Archive for the 'Mad Men' Category
Maratona Mad Men
domingo, outubro 5th, 2008Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers
Mad Men 2×05 – The New Girl: Em um dado momento parecia que aquela máscara de Donald Draper estava prestes a cair, quando ele sofreu um acidente de carro juntamente com Bobbi, mulher de um cliente que acabou de faturar o seu programa de televisão para a EZTV graças ao trabalho de Draper. No entanto, ele conseguiu apagar toda a situação, perante à esposa e ao seu local de trabalho. Mesmo assim, o fato ajudou a trazer algumas coisas à tona. A ajuda constante de Peggy acabou nos remetendo para um dos seus momentos no Hospital Saint Mary, quando Don também deu o seu apoio para que ela saísse daquela situação. Essa é a explicação mais contundente (e óbvia, talvez), para Peggy ter o ajudado encobertar o que aconteceu. Porém, uma nova garota chegou na Sterling Cooper e está abalando os corações (e hormônios) da equipe criativa de Don. Ainda assim, não foi um fato que representou grande mudança dentro do episódio, apesar de ter funcionado como uma proposta apresentar a nova secretária de Don, o que acabou não funcionando dentro de tantas coisas mais importantes.
Episódio exibido nos Estados Unidos 24/08/2008 no canal AMC





Mad Men 2×06 – Madeinform: O que mais acho impressionante em Mad Men é a sua capacidade em saber desenvolver os personagens, em conseguir mostrar aos poucos os problemas que cada um deles enfrenta. Nesse episódio, além de relacionar o marketing da Playtex (uma marca de sutiãs) para tentar alcançar o mesmo número de vendas da rival Madeinform, a série colocou em pauta também a arrogância de Peter Campbell, o controle do marido em cima da mulher, asssim como o preconceito que ainda existia com relação a certos assuntos. Quando a equipe de criação de Don estava prestes a exibir um marketing para a Playtex, Peggy (que também faz parte da equipe) foi colocada de lado e ela sabe que esse é um problema que irá enfrentar, já que está atuando em um território estritamente masculino, pelo menos naquela época. Bets (esposa de Don) também sofreu do mesmo veneno, quando exibiu um biquini e logo foi recriminado pelo seu marido. Dessa forma, Mad Men consegue explorar muito bem as nuances da década em que passa, colocando os seus personagens para vivenciar e aprender com tudo isso.
Episódio exibido nos Estados Unidos 31/08/2008 no canal AMC





Mad Men 2×07 – The Gold Violin: É bem verdade que alguma hora essa vida fácil de Donald Draper em pegar todas as mulheres iria acabar. No entanto, parece que está ficando cada vez mais difícil esconder os seus relacionamentos extra conjugais. O seu caso com Bobbie está por um fio de ser descoberto e talvez seja este o início de uma desesperada crise familiar, justamente num momento em que ele foi promovido para um outro trabalho, ainda mais recompensador. Mesmo assim, o que mais foi intrigante nesse episódio foi a personalidade de Salvatore, um dos redatores da equipe de criação de Donald Draper. É difícil para uma pessoa como ele, em plena década de 60, admitir ser homossexual não seria uma coisa fácil e por isso ele pode utilizar o seu casamento com Kitty apenas para manter as aparências. De qualquer maneira, o roteiro parece trilhar este caminho a partir do momento em que ele expande a sua relação com Kenneth Cosgrove, que o vê apenas como um colega de trabalho. Até sabermos qual é a verdadeira personalidade de Salvatore, muita coisa ainda pode acontecer. Mad Men, mesmo que devagar, vai construindo uma temporada ainda mais interessante que a primeira.
Episódio exibido nos Estados Unidos 07/09/2008 no canal AMC





Mad Men 2×04 - Three Sundays
domingo, agosto 24th, 2008Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers
Título: Three Sundays
Temporada: 02
Episódio: 04
Data de Exibição: 17/08/08
Emissora: AMC
Às vezes fico a me perguntar como uma série consegue ser tão genial. São aqueles momentos que, enquanto você assiste a um episódio, percebe que tudo se encaixa perfeitamente, com um roteiro altamente inteligente. Manter essa dinâmica entre uma temporada e outra é uma tarefa árdua, mas que é uma das características marcantes de Mad Men. Essa maneira confusa de tratar os seus personagens, de tratar a própria história, só comprova o seu jeito de querer soar diferente mas com responsabilidade, com bons desfechos e boas interpretações. No final da temporada passada, a história envolvendo a Peggy foi o que mais norteou o que poderia ser colocado no começo desse segundo ano. No entanto, fomos surpreendidos por um roteiro que nem sequer citou o acontecido.
Mas isso foi por pouco tempo. Nesses dois últimos episódios, a história esteve cada vez mais centralizada, juntamente com os problemas familiares que cada um dos seus personagens principais apresentam. No caso de Peggy, a sua maneira de fingir que nada aconteceu não causa repulsa apenas no telespectador, mas também este é um sentimento compartilhado pela sua irmã velha que, assim como o restante da família, é uma grande devota do Cristianismo e critica a maneira com a qual as pessoas encobertaram o que aconteceu com Peggy, para que ela pudesse continuar vivendo a sua vida sem dar importância para o que realmente tinha acontecido e os problemas gerados pelo seu comportamento.
A família de Don também está passando por problemas para educar os seus filhos. A maneira como Bets pretende educá-los contradiz com o pensamento do seu marido, que opta muito mais pela conversa e pelo bom diálogo do que partir para a agressão. Com esses fatos, aos poucos a série vai construindo o passado do seu principal personagem. Donald Draper teve uma infância conturbada; constantemente espancado pelo pai, por muitos momentos ele pensou em assassiná-lo, mas o destino preferiu que ele se desvencilhasse dessa pessoa e que ele se tornasse um dos publicitários mais bem-sucedidos na Madison Square. A sua opção em não querer bater em seu filho para educá-lo vem do seu passado, de não tomar os mesmos comportamentos do seu pai, pessoa esta que ele odiava.
Com tudo isso acontecendo, a Sterling Cooper estava passando pelo seu “Dia “D”. Depois de ter aceitado a conta da American Airlines, era hora de criar uma logomarca que pudesse atrair a clientela depois do acidente que aconteceu com a empresa áerea. Não apenas isso: era a oportunidade que eles tinham de impressionar os executivos da American Airlines e de entrarem de vez como uma agência importante, tendo um cliente que qualquer outra empresa gostaria de ter. O grande problema é que a pessoa que estava intermediando as negociações acabou sendo demitida e, agora, tudo virou uma bagunça e o futuro ficou ainda mais incerto. Mad Men é assim: a gente nunca sabe como o episódio vai terminar, muito menos imaginar como será o próximo. Mas estes segredos fazem parte da genialidade, tão esquecida nos dias atuais.





Mad Men 2×03 - The Benefactor
quinta-feira, agosto 21st, 2008Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers
Título: The Benefactor
Temporada: 02
Episódio: 03
Data de Exibição: 10/08/08
Emissora: AMC
The Benefactor foi o episódio mais fraco exibido até o momento. Poucas coisas foram mostradas e a história não teve nenhum avanço, apesar da série não seguir um roteiro bem definido. Digo isso porque não fica claro exatamente qual o rumo que o episódio vai tomar, principalmente porque o final é sempre muito categórico e sem expectativa alguma para o próximo. Mas foi assim que Mad Men alcançou o seu sucesso, logo, não seria agora que os roteiristas mudariam alguma coisa no formato. Por mais que se pense nessa lentidão como a sua principal característica, a série invoca um lado muito profundo nos seus personagens. Na verdade, Mad Men se trata mesmo dessas transformações que foram gerando no comportamento das pessoas com o passar dos anos e isso tem ficado cada vez mais claro.
A ambição, por exemplo, é um dos sentimentos que mais moveram os homens nessa época. Quando uma correspondência bancária de Kenneth Cosgrove (um dos chefes da Sterling Cooper) chega, acidentalmente, às mãos de Harry Crane, a sua ambição em querer algo mais sobe para a sua cabeça. Ele descobre que nenhuma outra pessoa dentro da agência ganha mais que Kenneth e que, por isso, ele merecia receber um aumento pelo trabalho que ele desempenha. Para conseguir tal feito, Harry arruma um programa de televisão que fora desprezado pelas emissoras, principalmente a CBS, e tem a brilhante idéia de montar uma rede de televisão na Sterling Cooper para expandir os negócios da agência. A idéia gerou um aumento interessante no seu salário, além de anunciar o que estava por vir: a publicidade estava começando a engatinhar na televisão.
Em relação a Donald Draper, pouco se viu. Mais uma vez, Mad Men captou a maneira como os homens traem as suas mulheres, sem nenhum medo. Enquanto isso, Betty já não consegue fazer o mesmo apesar das investidas de um pretendente no clube onde ela cavalga. Mas é óbvio que sabemos que existe todo um jogo por trás das ações e intenções de Don. Ele não transaria com uma mulher se não tivesse por trás um objetivo definido. Essa é a sua forma de manipular as pessoas a fazerem o que ele quer e, assim, conseguir aquilo que deseja: poder e prestígio. E mesmo quando está em situações inversas, ele dá um jeito de fazer com que tudo dê certo à sua maneira.
Como venho dizendo, Mad Men é uma série que vai atingindo o seu clímax aos poucos. Não adianta assistir a um episódio com a expectativa de que teremos fatos a serem revelados, ou coisas do tipo. Só que o mais interessante dessa série é a maneira como ela conduz esse mundo publicitário. A manipulação, ambição e todo o jogo necessário que essas pessoas fazem para conseguirem o que querem estão ali, mas tudo devidamente escondido e implícito. E quando ela mostra as facetas de outros personagens, não apenas de Donald Draper, vemos que todos são iguais e que possuem os seus interesses particulares.





Mad Men 2×02 - Flight 1
domingo, agosto 10th, 2008Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers
Título: Flight 1
Temporada: 02
Episódio: 02
Data de Exibição: 03/08/2008
Emissora: AMC
Mais um excelente episódio de Mad Men. Alguns pontos da temporada e que haviam sido deixado de lados na season premiere começaram aparecer, sempre aos poucos, o que representa uma característica marcante da série. O bebê de Peggy, por exemplo, que nem ouvimos nada a respeito no início dessa segunda temporada, finalmente apareceu quando ela foi visitar a sua família. Mesmo tentando fugir da responsabilidade de ser mãe e apesar de fingir que nada aconteceu, é notável em algumas cenas observar que ela se importa mas, obviamente, não deixa isso claro para ninguém dentro da agência onde trabalha. De qualquer maneira, ela está passando por um processo de aceitação, não apenas de ser mãe, mas também das práticas religiosas da sua família.
Enquanto isso, a Sterling Cooper está movimentada. No episódio passado vimos a equipe de Donald Draper tentando criar uma logomarca para a Mohawk Linhas Aéreas. Em Flight 1, um terrível acidente com a American Airlines mata 100 passageiros e cria uma instabilidade muito forte dentro da agência. Os acionistas querem eliminar a conta da Mohawk e assinar com a poderosa American Airlines. Mas eles enfrentam uma resistência muito forte de Don, que é totalmente contra a substituição que eles querem fazer. Mas a Sterling Cooper estava realmente decidida e contou com a ajuda de Pete, que mesmo perdendo o seu pai que está entre os passageiros do vôo, não deixou de apoiar e de acirrar ainda mais a disputa entre ele e Donald Draper, uma concorrência que já vem desde a primeira temporada.
Com toda essa virada de mesa, começamos a perceber o que de fato é a Publicidade. A decisão da Sterling Cooper em recuperar a American Airlines e a confiança dos seus acionistas, mostra que eles estão preocupados em ter um cliente muito forte e que dará riquezas e crédito para a agência. Do outro lado, Don mostra um lado mais humano da Publicidade ao tentar respeitar os acordos que foram feitos quando a Sterling Cooper e a Mohawk Linhas Aéreas assinaram um contrato. Mas esta “humanização” da Publicidade é um romantismo, por assim dizer, que não cola na série e nem nos dias atuais, onde a concorrência e a individualidade estão cada vez mais em evidência.
E, nessa história, quem saiu perdendo mesmo foi Donald Draper. A confiança que ele possuía com todos os clientes por ser cumprir a sua palavra, foi completamente desfigurada pelo jogo de poder da sua própria agência. E Don já vinha enfrentando problemas, basta lembrar que no episódio passado ele foi pressionado para contratar novas pessoas para a sua equipe de criação. Com este fato e com a sua discordância em relação à conta da American Airlines, quem acaba surgindo com uma pessoa forte dentro da agência é Pete, na tentativa de mostrar aos acionistas que podem confiar nele e no sue potencial de persuasão para que os clientes possam assinar um contrato com Sterling Cooper. Um verdadeiro jogo, onde apenas o mais esperto pode se sair vencedor. É assim que funciona o mundo da Publicidade e Mad Men sabe explorar muito bem isso.









