Archive for the 'SEMCINE' Category

VI Semcine e o debate em torno da arte

sábado, julho 24th, 2010

pasolini Começa nesta segunda-feira em Salvador o VI Seminário Internacional de Cinema e Audiovisuval (SemCine). Do dia 26 a 31 de Julho, cinéfilos, cineastas, produtores e críticos estarão reunidos na Sala Principal do Teatro Castro Alves para discutir o cinema e as suas nuances. Pelo menos, tem sido assim nos últimos seis anos. Apesar das mudanças, o seminário continua tendo o intuito de provocar questionamentos em torno das mesas-redondas que fazem parte da estrutura. Nesta edição, por exemplo, elas girarão em torno da Dramaturgia, do Erotismo, da Montagem, da Realidade em movimento tendo a participação de convidados de sete países.

Além da classe cinéfila e cinematográfica, o festival conta com pesquisadores e realizadores reunidos para debater a sétima arte. E neste ano tem uma novidade interessante: as oficinas de direção que serão ministradas pelo cineasta chileno Miguel Littin. No entanto, o seminário não fica apenas preso às pesquisas em torno de teóricos e técnicas que ajudaram na formação do cinema. O digital, cada vez mais uma tendência no meio, se tornou também uma parte integrante do seminário. Alguns acreditam que ele perde a sua essência nesse momento, ao abrir a discussão para que os defensores do digital falem “na morte anunciada do cinema convencional”. Ainda assim, o Multimídia normalmente apresenta intervenções artísticas interessantes e acolhe o público em uma ambientação intimista e expográfica.

Em toda a edição, o Semcine homenageia algum importante cineasta. No ano passado, o cineasta francês Jean-Luc Godard teve uma Mostra Retrospectiva com todos os seus filmes sendo exibidos, incluindo curtas-metragens. Neste ano, o homenageado será o diretor italiano Pier Paolo Pasolini que, além de cineasta, foi crítico, romancista e poeta. Serão exibidos 18 filmes do cineasta durante a Mostra Retrospectiva Pasolini. As produções serão exibidas no Goethe Institut-ICBA. Clássicos como Decameron, 120 Dias de Sodoma e O Evangelho Segundo São Matheus e Saló estarão entre os filmes a serem exibidos. Além disso, o seminário prepara uma exposição com fotos e cartazes de Pasolini durante a semana em que os seus filmes serão projetados no ICBA.

No evento ainda tem a Mostra Competitiva de Longas-Metragens, com os filmes sendo exibidos ao final da noite de cada dia. A cerimônia de premiação acontece ao final do seminário e, normalmente, sempre aparecem grandes surpresas em meios aos curtas e longas-metragens que são exibidos. Pra mim, são estes filmes que realmente motivam o seminário além da discussão que ele procura abordar em torno do cinema. Mas, como vem acontecendo nos últimos anos, os questionamentos a cerca da arte cinematográfica estão ficando cada vez mais de lado. É importante que os pesquisadores convidados estejam aqui mostrando as suas ideias, mas poucos têm se interessado por esta parte do festival.

Enfim, entre discussão, exibição de filmes, lançamentos de livros e descoberta de novos talentos, o Seminário de Internacional de Cinema e Audiovisual é uma chance para que os cinéfilos possam se encontrar em um só lugar com o intuito de apreciarem o festival. Ao contrário dos últimos dois anos, este blogueiros que vos escreve não terá condições de fazer a cobertura do Seminário. Tentarei ver algum filme da Mostra Competitiva no final da noite para colocar algum texto aqui no blog. No entanto, isso não se consolida como uma cobertura. Nas últimas discussões eu trouxe fotos e avaliações dos debates que aconteciam. Infelizmente, dessa vez será impossível. De qualquer forma, bom seminário a todos!

V Semcine: qual o futuro do cinema?

quarta-feira, julho 29th, 2009

A polêmica está instaurada no V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (Semcine). Qual o futuro do Cinema? Este foi o questionamento proposto pela mesa na tarde de terça-feira (28) no Salão Principal do Teatro Castro Alves. O debate procurou questionar se a democratização prometida pelo digital permite ainda se falar da arte cinematográfica, enxergando o cinema a partir da sua linguagem estética e teórica que se formou a partir do momento em que ele ficou conhecido como a sétima arte,

Para Arlindo Machado, professor da Universidade de São Paulo (USP) e com diversas pesquisas na área de Linguagem do Vídeo’, o cinema está morto assim como a indústria fonográfica. ‘Existe uma fobia, um conservadorismo por parte destas pessoas que fazem cinema hoje, e somente eles não enxergam que a tecnologia avançou e o cinema se estagnou’, afirmou ele.

Ainda segundo Machado, atualmente o mercado disponibiliza tecnologias muito superiores em relação aos equipamentos que são utilizados hoje. ‘Eu não entendo porque as pessoas ainda ficam utilizando essas bitolas pesadíssimas para filmar um filme, se existem câmeras mais leves que fazem a mesma coisa’, completou ele.

O filho de Gláuber Rocha, Pedro Paulo Rocha, também esteve presente na mesa para discutir a relação do cinema com os meios multimídias. Ainda durante o Semcine, ele lançará o longa-metragem’Kynema Fluxuz Filmes’ que, segundo ele, é um filme experimental combinatório que transita entre a realidade e a ficção. Para Pedro Paulo, o cinema precisa buscar uma forma de fazer com que o público possa interagir com a estória e que estas novas tecnologias disponíveis no mercado seja utilizada para se criar uma nova linguagem.

Porém, aquilo que a mesa se propôs a discutir não foi discutido: qual o futuro do cinema, afinal? Todos os palestrantes que participaram começaram questionando se esta sétima arte teria futuro. O maior problema nesta discussão foi a falta de exemplos concretos e amostras experimentais que pudessem comprovar aquilo que estava sendo discutido. Existem, sim, novas maneiras cinemáticas de fazer e experimentar, mas até que ponto elas se tornam úteis para o cinema? Será mesmo que aqueles que fazem esta arte estão dispostos a mudar?

O debate criou uma série de questionamentos e as interrogações permanecem. Assim como os palestrantes falaram em novos parâmetros de produção, distribuição e exibição do audiovisual, existe ainda uma certa resistência para que todas estas experimentações aconteçam. ‘Hollywood é muito conservadora para deixar com que estas tecnologias avancem e possam ser utilizadas dentro do cinema’, explica Arlindo Machado.

Veja também
V Semcine: o ‘cinema-realidade’ de Godard
V Semcine: o pocket show de Jards Macalé
V Semcine: o cinema visto como arte

V Semcine - o ‘cinema-realidade’ de Godard

terça-feira, julho 28th, 2009

A abertura oficial do V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (Semcine) se deu com um fragmento da obra ‘Histórias do Cinema’, que é dirigido pelo cineasta francês Jean-Luc Godard e é dividido em diversos capítulos, que serão apresentados na Retrospectiva que o festival preparou para homenagear o autor.

Porém, no episódio apresentado, o curta se torna desgastante pela repetição das cenas e altamente cansativo pela maneira com a qual Godard o conduz. É claro que este foi apenas o primeiro fragmento de uma série de outros que serão apresentados. A própria mesa que veio em seguida, com a proposta de discutir o Cinema e a Poesia de Godard, também pouco se debateu sobre as contribuições do cineasta para a estética cinematográfica.

Os palestrantes exaltaram muito mais o diretor do que propriamente falaram daquilo que a mesa se propôs a discutir. No entanto, o crítico, professor de cinema, ex-redator chefe da revista Cahiers Du Cinema e autor de numerosas obras sobre o Godard, Alain Bergala, contou histórias do cineasta francês e curiosidades sobre as suas maneiras de filmar.

‘Nos anos 60, Godard descobriu novas maneiras de fazer os seus filmes. Mas ele sempre tinha problemas com os orçamentos, porque Godard demorava muito para filmar, gravando três minutos do filme em um dia, mais três em outro e, assim, ele ia levando’, disse Bergala. E ele aproveitou para expor uma crítica do próprio Godard que diz ‘que o cinema deve ficar sempre do lado real’.

A explicação possível para um pouco da crise de Godard no final da década de 60 é explicada por Alfredo Manevy, que escreveu a tese ‘Jean-Luc Godard e o cinema americano - de Acossado a Made in USA’.

É exatamente com este último filme, que o diretor francês começa a questionar a sua própria obra, uma vez que ele sempre criticou a publicidade nos filmes e outras questões que começavam a tomar conta da arte cinematográfica. Porém, ele começou a perceber que também estava se deixando levar por isso e ‘Made in USA’, acaba funcionando como uma crítica sobre estes pensamentos e inquietações do diretor.

Possivelmente, a ‘Retrospectiva Godard’ - que começa na tarde desta terça-feira (28) - poderá trazer um entendimento maior para o público do Semcine a cerca das obras do cineasta francês, que também pode ser chamado de gênio por tudo aquilo que construiu, desde a construção do movimento da Nouvelle Vague em 1959 com o filme ‘Acossado’ até os filmes políticos e militantes que poucos conseguiram ver durante a década de 60.

V Semcine - o pocket show de Jards Macalé

terça-feira, julho 28th, 2009

O Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (Semcine) já mostrou, em outras edições, o quanto pode ser surpreendente. E na noite de segunda-feira (27) não foi diferente. A Mostra Competitiva de curtas e longas-metragens estavam abrindo o festival, mas poucos sabiam que, após a exibição dos filmes, teria um pocket show do compositor Jards Macalé, que teve o seu documentário ‘Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal’, exibido na Sala Principal do Teatro Castro Alves.

Antes da sua apresentação, o filme dirigido por Marco Abujamra traça um perfil por meio de sua trajetória nada linear, passando pelas fases que marcaram o artista e ‘personagem contestador da cultura brasileira’. Violonista e arranjador de Gal Costa e Caetano Veloso, Macalé teve neste documentário a sua intimidade revelada. E foi falando sobre isso que ele abriu o pocket show que apresentou logo em seguida.

Cantando alguns clássicos e fazendo homenagens à João Gilberto, Macalé teve uma apresentação emocionante,  assim como foi o documentário, principalmente quando este narra os momentos conturbados pelo qual o artista passou como, por exemplo, quando resolveu se matar no dia em que completara 10 anos da morte de Torquato Neto. O público do TCA, ainda que de forma discreta, cantava as músicas juntamente com o compositor.

Macalé encerrou o seu pocket show com a música que dá título ao documentário e, para isso, até se caracterizou no palco colocando uma máscara do Batman e ainda brincou com o público: ‘só falta o Robin’. Assim, a primeira noite desta quinta edição do Semcine se encerrou, deixando o público que estava ali presente com um ‘gostinho de quero mais’.

V Semcine - o cinema visto como arte

segunda-feira, julho 27th, 2009

semcine

A partir desta segunda-feira (27) começa mais uma edição do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisuval (Semcine). E neste quinto ano do festival, temos ainda mais filmes para serem exibidos em dois lugares diferentes: Teatro Castro Alves (TCA) e Teatro Martin Gonçalves. Porém, bastante próximos um dos outros. A ‘Retrospectiva Godard’ parece ser a atração principal deste ano, assim como todas as homenagens que serão feitas ao cineasta francês e um dos grandes pensadores da Nouvelle Vague. Tudo isso, é claro, são decorrentes das comemorações do Ano da França no Brasil, mas também um marco dos 50 anos do movimento francês que culminou na revolução de 68.

Mas não é só de filmes que vive um seminário - pelo menos este que acontece aqui em Salvador. Até a próxima quarta-feira (29), muitas discussões durante as palestras e mesas-redondas farão parte do festival. Isso, aliás, foi uma das coisas que mais senti falta quando estive. no ano passado, no Festival de Cinema de Gramado. Muito glamour, muitos filmes exibidos na Mostra Competitiva e na Mostra Gaúcha, mas poucas discussões em relação à prática cinematográfica, levando-se em conta o seu caráter estético.

E neste primeiro dia, a mesa que abre o Seminário se chama ‘Godard: Cinema e Poesia’. Cineasta ortodoxo, Jean-Luc Godard acredita na chegada messiânica de um novo modo de entender o mundo: a imagem como linguagem. E, possivelmente, a discussão deva girar em torno da sua obra, dos seus pensamentos sobre estética e daquilo que ele enxerga para o cinema. Antes de começar a palestra, será exibido um capítulo das Histórias do Cinema intitulado como ‘A Moeda do Absoluto’, dirigido por Jean-Luc Godard.

Durante toda essa semana, colocarei textos aqui no blog sobre o seminário. Provavelmente, eles sempre entrarão no turno da noite, porque o Teatro Castro Alves não me parece ter Wi-Fi para que eu faça a cobertura em tempo real. Porém, quem quiser pegar alguns comentários nestes momentos, pode me acompanhar pelo Twitter. Mais um Seminário e que este seja tão bom como os outros.

Veja também
V Semcine - 50 anos da Nouvelle Vague
V Semcine - uma homenagem a Godard