Dirigido por Tom Kalin. Com: Julianne Moore, Stephen Dillane, Elena Anaya, Simón Abreu, Jim Arnold. (Savage Grace, 2007)
Baseado em fatos reais e no livro Savage Grace, escrito por Natalie Robins e Steve M.L. Aronson, Pecados Inocentes é uma obra muito difícil de se assistir e de se compreender. O diretor Tom Kalin volta a filmar um longa depois de quinze anos parado e até tenta traduzir o que ele pôde ter lido no livro e nos eventos que realmente aconteceram, mas o paradeiro com que ele conduz o filme cria um certo desespero em quem está assistindo, principalmente quando este chega até o seu final, dando a impressão de que o filme ainda estava apenas começando, deixando a impressão de um filme que não possui ritmo e muito menos intensidade.
Barbara Daily (Julianne Moore) é uma atriz fracassada que resolveu se casar com o rico Brooks Baekeland (Stephen Dillane). Ambos, altamente ambiciosos, conseguem exatamente aquilo que queriam. Para Barbara, dinheiro fácil e vigorar na alta classe britânica era o maior dos seus desejos. No caso de Brooks, ele tinha uma mulher que era desejada por todos os homens da época. Mas o casamento dos dois era um total fracasso. Depois que Tony (filho do casal) nasceu, as coisas só pioraram, principalmente pelo fato de que Barbara estava cada vez mais encantada com a oportunidade de ser mãe, enquanto que o seu marido achava o seu filho um completo fracassado assim como a sua esposa.
Na medida em que Tony vai crescendo, fica ainda mais visível as diferenças existentes na família. Brooks logo se separa da sua mulher para se casar com a possível namorada do seu filho. Barbara entra em depressão, tenta até mesmo cometer suícidio e depois sai em busca de algo para completar a sua vida. Enquanto que o seu filho vive as aventuras da idade, mas só depois sabemos do que realmente se tratava as constantes confusões e mudanças de comportamento do seu personagem. Tony estava cada vez mais se apaixonando pela sua mãe e, por outro lado, o seu ódio também crescia por ela não enxergar os seus sentimentos, por ela não ver que ele estava realmente apaixonado. E essa relação de amor e ódio é o que de melhor o filme pode apresentar.
O próprio rótulo de “filme de arte” criado para Pecados Inocentes incomoda bastante. E dessa forma diretor Tom Kalin tenta conduzir este que é o seu segundo longa de maneira confusa, para obter um alcance mínimo em uma classe que realmente gosta de cinema (e não estou tentando desmerecer aqueles que preferem outros filmes). Mas é aí que está o seu grande erro, porque é algo completamente desnecessário. O próprio tema, por exemplo, já trata de alcançar um público reduzido, que provavelmente vai se incomodar com a aura que ele cria nesta obra. Mesmo assim, o que realmente choca no filme, é em como Barbara é cúmplice das crises de personalidade do seu filho e em como ela também provoca a paixão do garoto.
A mente conturbada de Tony só poderia alcançar um final trágico. A atuação de Eddie Redmayne, que interpreta o Tony quando adulto, chama atenção por ele saber reproduzir em cena um pouco das complicações que ele sentia enquanto pessoa, enquanto alguém que estava procurando um lugar para se inserir no mundo, mas principalmente dentro da vida da sua própria mãe. Porque, para ele, não bastava apenas ser “filho”, mas teria que ser também um “amante”. Mas, na verdade, é Julianne Moore quem merece destaque. Depois de As Horas, considero esta como a melhor atuação da sua carreira (e ainda não vi Blindness). E os dois atores, em cena, sabem resumir a questão de amor e ódio que a trama busca passar e toda essa combinação só poderia resultar em uma tragédia.
O clímax era para se encontrar no meio dessa tragicidade, quando Tony perde a cabeça e se desespera com a sua mãe. Porém, Tom Kalin não conseguiu expressar o choque que a cena poderia ter pela forma desgastante com que ele conduziu a sua película. De qualquer maneira, a personalidade fria de Tony é muito bem explorada na cena em que os fato finais acontecem. Ainda assim, Pecados Inocentes, por ser um filme difícil de se assistir e não muito fácil de se aceitar, passou despercebido pelo Brasil, por isso acredito que Tom Kalin conseguiu aquilo que ele queria: fazer com que o seu filme tivesse um público mais restrito e reduzido.



















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