“Weeds” já não tem mais nada de… Weed!
sexta-feira, setembro 3rd, 2010
A série Weeds, do canal fechado Showtime, retornou com a sua sexta temporada há pouco mais de duas semanas. Até então, eu estava dando um tempo antes de começar a escrever qualquer texto sobre os episódios, mesmo porque, não seria justo falar com base apenas em um capítulo. No entanto, o canal já exibiu três episódios e, até o momento, nada de muito empolgante. Pra começar, Weeds parece ter se esquecido da sua própria essência, isto é, um dos motivos pelos quais surgiu a ideia de se produzir a série.
É bem verdade que todos os personagens cresceram bastante. Shane Botwin, por exemplo, é um dos que mais sofreram mudanças e isso fica nítido até pela voz mais grossa que o ator Alexander Gould começou a ter desde a temporada passada. Sobre este sexto ano, o primeiro episódio começa exatamente de onde terminou a passada: Shane mata uma mulher e a família Botwin tem que fugir de Esteban e de todos para começar uma nova vida.
O maior problema é que Weeds se tornou, assim, uma série aparentemente sem propósito. Assistindo a estes novos episódios, fico me recordando das quatro primeiras temporadas e de toda a ação que se passava no subúrbio. Pra mim, o que a Jenji Kohan fez naquele final do quarto ano foi um verdadeiro tiro no próprio pé: ao incendiar todo o subúrbio e transferindo a ação para um outro lugar, a série se perdeu completamente. Personagens-chave como Celia Rodes, por exemplo, perderam tanto espaço que a própria atriz Elizabeth Perkins preferiu sair da série.
E falo, sim, com uma certa saudade do tempo em que ela e Mary-Louise Parker conseguiam excelentes tiradas de humor negro com cada situação em que se envolviam. E isso envolve também personagens como Conrad, que tinha um grande destaque e depois foi perdendo espaço para as novas histórias da família Botwin, que não conseguem mais o mesmo efeito que tinham antes. O próprio roteiro de Jenji Kohan e do seu time de roteiristas, que fugiram do lugar-comum com boas críticas à sociedade americana, voltou a criar episódios que são “mais do mesmo”.
Não há como não atribuir os problemas adquiridos pela série nestes dois últimos anos à mudança de local, tirando a ação do subúrbio e partindo para San Diego. É uma decisão contestável, uma vez que a série não vem conseguindo repetir as boas histórias que lhe renderam indicações ao Emmy Awards. Hoje, ela se tornou completamente esquecida, tanto pelas premiações quanto pelo seu público. Weeds já não tem mais o mesmo apelo de antes, e também desistiu das críticas e passou a apostar em tramas relativamente normais. Claramente, o roteiro apresenta um desgaste que é até mesmo natural pelo excesso de temporadas.
Uma pena, no entanto, que a série tenha se perdido tanto em seu caminho. Me lembro dos tempos em que eu me divertia assistindo Weeds nas tardes em que eu não tinha nada para fazer, me empolgando a cada episódio. Já hoje, não posso mais dizer a mesma coisa. Weeds se tornou extremamente chata com situações que irritam e beiram o ridículo. Enquanto isso, o humor negro usado de maneira tão inteligente parece ter sido incendiado junto com o subúrbio que ajudou a formar esta série.
Tags: Elizabeth Perkins, Mary-Louise Parker, Showtime, Weeds
Alguns podem discordar da história, achar que a série é recheada de clichês e que nada tem para adicionar. Outros podem concordar com o fato de Pretty Little Liars ter se tornado o hit americano do verão. Durante os episódios que eram exibidos nos Estados Unidos, a série sempre aparecia nos Trending Topics do Twitter. E isso, nestes tempos de mídias sociais e da tecnologia a favor da informação, quer dizer muita coisa. A ABC Family, canal que transmite a série, apostou no programa e foi colecionando recordes de audiência. Não demorou muito e algum executivo deve ter gritado: “opa, temos um fenômeno aqui, hein?”

