In Treatment: os personagens do segundo ano

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Faz um tempinho que foi ao ar nos Estados Unidos a season finale da Em Terapia (In Treatment), porém, mesmo com o atraso, estou conseguindo tecer os comentários finais sobre a segunda temporada neste momento. Entretanto, ao invés de relatar os acontecimento da última semana (que foi a sétima), resolvi escolher meus dois personagens favoritos e fazer alguns comentários sobre eles, até para quebrar um pouco o ritmo que eu estava dando às puhlicações sobre as sessões de terapia.

Pra mim, o melhor de todos os quatro novos paciente apresentados (não estou contando com a mentora Gina) foi, sem dúvida alguma, April. Assim como a Sophie da temporada anterior, ela surge como uma adolescente, não exatamente como problemática, mas com problemas de saúde, tendo que cuidar do seu irmão autista e vivendo o medo de ter sido diagnosticada com câncer. Além disso, ela ainda precisava conviver com a falta de carinho e sensibilidade da sua mãe, que sempre a deixou muito independente. Apesar dela gostar disso e de entender as circunstâncias, ela se sente sozinha para lutar contra uma doença tão difícil.

O maior trabalho do Dr. Paul Weston durante as semanas foi fazer com que ela criasse coragem para seguir o tratamento de quimioterapia, por mais doloroso que fosse. Além disso, Paul teria ainda um trabalho muito mais árduo. Com essa sua vontade de querer sempre ajudar o seu irmão - e principalmente a sua mãe - basicamente não sobrava tempo para ela contar os próprios problemas que estava vivendo, isto é, também de se cuidar. A falta de assistência da sua mãe a chateava, uma vez que April, assim como o seu irmão, também precisava de olhares especiais por estar com câncer e também por tudo ter recaído em suas costas de uma hora para outra.

Alison Pill cria um personagem extremamente frágil ao longo das sete semanas, muito bem representado pela falta de maquiagem, que, aos poucos, vai criando a impressão do seu corpo debilitado. E este process alcança o seu clímax nas duas últimas semanas, quando as sessões de terapia  ficam mais intensas. A maneira como ela enxerga o seu terapeuta também cria empecilhos para que Paul pudesse desenvolver o seu trabalho da maneira que ele queria e a série soube explorar o lado intimista dos diálogos que ambos vivenciaram.

Depois de April, Walter se mostrou o melhor personagem. Confesso que no início eu não acreditava muito nele – um empresário bem-sucedido, mas recheado de fantasmas do passado e de insegurança. Pra começar, ele e Paul são bastante semelhantes como pessoa. Walter sempre se entregou bastante ao trabalho, ao ponto da sua filha mais nova ter se mandado para Ruanda com o intuito de alcançar a liberdade que não tinha. Paul fez o mesmo, mas caiu na armadilha de ter se apaixonado por uma paciente, de ter arruinado o seu casamento (como o seu pai o fez) e vive longe dos filhos.

Porém, a partir da quarta semana, o personagem criado por John Mahoney se torna ambíguo o suficiente para torná-lo humano em meio ao homem de negócios que ele é. A partir da sua forçada demissão, Paul consegue enxergá-lo como uma pessoa que também sofre pela culpa de certas coisas que aconteceram na sua infância (como a morte do seu irmão), assim como a viagem da filha e pelo abandono dos seus outros filhos. Não é como se Walter quisesse que isto acontecesse, mas ele sempre se mostrou muito mais preocupado com o trabalho durante 35 anos da sua vida.

Esta temporada de Em Terapia foi tão boa quanto a anterior. Os personagens novos conseguiram sustentar bem o programa e tiveram muitos episódios chocantes. As discussões entre Paul e Gina continuaram afiadíssimas, mas as sessões com a April foram complexas o bastante para torná-la o melhor personagem desta temporada, que também nos deu a oportunidade de conhecer um pouco melhor a história do Dr. Paul Weston, assim como os problemas que ele teve com o seu pai. Espero que tenha uma terceira temporada, porque uma série como esta não pode acabar tão cedo.

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In Treatment - Sexta Semana

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Esta foi a semana mais intensa da série. Talvez por estar próxima do seu final, mas seguiu de uma forma bastante dramática. O que eu mais achei interessante foi a maneira com a qual Paul começou a se questionar sobre a sua própria profissão e sobre a influência que as suas palavras exercem para os seus pacientes, principalmente as significações e (si)gnificados. De qualquer maneira, não pretendo me estender muito nesta breve introdução desta ‘Sexta Semana’, porque já comento bastante nas resenhas dos episódios. Vou deixar apenas uma frase em um determinado capítulo, como sempre veio fazendo nestas publicações. Boa leitura!

‘Deixe-me perguntar uma coisa: o que aconteceria se acreditasse nela? Se você se permitisse sentir a raiva e a tristeza que pode ter escondido por esse pai perfeito, o que aconteceria?’ - Paul Weston

(Monday: 2×26) - Mia: Esta foi a melhor sessão de Mia em cinco semanas acompanhando o trabalho do Dr. Paul Weston para entender um pouco das idealizações do seu paciente. Sempre vi a Mia como uma mulher que é muito bem-sucedida, mas que possui problemas na sua vida social que tiram a sua tranquilidade e não permite que ela seja feliz como no profissional. Porém, o mais importante aqui é perceber o quanto ela consegue criar, dentro do seu imaginário, possibildades que lhe possa fazer feliz. Ela queria muito um filho. E o que ela fez? Criou este bebê, esta nova vida, dentro de si quando, na realidade, ela nem estava grávida. Mia sempre defende o seu pai, apontando a sua mãe como a maior causadora das tragédias familiares que viveu. Entretanto, ela nunca se questionou sobre certas decisões que o seu pai tomava e que, claramente, lhe faziam sofrer. É por estes mesmos questionamentos que Paul busca as respostas para tentar ajudá-la, mas não é fácil ajudar uma pessoa que já tem conceitos pré-formados, ou opiniões pré-formadas. O que é preciso acontecer para mudar? Uma tragédia.

(Tuesday: 2×27) – April: Lembro de alguns diálogos que Paul teve com Sophie na primeira temporada e a maneira como ele se preocupava com ela, principalmente pelo tipo de pressão que ela sofria em precisar ser a melhor. Com April, é quase que o mesmo processo, com a diferença que ele precisou tomar decisões importantes em relação à ela. O exemplo claro disso se dá quando Paul abre o jogo sobre o câncer que April para a sua mãe. Se antes ele era a pessoa de confiança, a garota passou a enxergá-lo como um traidor que não cumpriu os desejos que ela tinha, que era enfrentar a doença sozinha como sempre vem fazendo durante toda a sua adolescência, passando pelos problemas sem a ajuda de ninguém. Isso trouxe independência à April, e também maturidade. Entretanto, parafraseando Paul, ‘para o bem ou para o mal, a maturidade na sociedade moderna americana se tornou sinônimo de carência e emoções, de não sentir nada profundamente’. April sente que a sua mãe deve saber das coisas, mas não exatamente por ela. Na realidade, ela quer ter o mérito quando faz as coisas certas, mas também deseja também transparecer esta pessoa madura que ela acha que se tornou.

(Wednesday: 2×28) – Oliver: Com certeza, um dos melhores episódois desta segunda temporada. Pelos diálogos, pela maneira que foi desenvolvido, pelas decisões importantes e pela atuação dos atores envolvidos nesta mise-en-scène. Além disso, a situação de Oliver é aterrorizante e choca o espectador, aquele que não está acostumado com tal descaso familiar. Os pais do garoto representam as típicas pessoas que não programaram o momento correto de se tornarem pais e, de alguma forma, acaba culpando-o por algo que eles mesmos fizeram. A mãe culpa o ex-marido por ela ter passado 12 anos de sua vida se dedicando a cuidar do garoto, enquanto que o pai não consegue ao menos se culpar porque nem ele mesmo sabe como se relacionar com o seu próprio filho. Toda essa discussão começou a partir do momento em que a mãe de Oliver recebe uma proposta de trabalho irrecusável. Para isso, ela terá que se mudar e o garoto não quer isso para si. No entanto, Luke também não deseja ficar com Oliver por não ter tempo de cuidar do seu filho. Como resolver este impasse? Ele até sugere: deseja morar com Paul, o terapeuta no meio de toda essa bagunça familiar. Por mais que tenha sido algo ficcional, sabemos que isso acontece diariamente no mundo. E é algo que realmente irrita, choca e aterroriza.

(Thursday: 2×29) – Walter: Quando alguém é um executivo de alta importância, é normal que ele se sinta pressionado em querer sempre dar o seu melhor no trabalho. É normal também que ele se esqueça quem de fato ele realmente era antes de assumir tal cargo. Em outras palavras, a crise existencial de Walter - que o levou à tentativa de suicídio - faz parte de uma série de problemas que começaram a aparecer com a acusação que sofreu sobre a polêmica do leite em pó. Com isso, a culpa praticamente tomou o seu cérebro, uma vez que ele não mais exercia a função de antes (já que ele precisou renunciar o cargo). Com esta alta dose de emoções, ele fica perplexo quando Paul começa a divagar para ele os seus compreendimentos em relação ao que está acontecendo, enquanto Walter queria desesperadamente uma liberação do hospital psiquiátrico. A perplexidade de Walter atinge um clímax de maneira espetacular, interpretando de maneira igual por John Mahoney que, mesmo sendo orgulhoso e de se envergonhar facilmente, não sente a mínima vergonha de explodir os seus sentimentos de confusão com um choro sincero, como alguém que busca e atrai respostas para entender o que está acontecendo consigo mesmo. Agora que a série está chegando próximo ao seu final, vemos os personagens cada vez mais carregados de uma intensidade emocional, sendo que Paul tem que saber como controlá-las.

(Friday: 2×30) – Gina: Não sou terapeuta, como bem devem saber. Não sei exatamente qual o código de ética - ou de regras - que regem a profissão ou aquilo que pode atormentar qualquer pessoa que trabalhe com seres humanos, capazes de errarem, de sentirem emoções e de estarem atrás de respostas acreditando que a terapia poderá lhe apontar todos os caminhos para o acerto. Meu entendimento para a fúria do Dr. Paul Weston é exatamente esta: ele está cansado das pessoas acharem que a terapia resolverá todos os seus problemas. Na realidade, ele está exausto dos seus próprios pacientes, o que levou-lhe a crer que o seu trabalho não está bem feito e que ele é um péssimo terapeuta. A discussão fervorosa entre ele e Gina representa a divergência de opiniões de cada um (um talvez um profissional da área e até mesmo um estudante poderia explicar melhor a cena). No entanto, eu a vi como um ataque de pânico de ambos os personagens por se enxergarem em um beco sem saída para ajudar os seus pacientes. Sentar e apenas ouvir parece ser algo muito fácil, mas tudo se complica quando a vida dos seus pacientes começa a ter relação com fatos que marcaram o seu passado. Eu entendo os dilemas de Paul, porque são os mesmos que convivo comigo mesmo diariamente. A terapia com Gina serve apenas para ele colocá-los para fora, vivendo tão sozinho em companhia apenas dos seus pacientes, sempre em busca de ajuda e de respostas para os problemas que os perseguem.

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In Treatment - Quinta Semana

In Treatment, Reviews 3 Comentários »

Mais uma semana de episódios de In Treatment. Acabei esquecendo de colocar no fim de semana passado, mas vamos em frente. Essa semana foi tão conturbada e dramática quanto a anterior, ainda com Paul de luto pela morte do seu pai, talvez até esperada, mas que ele nunca poderia imaginar a dor que iria sentir quando chegasse este momento, de ver o seu pai partindo e sem ter tido a mínima oportunidade de conhecê-lo, uma vez que tudo que ele fez na vida foi culpar o seu pai pelo abandono da família e pelo suicídio da sua mãe. De qualquer maneira, a paciente que continua chamando mais atenção é a April. E por essa razão, deixo aqui uma frase dita por ela em um determinado momento da sua sessão com o Dr. Paul Weston:

“Todos nós temos nossas batalhas para lutar”. - April

(Monday: 2×21) - Mia: Não vou julgar a normalidade das pessoas que procuram fazer terapia, porque isso definitivamente não cabe a mim comentar. Porém, Mia é uma pessoa altamente desequilibrada, no sentido de não saber exatamente o que quer, de não saber para onde vai seguir. Antes de tudo, esse episódio é o contraste da tristeza de Paul pela morte do seu pai, uma pessoa que ele passou grande parte da sua renegando e culpando pelo falecimento da sua mãe, e pela felicidade de Mia, que está grávida. Mas, quem é o pai? Nem mesmo ela sabe. Na verdade, ela não entende o conceito do que é ser mãe e isso foi um dos motivos para me deixar nervoso em grande parte do episódio. A sua irresponsabilidade e egoísmo criaram em mim uma revolta muito grande, por ela não saber talvez o bem sagrado que carrega. E, ao mesmo tempo em que Mia acha que pode ser mãe, no outro momento ela contradiz com pensamentos que divagam pela sua complexa mente. Somente Paul para ter paciência ao ouvir tudo isso.

(Tuesday: 2×22) – April: “Todos nós temos nossas batalhas para lutar”, disse Paul Weston. E é verdade. Cada um tem as suas próprias responsabilidades e os próprios sonhos para serem alcançados. Ainda lamentando a perda do seu pai, mas tendo também que ajudar April na sua ‘batalha’ contra o câncer, Paul mostrou ser um ser humano bastante resistente, assim como a sua paciente. Ainda sem ter contado para os seus pais do terrível momento que está passando, April se apóia nos ombros do seu terapeuta, que não pode desempenhar as duas funções ao mesmo tempo, de ser um amigo e de ser um médico. Mais uma vez, Alison Pil demonstra mais uma interpretação marcante em um episódio, que transforma a sua personagem April em uma pessoa que, mesmo com as fraquezas do catéter e da doença, consegue reunir forças para se manter em pé e disposta. É sim, de forma inquestionável, o melhor personagem desta temporada de In Treatment, por todas estas sessões que tenho visto e por todos os momentos singulares e ímpares que tenho “presenciado”.

(Wednesday: 2×23) – Oliver: É engraçado como os personagens cada vez mais se aproximam da vida do Dr. Paul Weston. Antes mesmo de começar a sessão, ele estava com um paciente que lhe contava a maneira como ele não conseguiu fazer sexo com uma mulher. E isso foi o que aconteceu entre Paul e Laura, quando ele resolveu se entregar àquele amor proibido, entre o terapeuta e a sua paciente. Feita esta reflexão, este episódio se concentrou muito mais no pai de Oliver do que efetivamente nele. E, mais uma vez, pudemos ver como as estórias estão interligadas, de alguma maneira. Quando Luke começa a falar dos problemas que ele teve na infância com o seu pai e o seu medo de estar se tornando com o seu “velho”, novamente deve ter passado um filme pela cabeça de Paul, porque é exatamente o mesmo sentimento que ele nutriu pelo seu pai durante muito tempo. Depois da sua morte, ele demonstrou luto e o respeito que ele nunca havia deixado transparecer. De certa forma, o contrário aconteceu com Luke, uma vez que ele e o seu pai nunca estiveram muito próximos. Talvez seja por isso que Paul tenha estado cada vez mais cansado, por encontrar em seus pacientes uma grande relação com as coisas que ele já viveu e continua vivendo.

(Thursday: 2×24) – Walter: Parece que Paul está mesmo condenado ao seu passado, não é possível. Todos os seus pacientes parecem ter um ímã de degradação, que nem mesmo ele consegue medir. Mal ele conseguiu se recuperar do suicídio cometido por Alex – que lhe está rendendo até um processo –, ele já precisa se mergulhar novamente em um outro processo como este. Pra mim, mais cedo ou mais tarde, Walter também tentaria suicídio por não conseguir suportar a pressão que a imprensa tem feito, principalmente também pela culpa que ele sente por ser um dos responsáveis por esta crise envolvendo os remédios da sua companhia. Ainda assim, Paul entra em um grande dilema. Porém, dessa vez ele parece muito mais preparado para enfrentar isso. Quando Walter fala “está tudo bem”, Paul logo se remete ao Alex dizendo “eu posso voar”. São dois personagens que viviam conturbados e presos a um passado de culpa, medos, pressões e responsabilidades. Foi um episódio com diálogos intrigantes e que ainda nos deu a oportunidade de conhecer Natalie, a filha que Walter tanto falava nas sessões.

(Friday: 2×25) – Gina: Se já é difícil para Paul lidar com os problemas dos seus pacientes, imagina quando se trata de questões familiares. A morte do seu pai lhe trouxe esperanças de que ele poderia reunir novamente a sua família e que ele sentia falta daqueles momentos. Paul, então, tentou se abrir e pediu a Kate uma nova chance de reconciliação. Mas ele foi surpreendido (ou não) ao saber que a sua ex-esposa está saindo com uma nova pessoa. Pra mim, seria este o teor dos diálogos entre Gina e Paul. Pois bem, eu estava enganado. O centro das discussões foi a morte do pai do Dr. Weston, o funeral e a maneira como ele estava lidando com a dor. Obviamente, ele se culpa por tudo o que aconteceu. Apesar de saber que foi abandonado, de ter crescido sozinho e de ter visto a sua mãe se suicidar, Paul acabou percebendo que o seu pai era uma boa pessoa e o valor só foi dado quando ele já estava sem pulso, completamente imóvel em seu leito de morte. É claro que Gina tentou contornar a situação, porque nem tudo é culpa sua. Além disso, o episódio ainda teve bons diálogos entre Paul e o pai de Alex, que decidiu retirar as acusações de negligência em troca de uma carta escrita pelo próprio Paul, que lhe garanta que o terapeuta errou durante o processo clínico do seu filho. Não é uma carta para ser mostrada a ninguém, mas a garantia de um pai,que ainda não conseguiu a morte do filho, e vive desesperado por justiça.

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In Treatment - Quarta Semana

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Agora que estou com mais tempo para escrever, todo final de semana vou deixar aqui os comentários de In Treatment. Eu já estava fazendo isso anteriormente, mas estou mesmo com escassez de horários, que já está normalizando e eu me adequando a eles. No mais, esta quarta semana foi extremamente pertubadora para Paul e os seus pacientes, com exceção de Mia. Todos tiveram dramas suficientes para atormentá-lo, além das próprias angústias que ele possui, que são muitas. Cada vez mais gosto da April e da maneira como os roteiristas estão desenvolvendo o seu personagem, fazendo até mesmo com que Paul saísse da sua condição de terapeuta para um ser humano normal, ou um pai que sente falta dos seus filhos. Mesmo assim, ainda fico com uma frase emblemática do Dr. Weston em seu diálogo com Gina, que reproduzo logo abaixo:

“Eu odeio a minha vida. Ela está despedaçada. Cada dia dói mais”

(Monday: 2×16) - Mia: A pergunta latente na cabeça de Mia é a seguinte: o que eu quero pra vida? Mas existe o outro lado do seu cérebro que tem o desejo de fazer com que ela própria se sinta parte de algo ou de alguma coisa. Por isso ela está sempre falando de Bennet, ou do amor que eles deveriam viver. E também, por esta razão, ela está sempre se relacionando com pessoas casadas, sem a oportunidade de se apegar e de construir uma relação. Ela quer se sentir diferente, por isso chegou para a terapia com Paul e, ao invés de se sentar no Divã, foi direto para cozinha para tomar o café da manhã atrasado. Dentre as possibilidades que se torne possível construir a sua personalidade, Mia é alguém que necessita de assistência por já ter 43 anos e ainda não ter construído uma família, ou também pela rejeição da sua mãe. Enfim, questões que a terapia do Dr. Paul Weston vai resolver, ou não.

(Tuesday: 2×17) – April: Até o momento, este foi o melhor episódio desta temporada. Dramático, emocionante, pertubador e com diálogos complexos em meio a uma doença também complexa: o câncer. April não conseguiu contar para a sua mãe o momento terrível que está passando, principalmente pelo medo com que vive, sem querer entregar o seu corpo à quimioterapia. Tendo que também cuidar do seu irmão Daniel, que é autista, ela não consegue achar tempo para se preservar, para se tratar. Cada vez mais ela aparece sem maquiagem e com o rosto completamente abatido, o que provoca uma discussão fervorosa entre Paul e ela, já que ele também está cansando de vê-la morrer gradativamente. April confia plenamente no seu terapeuta a ponto de “pedir” a sua ajuda para que a leve no hospital e que ela comece o tratamento de quimioterapia. Interpretações fantásticas de Gabriel Byrne e Alisson Pill garantem a qualidade deste incrível episódio.

(Wednesday: 2×18) – Oliver: A metodologia de Paul para compreender Oliver parte primeiramente da própria compreensão dos seus pais. Dito isso, explicar o porquê da mãe do garoto ter tirado férias neste exato momento, pode ser vista como uma tentativa dela descansar o seu corpo (a explicação mais óbvia), mas também pode se chegar a conclusão de que ela esteja tendo um ato irresponsável (a explicação dada por Paul) ao “abandonar” o seu filho quando ele realmente precisava de suporte. Ao contrário do que se pode pensar, Oliver não faz nenhum tipo de drama, se portando como uma “criança adulta”, que é capaz de tomar conta de si mesmo. Mas como fazer quando a sua mãe viaja e o seu pai está sempre preocupado com o trabalho? Como chamar para si esta atenção? Oliver é um garoto que vive sofrendo bullyng na escola, sem ao menos saber como revidar isso. Cabe, então, aos pais educá-lo para as adversidades, algo que não tem acontecido.

(Thursday: 2×19) – Walter: O grande dualismo deste personagem – e o principal para que Paul possa ajudá-lo – é quanto à culpa que ele sente por tudo o que aconteceu ao seu redor, mesmo não sendo necessariamente ele o culpado. Se a sua filha está em Ruanda, Walter credita isso ao fato de não ter dado a ela o carinho que ela merecia. Se ele perdeu o seu irmão muito cedo, o fantasma da culpa está lá para atormentá-lo, como se ele fosse o responsável pelo pequeno ter pulado do penhasco e nunca mais ter voltado. Agora, a sua demissão forçada da empresa que ficou durante 35 anos comandando os negócios, a culpa vai muito além do que apenas ele se culpar; a própria imprensa está no seu encalço devido à morte de bebês por conta de uns remédios fabricados de maneira errônea há tempos atrás. Por mais que Paul tente se concentrar nestes esforços que Walter tenha para ser a pessoa leal, sempre vai existir uma barreira impedindo que Paul possa desenvolver a sua terapia, com o intuito de observá-lo mais de perto para entender o que está acontecendo.

(Friday: 2×20) – Gina: “Eu odeio a minha vida”, disse Paul em um determinado momento da terapia com a sua mentora Gina. O desespero do Dr. Weston atingiu um ponto em que ele não consegue mais suportar absolutamente nada. O formato deste episódio ajuda a entender isso. Dividido entre três momentos, o primeiro deles Paul passa com Tammy (um antigo caso seu); o outro ele está com Gina, tendo a sua sessão normal de terapia para desabafar aquilo que o pertuba (que são muitas coisas nesse momento; e, por último, ele finalmente tomou coragem para visitar o seu pai, cada vez mais perto da morte. Paul, afinal, sempre culpou o seu ‘velho’ pelo suicídio da sua mãe e por isso nunca teve a capacidade de perdoá-lo. Mas não é somente por conta disso que Paul odeia a sua vida. Além de tratar os seus pacientes e de viver amargurado, ele também precisa se preocupar com a acusação de negligência no tratamento de Alex. Com uma atuação perfeita de Gabriel Bryne (ele tem que ser ao menos indicado para o Emmy de Melhor Ator), que nos elucida cada vez mais a sua feição depressiva, Paul está tentando se segurar nos seus pacientes mas sabe que, em um momento, ele pode perder tudo aquilo que passou uma vida construindo.

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In Treatment - Terceira Semana

In Treatment, Reviews Sem comentários »

Estou um pouco atrasado com os comentários semanais de In Treatment, mas vamos seguindo em frente. Dessa vez – e daqui por diante – não colocarei mais o rating dos episódios. Não acho que seja justo eu fazer uma qualificação, uma vez que todos os capítulos são sessões de terapia e fica muito difícil julgá-los pela qualidade. Portanto, traçarei apenas comentários e ficarei aguardando pelos de vocês, para saber a opinião de quem assistiu. É melhor dessa maneira, pelo menos não fico numa situação difícil. Só preciso dizer mais uma coisa: a April é a melhor personagem desta temporada!

(Monday: 2×11) - Mia: Com Mia, parece que todos os assuntos de transferência sexual voltam á tona quando eles relembram do passado. No entanto, para ela o que mais vale é falar da vida sexual entre Paul e Laura. Ela está tão preocupada em compreender a estória dos dois, que se esquece dela mesma. Ciúmes? Talvez ela fique pensando na maneira como afasta os homens, ou naquilo que deveria acontecido entre os dois quando ela se apaixonou pelo seu terapeuta, há 20 anos. A bem verdade é que Mia, claramente, tem uma personalidade complicada no que diz respeito aos homens, não apenas porque ela os afasta, mas porque ela os obriga, os pressiona, a expressar os sentimentos da maneira que lhe é conveniente, da maneira que ela mesma possa se sentir segura. Talvez Mia esteja testando o Paul, como ele mesmo disse.

(Tuesday: 2×12) – April: Os diálogos entre April e Paul são curiosos e geniais. Primeiro, porque ela pede para ir mais cedo à sessão, uma vez que ela não conseguiu dormir por conta do seu projeto final de arquitetura. Contando os motivos que lhe levou a ter insônia, Paul chega até o assunto envolvendo a quimioterapia e a importância de fazê-la. É então que April começa a discorrer sobre os seus sentimentos. Não sei se a palavra “ciúmes” é a mais adequada, mas é como ela se sentisse menos assistida do que o seu irmão. Talvez por ele ser um garoto com uma doença especial, isso gerou em sua mãe uma assistência muito maior, fazendo com que April se tornasse uma pessoa independente. Pode também não ser ciúmes, talvez seja outra coisa. O seu medo de contar sobre a sua condição médica é exatamente de provocar em sua mãe uma dor muito grande, que ela não esteja pronta para suportar. Mas é ai que entra Paul e a sua função como terapeuta: e se ela não contar, o que a sua mãe irá pensar? Será que ela conseguiria se recuperar caso April morresse?

(Wednesday: 2×13) – Oliver: Enfrentar a separação dos pais, por si só, já é algo bastante complicado para alguém de 10 anos. Imagina agora que ele precisa fingir estar se sentindo bem com um para que as brigas possam cessar e eles terem uma vida mais “normal”. Oliver está no meio de uma guerra, no meio da infelicidade do casamento dos seus pais. Porém, o que mais impressiona é que existe um elo de ligação entre ele e Paul, a partir do seu filho Max. Por isso ele quer conhecê-lo, para ver que existem outras crianças como ele, que passaram (e passam) pelo mesmo momento. Aliás, o episódio já começa com uma conversa um pouco tanto melancólica entre Paul e o seu filho. É evidente quando ele tenta ajudá-lo a fazer uma boa Redação para recuperar a nota ruim que tirou, mas Paul não está lá presente.

(Thursday: 2×14) – Walter: Sempre me pareceu que Walter era uma pessoa controladora, sempre pensando que estava no comando. Por ele ser um empresário bem-sucedido, isso o fez com que a sua visão para determinadas coisas ficassem ofuscadas. Uma delas é a sua filha Natalie, que, talvez para fugir do seu pai resolveu ir para Ruanda. Porém, Walter sempre a achou diferente dos seus outros filhos e por isso também foi fazer uma visita, que não foi exatamente como ele gostaria que tivesse sido. Se Walter exerce uma pressão em cima da sua filha, ele recebe do outro lado por conta dos negócios e por gerenciar uma empresa de grande porte. Ainda assim, ainda não sei definir qual o tipo de tratamento que Paul pensa em desenvolver para este paciente, uma vez que ele ainda é uma incógnita.

(Friday: 2×15) – Gina: As conversas com Gina são sempre as melhores. Primeiro porque temos a oportunidade de mergulhar na mente de dois terapeutas e segundo porque vemos Paul também como uma pessoa humana, e não apenas como alguém inalcançável. É isso o que muitos pensam sobre eles, mas Paul vive atormentado pelos traumas que passou na infãncia com a separação dos pais, com as tentativas de suicídio da sua mãe, com o fato do seu pai estar sempre com alguma mulher fora do casamento. São flashes na sua mente que o fazem lembrar de Oliver e do trabalho que ele terá para que esta criança não passe pelas mesmas coisas que ele passou. Mesmo depois de 40 anos, Paul ainda tem medo de visitar o seu pai, já quase morrendo por conta do Mal de Alzheimer. Mas o seu medo vai além disso: ele não quer ter que lembrar do trágico fim que a sua mãe teve, assim como o fato dele ter cuidado dela até os últimos momentos. Paul vive com a culpa de não ter salvado a sua mãe e com o medo de se tornar como o seu pai.

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