunista, que por muito tempo eu acabei me cansando de criticar e de também receber críticas pelo meu pensamento, segundo o que dizem, extremista. Com isso, prometi a mim mesmo que não iria mais voltar ao assunto e que não falaria também dos vários descasos cometidos pelos canais fechados. Mas eis que eu quebro a minha promessa por uma causa nobre, acreditem. Eu não toparia escrever sobre esse assunto senão tivesse um bom motivo por trás.

Dessa vez, queremos fazer barulho mesmo, queremos mostrar à Fox o quanto ela foi autoritária e irresponsável nessa sua escolha. A idéia dos blogs da Sociedade não poderia deixar essa data passar em branco, até porque foi um assunto muito desgastado na época e que depois também foi muito discutido e serviu de base para uma série de outros problemas que os canais fechados apresentavam, desrespeitando os seus telespectadores, os seus pagantes, os seus assinantes. Sim, porque nós assinamos e pagamos por um produto e por isso podemos exigir que seja de qualidade.

A dublagem representa um homícidio à obra original. E sempre fico me perguntando qual o problema que eles têm contra o formato legendado. Será que os telespectadores estão com preguiça de ler? Porque, às vezes, esta é a única explicação que encontro. Na época, eles alegaram que haviam feito uma enquete no site e que os votantes tinham preferido o formato dublado. Até hoje procuro algo sobre essa tal enquete, porque eu nunca fiquei sabendo dela e olha que sempre acompanho o que acontece na televisão.

Enquanto eles implantavam o formato dublado no meio de temporadas das principais séries, que incluem aí Prison Break, 24 horas e algumas outras, blogs e sites noticiavam o ocorrido e faziam alarde, com toda razão, sobre o que estava acontecendo. A Fox, para contornar os problemas e as críticas, criou um sistema de legenda alternativo acionado pelo controle remoto. E aí o telespectador escolhia entre assistir uma determinada série com a medíocre e irritante dublagem, ou com os erros grosseiros e uma legenda mal sincronizada.

As legendas da Fox continham erros ridículos de português, de pontuação e principalmente de sincronia, algo que é muito importante quando se faz uma legenda. Os erros até se pode deixar passar, porque acontece muito na hora de revisão. Eu faço legendas e sei bem como é isso. Mas, problemas com sincronia? Isso sim é inadimissível. Sem contar que tinha dias que o sistema simplesmente não funcionava.

Hoje, terça-feira, o descaso completa 1 ano. E fica a pergunta: será que teremos que agüentar mais um ano? Será que nunca vamos ser respeitados? Eu simplesmente não sei, mas acho muito difícil que algum dia isso aconteça. Então, sem mais delongas, parabéns à Fox por completar 1 ano fazendo nós, telespectadores, de idiotas e estúpidos. Alguém sabe por onde anda o Marcellão?

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Um gênero que não assusta mais

Cinema, Opinião do Editor Sem comentários »

Antes mesmo de gostar apenas de dramas, eu era fascinado por suspense/terror. Lembro de ter visto várias vezes Lenda Urbana, até mesmo o Eu Sei o que Vocês fizeram no verão passado. Com o tempo comecei a procurar algumas coisas antigas, foi aí que me deparei com Alfred Hitchock. Minha vida já não era mais a mesma. O que dizer de Um Corpo que Cai? Ou, ainda, o grande clássico Psicose com a cena ainda mais clássica do chuveiro? O mestre do terror era fascinante e ele conseguia se reinventar, inclusive mesclar outros elementos com o suspense que faziam com que qualquer espectador pudesse vibrar com o filme, pudesse ser surpreendido.

Nesta semana procurei dar uma chance à Fear Itself, nova série de terror da NBC para esta midseason. O programa conta com episódios isolados e por isso não tem uma narrativa fixa. A cada semana uma nova história é apresentada, com novos personagens. Os capítulos são escritos e dirigidos pelos “mestres do terror” que são considerados atualmente. Fico a pensar: como eles podem dar um título como este a pessoas que não têm a mínima ousadia em ser diferente? E depois a minha imaginação parte completamente para a obra de Hitchock e imagino como este deve estar se remexendo no túmulo.

Fear Itself tem graves problemas de roteiro, algo que já ficou muito claro nos filmes do gênero atualmente. Como os episódios são isolados uns dos outros, sobra muito pouco tempo para desenvolver os personagens, as histórias. Parece que, enquanto o capítulo vai passando, só ficamos mais perdidos com o que está sendo contado porque nada faz sentido. O roteiro começa a jogar muitos fatos e, obviamente, sem dar nenhuma explicação para o que acontece. Tudo isso porque o tempo é pequeno para eles se preocuparem com a história, por isso a ação acaba sendo a parte favorita desses diretores e roteiristas. Os elementos do gênero também são explorados, mas o besteirol é muito maior do que qualquer outra coisa.

Eu tenho dito que o grande problemas dessas produções atualmente são as continuações e a tentativa de ganhar dinheiro. Claro, o cinema é algo mercadológico, assim como tudo nesta vida. Quando lançaram Jogos Mortais, por exemplo, foi um tremendo sucesso porque, naquele instante, foi um longa que conseguiu soar diferente e assustador ao mesmo tempo. Não era um filme apenas para dar sustos, mas tinha um roteiro altamente inteligente por trás. Depois vieram as continuações e a franquia se perdeu completamente na própria inteligência em constituir uma história tão boa no primeiro filme. A mesma coisa aconteceu também com Eu Ainda Sei…, Lenda Urbana 2 e outros que foram lançados.

Os remakes também nunca dão certo. Gus Van Sant é um exemplo disso. Ele deveria apagar a refilmagem que ele fez de Psicose da sua filmografia. E ele é um diretor extremamente competente e isso está comprovado nos filmes Últimos Dias, Paranoid Park e Elephant. No ano passado foi a vez de regravarem A Morte Pede Carona e o resultado: um desastre. Só valeu mesmo porque tinha a maravilhosa Sophia Bush no elenco. E esta tem sido a grande aposta do gênero: investir cada vez mais em mulheres gostosas para atrair o público. O que dizer, então, de Captivity estrelado por Elisha Cuthbert (24 horas). O filme não tinha história alguma, mas bastava colocá-la tirando a roupa para que fosse adquirida atenção. Veja bem, eu não estou reclamando do formato, mas acredito que o gênero é bem maior do que isso. Na verdade, essa história, dizem os especialistas, se enquadram em sub-gênero: o torture porn. Fica a pergunta: até quando eles vão continuar criando gêneros para incluir as besteiras que eles mesmos fazem?

Assistir a um bom filme de terror hoje é algo realmente difícil. O último que consegui ver foi 30 Dias de Noite. A própria atmosfera do filme deu conta de transmitir o suspense. Como foi baseado numa história em quadrinhos, o trabalho ficou facilitado porque eles não tiveram que criar uma história, mas sim adaptar. Assim, o resultado não foi tão ruim como se esperava. O que nos resta é continuar relembrando clássicos como O Iluminado dirigido por Stanley Kubrick, Carrie: A Estranha, O Exorcista. Para ser um pouco mais contemporâneo, dá pra citar O Exorcismo de Emily Rose que, nos últimos anos, é o único que salva da mediocridade.

E mesmo quando se lança obras que realmente resgatam os elementos do suspense/terror, como foi o filme Possuídos de William Friedkin, a crítica pouco dá valor e prefere continuar comentando dessas porcarias que hoje são lançadas. Possuídos foi um filme que passou despercebido pelo Brasil. Pouco se comentou que o diretor de um clássico, como O Exorcista, tinha conseguido novamente criar uma história inteligente e assustadora ao mesmo tempo. A verdade é que o gênero está entregue nas mãos de pessoas que se consideram “mestres”, sem ao menos saberem o que realmente significa ser um.

A imagem que ilustra esta postagem é de uma cena do filme O Exorcista (1973), dirigido por William Friedkin.

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O final de temporada de In Treatment

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Foram 43 episódios! A cada semana ficavámos ainda mais íntimos daqueles pacientes e também do Dr. Paul Weston. Durante as nove semanas pudemos perceber a evolução na terapia de alguns personagens, mas também dos problemas enfrentados por Paul que foram se acumulando ao longo da temporada. Além de ouvir os problemas dos seus pacientes e de tentar fazer com que estes pudessem entender e achar uma solução, Paul também tentava entender os seus próprios questionamentos se tratando com a sua mentora Gina. E vimos que algumas feridas foram reabertas pelos dois, principalmente pela maneira com que cada um enxerga a Psicologia e as teorias que a compõem. No entanto, In Treatment soube conduzir a temporada de maneira eficaz e intensa. Decerto, o final de alguns personagens acabaram por não corresponder as expectativas deste blogueiro. Por outro lado, a resolução de alguns quesitos me surpreenderam e a série deve continuar com essa ousadia na 2ª temporada, prevista para estrear em 2009. Portanto, vamos ao que aconteceu com cada personagem:

Laura: Paul teve muitas dificuldades para conduzir a terapia de Laura, principalmente porque viu se apaixonar por ela. Durante um ano ele tentou entender os motivos que levam à Laura a usar o sexo como forma de escapar da realidade. Paul estava com medo de se tornar mais uma pessoa no círculo sexual de Laura e ela estava com medo de não corresponder às expectativas do seu terapeuta. Dr. Weston tentou parar a terapia, mas Laura queria continuar as sessões porque ela ainda não se sentia preparada para se separar do seu mentor, do seu amor. Mas Paul também não estava preparado e por mais que ele não quisesse aceitar a idéia, o seu envolvimento com ela era só uma questão de tempo e Gina fez ele perceber que ele poderia amar quem quisesse. Paul tentou, mas na hora “h”, ele não conseguiu. Enquanto que Laura, para ele, conseguiu evoluir a sua terapia e chegou em um ponto que ela não dependia mais dos homens, se tornando uma mulher um pouco mais independente.

Alex: Foi um final trágico. Nem eu mesmo esperava que isso pudesse acontecer. Este, talvez, foi um dos personagens que mais Paul teve problemas. Piloto da Marinha, ele foi para terapia depois de ter jogado uma bomba e matado um grande número de crianças. Depois veio a separação com a sua esposa, o seu envolvimento com Laura e o retorno à Marinha como instrutor. Ele demonstrava estar feliz com o retorno, mas Paul sabia que ainda tinham muitas questões a serem tratadas, principalmente pela infância conturbada que ele teve. Alex, assim como o seu pai, era uma pessoa durona e que não se entregava, típica personalidade de um Soldado. Paul tentava fazer com que Alex pudesse compreender o que estava acontecendo com ele, as vertigens que ele tinha, os pesadelos e todo o resto que o atormentava. A morte de Alex pegou Paul de surpresa e acredito que a todos os telespectadores que acompanharam a temporada. A forma trágica com que as coisas aconteceram, levaram Paul a repensar as teorias que ele se utiliza no seu processo terapêutico e a rever também a forma com que as pessoas e os psicólogos encaram a Psicologia.

Sophie: Aqui está o personagem mais carismático dessa temporada. Torcemos, a todo instante, por um final feliz para Sophie. E ela teve. Porém, o processo foi doloroso e o trabalho de Paul foi realmente muito difícil, mas deve ter sido maravilhoso pensar que ele conseguiu fazer o seu trabalho, principalmente no final quando ele olha pela janela do seu escritório a felicidade que ela estava sentindo, mas também a maturidade que ela adquiriu e o poder de decisão que ela obteve, tanto com a sua mãe quanto com o seu pai, principalmente com este último. Sophie, por ser uma ginasta, sempre sofreu muita pressão. A soma disso com mais os problemas familiares, fizeram com que ela tentasse suicídio. Paul também se utilizou, não apenas de teorias, mas do seu carisma para fazer com que Sophie pudesse acreditar em si mesma. E ele conseguiu. Sophie começou a entender a relação de julgamento que ela tinha com a sua mãe e o porquê dela defender tanto o seu pai, mesmo este estando longe e não se preocupando com ela. E foi nestas sessões que a série mostrou que a Psicologia e a terapia não são feitas apenas de processos teóricos, mas que a relação de afeto e carinho entre o paciente e terapeuta são de extrema importância para que, além do respeito, haja uma confiança entre os dois e naquilo que está sendo falado nas sessões. Sophie, no final, se mostrou uma garota forte e pronta para alcançar os seus objetivos;

Jake e Amy: Já com estes personagens, Paul não apresentou tanta evolução como se era esperado. O casal Jake e Amy nunca conseguiram se entender, mesmo durante os dois meses de terapia em que o Dr. Weston tentava traçar o perfil dos dois aliado ao momento que eles estavam vivendo. Para Jake, as sessões de terapia, com o tempo, foram responsáveis pela trégua entre os dois, pelo menos enquanto estavam naquela sala. Amy já pensa o contrário e não viu muitas evoluções no processo. Para ela, tudo só piorou com a terapia. Paul tentou fazer de tudo para que eles não se separassem, desde a infância de cada um até o elo que ligam os dois hoje, o filho Lenny. Mesmo assim, Paul conseguiu com que cada um pudesse abrir o seu coração em certos momentos. Jake chegou a dizer que só havia se apaixonado por Amy em toda a sua vida. Mas tudo isso sempre se esbarrava nas confusões da sua esposa, por ela não saber o que queria da vida, pelas suas indecisões. Paul tentou, mas acredito que não tenha sido em vão, porque ambos conseguiram compreender que eles são melhores separados do que juntos. E o mais importante: essa foi uma decisão que partiu dos dois e não do terapeuta.

Paul e Gina: Com tantos problemas, tanto na sua vida profissional quanto na sua vida pessoal, Paul tinha que descarregar tudo isso. Ele precisava conversar com alguém que poderia fazê-lo compreender o que estava acontecendo. Para isso ele foi se consultar com a sua mentora Gina. As sessões entre os dois sempre foram muito carregadas de emoção, intensidade e de muito drama. Paul sempre questionou os métodos de Gina como psicóloga. Enquanto que Gina acreditava que Paul estava cada vez mais perto de se tornar como o seu pai, algo que ele sempre teve medo de acontecer. Paul, como terapeuta, era uma pessoa brilhante. Ele sabia conduzir as suas sessões de maneira perfeita, sempre mantendo a calma. E quando parecia que as coisas estavam saindo de seu controle, ele não se preocupava e continuava mantendo o seu ritmo. Mas quando ele se consultava com Gina, víamos uma pessoa completamente diferente. Ele se revela como um homem confuso, cheio de dúvidas sobre os seus pacientes e sobre a sua própria vida. Quando ele descobre, por exemplo, que a sua mulher estava tendo um caso, é como se ele estivesse vendo o seu mundo desmoronar, um mundo que ele demorou para construir. E quando a sua esposa e ele vão se consultar com Gina para uma terapia de casal, as verdades começam a vir à tona e Gina, talvez ainda mais brilhante que Paul, sabe se impôr aos comentários analíticos de Paul.

Conclusões Finais

In Treatment foi uma das melhores estréias esse ano. E falo isso pela maneira com que ela retratou estes personagens, com que ela foi, pouco a pouco, construindo uma personalidade para eles. O mais importante tudo foi o processo de humanização do seu terapeuta, Paul Weston. A série deixou de transformá-lo numa pessoa inatingível e possivelmente sem problemas, para um ser ainda mais humano que também enfrenta questões pessoais, que também busca entender questões que o perturba.

Durante os 20 e poucos minutos de duração de cada episódio, In Treatment se mostrou uma série fantástica, com textos e diálogos inteligentes e com problemas que são comuns em nosso cotidiano e que pode acontecer com qualquer pessoa. Talvez alguém tenha se identificado com a história de um certo personagem e a série consegue obter este sucesso. Laços teóricos, emocionais, seja qual for o processo terapêutico, o importante é dizer que In Treatment é uma série genial.

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O mais irreverente dos 70’s show

Opinião do Editor, Swingtown 1 Comentário »

A midseason sempre nos reserva bons programas, o que acaba sendo uma alternativa às séries que entraram de férias e que só devem entre os meses de agosto e setembro. Normalmente as emissoras americanas conseguem investir bastante nesse meio do ano, como é o caso da rede ABC Family que tem, na grande maioria da sua grade, seriados que sempre estream nesta época. No entanto, quem tem roubado mesmo a cena é a CBS com a série Swingtown, que tem conseguido chamar atenção pela construção de um tema polêmico e pela recriação da década de 70.

O período da década de 70 foi extremamente conturbado, mas a música foi a expressão que mais se sobressaiu, assim como a mudança de comportamento das pessoas. O classic rock teve o seu surgimento e por essa razão os anos 70 também é chamado de “a década da discoteca”, devido ao surgimento da dance music e todos aqueles bailes que agitavam as boates de todo o mundo. Grupos como Pink Floyd, Genesis, Jethro Tull, dentre outros, foram de grande importância para a incorporação de anos tão significativos e de uma evolução musical muito importante. O glamour visual que começou com David Bowie também marcou uma década em que as pessoas seguiam uma moda que, nos tempos atuais, é simplesmente chamada de “brega”. A força de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, ainda ajudaram a criar uma tensão muito mais forte para o rock e influenciando as gerações seguintes, assim como Sex Pistols, Ramones, The Clash e tantos outros conjuntos musicais que marcaram época.

É dentro desse círculo que se desenvolve a série Swingtown, considerada como uma das grandes promessas do canal CBS para esquentar essa midseason. A história gira em torno dos casais Susan e Bruce, Tom e Trina. Os dois primeiros acabaram de se mudar para uma vizinhaça no subúrbio de Chicago, onde os residentes praticam o swing. E essa premissa não poderia se passar em uma década melhor, visto que os anos 70 tem toda a ousadia e a irreverência que um tema como este necessita. Por essa razão, a série não tem a intenção de retratar como nenhum romantismo a idéia, mas sim tentanto recriar uma realidade. E isso fica claro na parte técnica do programa. É impressionante como as construções são realmente idênticas às da época, assim como os carros, as rodovias, o figurino, os costumes dos personagens e tantas outras características marcantes da série.

Além disso, a série tá sabendo construir muito bem os seus personagens. Assim que assisti o episódio Pilot, resolvi não traçar muitos comentários positivos para não ser surpreendido no capítulo seguinte. Porém, Swingtown continou muito bem a história mostrando as conseqüências dos atos que foram explorados na sua estréia e a reação dos casais. Trina e Tom são os que conduzem Susan e Bruce para a nova prática com a intenção de levantar o astral do relacionamento entre os dois, que estava um pouco frio até por conta do tempo que estão juntos e dos dois filhos que tiveram. Susan e Bruce, com a ajuda de Tom e Trina, encontram no swing uma forma de continuar vivendo o amor. E me parece que esse tipo de recriação é a melhor possível, não apenas criando um fato sem um mero significado. A série tem o objetivo de transmitir que o relacionamento aberto pode ser uma saída para os problemas que muitos casais enfrentam como, por exemplo, os ciúmes, as desconfianças e o medo do outro encontrar uma outra pessoa.

Mesmo assim, o que realmente exalta a qualidade de Swingtown é a sua trilha sonora. Contagiante como a década foi, até agora foi o que de melhor a série se preocupou em mostrar, revivendo grandes clássicos da música como Johnny Cash, Rolling Stones, Bob Dylan. Assim como músicas de extremo sucesso, entre elas estão “Radar Love”, “Machine Gun”, “I Can See Clearly Now” e tantas outras belas canções. E acho imensamente importante esse resgate que a série tem feito, o que acaba sendo uma oportunidade para aqueles que não viveram nesta década de, pelo menos, ouvir e sentir o que foram aqueles anos de drogas, sexo e muito rock n’ roll, além da busca pela aceitação das mulheres o que acabou gerando os movimentos feministas que se iniciaram mais tarde.

Ainda é muito cedo para se avaliar Swingtown porque foram apenas dois episódios exibidos, mas é impossível não dizer que a série já conseguiu obter um tremendo destaque, seja com a trilha sonora maravilhosa ou com o tratamento de um tema tão polêmico e sensual. Mas não pense que o programa é cheio de sexo, porque ele não é. Se você está pensando em assistir por este motivo, a série não vai responder às suas expectativas. Mesmo sem as cenas que poderiam conter, Swingtown tem conseguido criar personagens que são tão contagiantes quanto a sua trilha sonora e que, acima de tudo, atores que possuem “a cara dos anos 70.”

Dica: Vocês podem acessar o link http://www.lastfm.com.br/group/swingtown para ouvir as músicas que são tocadas nos episódios da série.

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