Mad Men 3×05 - The Fog

Mad Men, Reviews 3 Comentários »

Atenção: os próximos parágrafos contêm spoilers

Título: The Fog
Temporada: 03
Episódio: 05
Exibição: 13/09/09
Emissora: AMC

Com a fall season, este blogueiro que vos escreve praticamente esqueceu de Mad Men. Apesar de estar acompanhando a série normalmente, os textos começaram a atrasar por falta de espaço para publicar. Mas agora, não mais. Estou retomando as resenhas e pretendo, ainda neste feriado, deixar tudo em ordem. Em The Fog, a série abordou duas questões bem interessantes. A primeira delas foi o nascimento do filho de Donald Draper. Se você está disposto a conhecer como é feito um parto natural naquela época (e talvez hoje também), não deixe de assistir a este episódio. As enfermeiras, que sempre aparecem de maneira tão simpáticas, aqui estão dispostas apenas em fazer o seu trabalho. As vontades da mãe, essas ficam em segundo plano, porque existe algo muito mais importante que é começar o trabalho de parto para que a agonia logo termine. Os pais também não são tratados de maneira tão cuidadosa, pelo contrário. Eles ficam sentados em uma sala de espera bem distante de onde acontece os partos e, dificilmente, recebem alguma notícia de como as suas mulheres estão. É agonizante para os dois, tanto para o homem quanto para a mulher. Acho importante notar estas coisas, porque a série traça pontos diferentes e nos coloca a compará-los ao que vemos hoje, uma vez que existe muita diferença de uma época para a outra. Além desta questão, Don e Bets tiveram que resolver sobre o luto que Sally está sentindo por ter perdido o seu avô. Apesar disso não ter sido mostrado em nenhum momento, vimos alguns diálogos rápidos que ajudaram a mostrar a preocupação dos pais com a sua filha.

O outro ponto interessante que pretendo comentar deste episódio se diz respeito ao preconceito da época. Pete Campbell realizou um estudo e descobriu que o seu cliente, empresários do ramo da televisão, estavam lucrando bastante com os negros, ou seja, eles estavam comprando muitos televisores desta marca. Para Pete, os acionistas deveriam aproveitar este fato e investir ainda mais em uma propaganda massiva que pudesse salientar o fato dos negros estarem comprando estas tevês. Porém, esta não foi uma tática bem vista pelos donos da marca e muito menos pelos chefões da Sterling Cooper. E isso, possivelmente, o colocará em uma posição difícil dentro da empresa. Duck Phillips retornou à série para fazer duas propostas a Pete e Peggy de uma nova oportunidade de trabalho em um local que deixassem com que eles fossem criativos. Esta é a intenção. Ambos, no primeiro momento, não aceitaram. Mas Peggy, por exemplo, já conversou com Don sobre a possibilidade de aumento. Naquele momento em que a série está se passando, os americanos tinham acabado de aprovar uma lei de “Salários Iguais” entre homens e mulheres. Foi o argumento utilizado por Peggy. Dessa maneira, não duvido que Pete tente trilhar um outro caminho, já que ele é muito egoísta para continuar dividindo uma conta com Kenny. Um episódio bastante dramático, até mesmo fugindo das características da série.

Cotação: ★★★★☆

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Mad Men 3×04 - The Arrangements

Mad Men, Reviews Sem comentários »

Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: The Arrangements
Temporada: 03
Episódio: 04
Data de Exibição: 06/09/09
Emissora: AMC

A morte de Eugene pegou todo mundo de surpresa e aconteceu no momento em que ele estava começando a se relacionar melhor com os seus netos, principalmente com Sally que, desde o episódio em que roubou dinheiro do avô e depois devolveu, passou a enxergá-lo como um verdadeiro amigo (talvez pela “falta” do pai, já que Eugene estava levando-a para o ballet, ensinando ela a dirigir e coisas do tipo). Pelo jeito, ninguém sentiu mais a morte do velho quanto ela. Isso fica explícito em uma das últimas cenas deste capítulo, quando ela se revolta com o fato da família ter achado isso tão normal. Para uma criança, é muito difícil entender a morte. Se para os adultos ela já parece algo inexplicável (mas que em algum momento vai acontecer), os mais novos demoram para aceitar que uma pessoa querida não estará mais entre eles. Talvez seja isto que aconteceu com Sally. Aliás, o roteiro deu um espaço muito grande para as duas crianças neste capítulo graças à companhia de Eugene, que faleceu vítima de um ataque cardíaco na fila do supermercado. E parecia ser uma tragédia anunciada, uma vez que no início do episódio ele começa a discorrer sobre os preparativos do seu funeral com a sua filha.

Tendo esta trama como a principal dentro do arco deste episódio, Mad Men também consolidou as suas estórias dentro da Sterling Cooper. O comercial do guaraná diet Patio, mostrado em alguns capítulos passados, teve que passar por uma reformulação e quem acabou assumindo o projeto foi Salvatore Romano. Ele se foi convidado para filmar o comercial e viu nisso uma chance de se reerguer dentro da empresa. Entretanto, a filmagem frame por frame não agradou aos investidores do Pátio e o projeto não foi adiante. Mesmo assim, nem acredito que esta tenha sido a participação crucial de Salvatore, uma vez que a cena a qual ele está com a sua esposa em casa me parece ter mais ligação com o que foi mostrado no início desta temporada. Afinal de contas, quando ele contará a verdade? Don finge que nada aconteceu e acho que Mad Men está começando a preparar o terreno para poder discorrer sobre este tema da homossexualidade naquela década. De um outro lado, apareceu um investidor querendo investir em um novo esporte para os Estados Unidos. Com ambição de torná-lo ainda mais famoso que o beisebol, o seu projeto é aparecer em todos os canais de televisão ao mesmo tempo para divulgar a nova prática esportiva. Para os criadores da Sterling Cooper, o projeto não tem nem pé e nem cabeça. E quem liga? Para eles, vivendo em Manhattan e no centro do capitalismo, o que importa é ganhar (e fazer) dinheiro.

Cotação: ★★★★☆

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Mad Men 3×03 - My Old Kentucky Home

Mad Men, Reviews 2 Comentários »

Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: My Old Kentucky Home
Temporada: 03
Episódio: 03
Data de Exibição: 30/08/09
Emissora: AMC

Às vezes o silêncio é a melhor resposta que podemos ter sobre algo. E acho que este episódio de Mad Men não poderia ter terminado de maneira melhor, com ele sendo seguido apenas por uma trilha sonora enquanto vemos o final da festa de casamento de Roger Cooper. Mas, afinal, por que o silêncio foi tão importante? Ora, ninguém enxerga este casamento exatamente com amor. Todos pensam, como Don bem descreveu, que Roger é um tolo ao largar a sua mulher e ter se casado com a sua ex-secretária. Na época, neste mundo apresentado pela série, a prática de galantear as mulheres, além da sua esposa, parecia ser algo bastante comum (como ainda até pode ser hoje, uma vez que as pessoas não estão procurando fidelidade ou amores sérios). Pensando nisso mais como uma maneira de aproveitar a vida, aos olhos de Don, Roger está apenas se entregando a uma paixão que ele não conseguirá controlar depois de um tempo.

Pra mim, o silêncio também teve outras características e se tornou emblemático para Don e Betsy. É fato que ainda não sabemos ao certo como o casal está lidando com o fato de Beth ter descoberto uma das traições de Don. Contudo, acho que ela sempre vive com esta dúvida, principalmente no momento em que a esposa de Roger quase entrega o breve relacionamento que teve com ele. E isso não abalaria apenas o casamento de Don, mas a sua própria amizade com Roger. Não esperava realmente que Mad Men trouxesse em seu final um beijo, ate “apaixonado”, entre Beth e Don. Pela maneira como as coisas ficaram estranhas, achei que o capítulo terminaria com o silêncio, sim, mas com uma abordagem ainda diferente. E isso não é ruim, pelo contrário, prova que a série tem este intuito de não fazer julgamentos ou de, pelo menos, sair um pouco dessa caricatura e conservadorismo tão exigido pelo espectador.

E esta foi uma das tramas do episódio, que se mostrou bastante melhor que o anterior em termos de ações e desenvolvimento. Enquanto as pessoas se divertiam nesta festa de noivado de Roger, Peggy trabalhava no slogan da marca de um produto no escritório. Na realidade, acho impressionante como a série vem moldando este personagem. Se lembrarmos bem, na primeira temporada ela era apenas uma secretária que se escondia dos olhares das outras pessoas. Agora, vemos nitidamente um amadurecimento estampado em seu rosto e uma independência muito maior em tomar decisões sem se importar com as consequências. Quando ela resolve fumar maconha, por exemplo, com os homens na firma, todos ficam bestificados. Peggy aparenta ser a mulher que começa a quebrar certos paradigmas, ao contrário de Joanie, que ainda estampa o fato de querer cuidar do marido. E esta é uma transformação que a série soube abordar neste episódio, certamente.

Sem deixar de mencionar, ainda, os problemas enfrentados pelo pai de Beth enquanto ele está na sua casa e convivendo com os seus netos, este capítulo de Mad Men foi infinitamente melhor do que anterior. Muito mais leve e menos cansativo, vimos até uma contagiante dança entre Pete Campbell e sua esposa na festa de noivado de Roger. E também sem deixar de citar, quase que imperceptível para quem está assistindo, discussões políticas que estavam em voga na época. Apesar da estabilidade alcançada durante esta década, é claro que se discutia as transformações do momento, principalmente de ordem cultural e da sociedade. E tendo tudo isso como pauta, acredito que Mad Men conseguiu fazer um episódio completo, sintetizando um pouco de tudo aquilo que a série procurou sempre abordar.

Cotação: ★★★★½

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Mad Men 3×02 - Love Among The Ruins

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Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers

Título: Love Among the Ruins
Temporada: 03
Episódio: 02
Data de Exibição: 22/08/09
Emissora: AMC

A Sterling Cooper vive uma crise de identidade. Os britânicos compraram grande parte das ações da empresa, mas ninguém sabe ao menos quem é de fato que manda. Neste episódio, por exemplo, Don recebeu a tarefa de salvar a conta da Madison Square Garden (espaço que hoje é um dos principais da cidade de Nova York). No entanto, sua construção acarretaria na demolição da Estação Penn, símbolo da luta dos nova-iorquinos e marco histórico da cidade. Como lutar contra isso? Simples, era inevitável que a tal arena fosse construída. Don consegue a conta, mas é surpreendido ao saber que terá que cancelá-la por uma briga de interesses entre o escritório em Nova York com a matriz em Londres. Na realidade, ninguém sabe ao certo quem manda em toda esta estória, mas o fato é que não sabemos ainda se a conta foi desativada ou se Don ainda fará alguma coisa para salvá-la.

Esse episódio de ‘Mad Men’ também explorou os conflito da família Draper. O pai de Betsy, que teve um derrame na temporada passada, está passando por problemas psicológicos incontroláveis. Para o irmão de Bets, William, ele deve ser internado em um asilo pois já não existem mais condições de continuar cuidando dele. É claro que a filha não concorda e Don, para defender a sua esposa, consegue um acordo com William para que o pai de Beth more com eles por um tempo e que a casa onde ele morava anteriormente continue intacta, já que a proposta de William seria vendê-la. Além disso, a Sterling Cooper esteve movimentada também com uma conta que a Peggy está prestes a pegar para a empresa, que é de um refrigerante Diet. É engraçado nota como, naquele tempo da década de 60, as pessoas consumiam e tinham as mesmas preocupações que alguns possuem hoje. Esse episódio foi menos intenso do que o anterior, mas de igual qualidade.

Cotação: ★★★½☆

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Mad Men 3×01 - Out Of Town

Mad Men, Reviews 3 Comentários »

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Título: Out of Town
Temporada: 03
Episódio: 01
Data de Exibição: 16/08/09
Emissora: AMC

Mad Men está finalmente de volta e com a qualidade de sempre. Para alguns, a série é bastante parada e quase não sai do lugar. Para outros (meu caso), Mad Men é envolvente, mantém o estilo de época e sabe brincar com os temas polêmicos ao passo em que desenvolve bem as suas tramas, assim como as personalidades dos seus personagens. É assim que o episódio Out of Town começa, moldando um pouco daquilo que conhecemos do Donald Draper (ou Dick) ao longo destas duas temporadas. Talvez um pouco da solidão que ele sinta venha a partir da morte prematura da sua mãe e eu poderia tentar citar outros elementos que o transformaram em um homem ambicioso e de múltiplos relacionamentos.

E a terceira temporada chega com mudanças na Sterling Cooper, principalmente porque vimos no final do segundo ano o escritório sendo comprado por uma acionista britânica. Demissões em massa e uma nova forma de governar a empresa, é assim que podemos definir os moldes que a Sterling Cooper passa a tomar. E isso define muito bem a diferença de planejamento e conduta entre britânicos e americanos, uma vez que cada um tem as suas diferenças políticas e de mercado no momento em que pensam em dirigir uma empresa. Porém, ambos pensam em uma só coisa: capitalismo. Seguindo esta tendência capitalista, a primeira coisa que o novo acionista da Sterling Cooper foi estimular a competitividade entre os próprios publicitários. Assim, foram definidos dois novos diretores de atendimento: Kenny Cosgrove e Peter Campbell. Além de acirrar a briga entre eles, o objetivo, claramente, é fazer com que ambos demonstrem resultados satisfatórios para provar quem é o melhor.

Este foi e sempre será o princípio básico do capitalismo e de qualquer mercado que preze pela concorrência, objetividade e, acima de tudo, resultados. Aliás, Mad Men vem com tramas realmente interessantes para esta nova temporada. Pelo início, é possível perceber que a série dará uma ênfase ainda maior aos relacionamentos homossexuais de Salvatore Romano, principalmente agora que o seu segredo foi descoberto por Donald Draper. A pergunta que fica é a seguinte: até quando ele conseguirá mentir? O mesmo preconceito que vimos estampado no rosto de Don, é visto de maneira diferente em Salvatore, caracterizado mais pelo olhar sorrateiro, distante e repulsivo. E são estes mesmos sentimentos vistos na sociedade da década de 60 que são polemizados no momento atual em que vivemos.

Mad Men demonstra, a cada temporada que se inicia, uma capacidade incrível de segurança por aquilo que está sendo contado. Pelo menos, esta é a impressão que o texto da série passa para quem está assistindo. Mesmo com a sua narrativa devagar, somos conduzidos de maneira peculiar em um meio de relacionamentos interpessoais e de jogos executivos que são vistos dentro da empresa. A série parece que pretende enfatizar o modelo do capitalismo, exaltando as suas características e a maneira como ele deu certo. Mais do que isso, espero que Mad Men continue a sua construção do personagem Donald Draper, que a cada novo episódio é moldado por meio de flashbacks e pelas suas próprias atitudes. Mal posso esperar para saber como o roteirista e criador da série, Matthew Weiner, fará para juntar todos estes laços e dar um sentido para tudo isso que está sendo contado.

Cotação: ★★★★★

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