Faz um tempinho que foi ao ar nos Estados Unidos a season finale da Em Terapia (In Treatment), porém, mesmo com o atraso, estou conseguindo tecer os comentários finais sobre a segunda temporada neste momento. Entretanto, ao invés de relatar os acontecimento da última semana (que foi a sétima), resolvi escolher meus dois personagens favoritos e fazer alguns comentários sobre eles, até para quebrar um pouco o ritmo que eu estava dando às puhlicações sobre as sessões de terapia.
Pra mim, o melhor de todos os quatro novos paciente apresentados (não estou contando com a mentora Gina) foi, sem dúvida alguma, April. Assim como a Sophie da temporada anterior, ela surge como uma adolescente, não exatamente como problemática, mas com problemas de saúde, tendo que cuidar do seu irmão autista e vivendo o medo de ter sido diagnosticada com câncer. Além disso, ela ainda precisava conviver com a falta de carinho e sensibilidade da sua mãe, que sempre a deixou muito independente. Apesar dela gostar disso e de entender as circunstâncias, ela se sente sozinha para lutar contra uma doença tão difícil.
O maior trabalho do Dr. Paul Weston durante as semanas foi fazer com que ela criasse coragem para seguir o tratamento de quimioterapia, por mais doloroso que fosse. Além disso, Paul teria ainda um trabalho muito mais árduo. Com essa sua vontade de querer sempre ajudar o seu irmão - e principalmente a sua mãe - basicamente não sobrava tempo para ela contar os próprios problemas que estava vivendo, isto é, também de se cuidar. A falta de assistência da sua mãe a chateava, uma vez que April, assim como o seu irmão, também precisava de olhares especiais por estar com câncer e também por tudo ter recaído em suas costas de uma hora para outra.
Alison Pill cria um personagem extremamente frágil ao longo das sete semanas, muito bem representado pela falta de maquiagem, que, aos poucos, vai criando a impressão do seu corpo debilitado. E este process alcança o seu clímax nas duas últimas semanas, quando as sessões de terapia ficam mais intensas. A maneira como ela enxerga o seu terapeuta também cria empecilhos para que Paul pudesse desenvolver o seu trabalho da maneira que ele queria e a série soube explorar o lado intimista dos diálogos que ambos vivenciaram.
Depois de April, Walter se mostrou o melhor personagem. Confesso que no início eu não acreditava muito nele – um empresário bem-sucedido, mas recheado de fantasmas do passado e de insegurança. Pra começar, ele e Paul são bastante semelhantes como pessoa. Walter sempre se entregou bastante ao trabalho, ao ponto da sua filha mais nova ter se mandado para Ruanda com o intuito de alcançar a liberdade que não tinha. Paul fez o mesmo, mas caiu na armadilha de ter se apaixonado por uma paciente, de ter arruinado o seu casamento (como o seu pai o fez) e vive longe dos filhos.
Porém, a partir da quarta semana, o personagem criado por John Mahoney se torna ambíguo o suficiente para torná-lo humano em meio ao homem de negócios que ele é. A partir da sua forçada demissão, Paul consegue enxergá-lo como uma pessoa que também sofre pela culpa de certas coisas que aconteceram na sua infância (como a morte do seu irmão), assim como a viagem da filha e pelo abandono dos seus outros filhos. Não é como se Walter quisesse que isto acontecesse, mas ele sempre se mostrou muito mais preocupado com o trabalho durante 35 anos da sua vida.
Esta temporada de Em Terapia foi tão boa quanto a anterior. Os personagens novos conseguiram sustentar bem o programa e tiveram muitos episódios chocantes. As discussões entre Paul e Gina continuaram afiadíssimas, mas as sessões com a April foram complexas o bastante para torná-la o melhor personagem desta temporada, que também nos deu a oportunidade de conhecer um pouco melhor a história do Dr. Paul Weston, assim como os problemas que ele teve com o seu pai. Espero que tenha uma terceira temporada, porque uma série como esta não pode acabar tão cedo.

































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