Sundance ‘10: confira os vencedores

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O Festival de Sundance chegou ao fim, tendo mais uma edição dedicada especialmente à produção independente. A certeza que fica é que, mesmo com o fechamento da Miramax e com a falta de distribuição, enquanto o Sundance existir poderemos continuar imaginando que as produções deste gênero tenham espaço. Para tanto, é cada vez melhor acreditar que exista público para elas, como é possível ver na plateia lotada em Park City. Mais do que um mero texto onde apresento os vencedores, falo como um blogueiro que ama a produção independente e que, como qualquer um, fica esperando para que elas possam chegar aos nossos olhos. Existem grandes obras (como devem existir muitas ruins também), que precisam ser vistas por todos nós. São filmes que invocam estéticas cinematográficas de diretores que se preocupam em passar mensagens, em transmitir propósitos e, principalmente, que querem preencher o espaço da produção com a arte de continuar fazendo cinema com amor.

E, assim, sem mais delongas, confira os vencedores do Festival de Sundance 2010:

- Competitiva Internacional

Prêmio Especial do Júri para Documentário: “Enemies of the People”
Prêmio de Melhor Documentário Cinematográfico: "His & Hers”
Prêmio de Melhor Edição em Documentário: “A Film Unfinishied”
Prêmio de Melhor Direção em Documentário: Christian Frei, por “Space Tourists”
Prêmio do Grande Júri para Documentário: “The Red Chapel”
Prêmio Especial do Júro para Melhor Atuação: Tatiana Maslany, por “Grown Up Movie Star”
Prêmio de Melhor Filme Dramático: “The Man Next Door”
Prêmio de Melhor Roteiro: “Southern District”, por Juan Carlos Valdivia
Prêmio de Melhor Direção: “Southern District”
Prêmio do Júri para Melhor Filme Internacional de Ficção: “It’s Animal Kingdom”
Prêmio de Melhor Apresentação pelo Youtube: “Homewrecker”
Prêmio da Audiência de Melhor Documentário: “Waste Land”

- Competitiva Americana

Prêmio Honda de Audiência de Documentário: “Waiting for Superman”
Prêmio Honda de Audiência de Drama: “Happythankyoumoreplease”
Prêmio da Audiência de Melhor Drama: “Contracorriente”
Prêmio Especial do Júri para Documentário: “GasLand”
Prêmio Especial do Júri para Drama: “Sympathy for Delicious”
Prêmio de Excelência em Documentário: “The Oath”
Prêmio de Excelência em Drama: “Obeslidia”
Prêmio de Melhor Edição em Documentário: Penelope Falk, por “Joan Rivers: A Piece of Work” 
Prêmio de Roteiro Waldo Salt: Debra Granik and Anne Rosellini, por “Winter’s Bone”
Prêmio de Melhor Direção em Documentário: Leon Gash, por “Smash His Camera”
Prêmio de Melhor Direção em Drama: Eric Mendelsohn’s, por “3 Backyards”
Prêmio do Grande Júri para Documentário: “Restrepo”
Prêmio do Grande Júri para Drama: “Winter’s Bone”

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Sundance ‘10: a premiere de “The Runaways”

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A história do filme é sobre a banda The Runaways, centrada em especial nas integrantes Joan Jett e Cherie Currie. O grupo alcançou imenso reconhecimento como a primeira banda de sucesso de rock formada apenas por mulheres, na década de 70. Além de Jett e Currie, Runaways contava com a baterista Sandy West, a guitarrista Lita Ford e a baixista Jackie Fox. A banda permaneceu unida durante quatro anos, terminado em função de problemas com dinheiro e empresários. Escrito e dirigido por Floria Sigismondi, o filme será lançado dia 19 de março de 2010 nos Estados Unidos. No Brasil, ainda não há data prevista, mas já se sabe que o filme será distribuido pela Paris Filmes.

Críticas da ex-guitarrista
Em entrevista ao site da Rolling Stone EUA, Lita Ford, ex-guitarrista do The Runaways, criticou a produção da cinebiografia sobre a banda. Prestes a lançar Wicked Wonderland, primeiro álbum de estúdio desde 1995, Ford contou que não irá se envolver com o longa.

“Só quero que as pessoas saibam que não tenho nada a ver com o esse filme”, disse. “O agente de Joan [Jett] ofereceu alguns milhares de dólares para comprar os direitos sobre minha história de vida. Achei isso nojento - nunca respondi de volta.”

Apesar de não ter problemas pessoais com Joan Jett, Ford apontou o agente como o responsável por uma “guerra” entra as duas, o que viria acontecendo desde 1985. “Até agora, mantive a boca calada e não sei como alguém como ele passa tanto tempo tentando destruir a carreira de outra pessoa”, explicou. “Joan e eu não fizemos nada para machucar uma a outra. Sempre amei Joan. Não sei qual é o problema dele.”

- Confira algumas fotos da premiére e da coletiva de imprensa

Kristen Stewart interpreta Joan Jett

Joan Jett: a própria também estava em Sundance

Direção do filme ficou a cargo de Floria Sigismondi

Kristen Stewart participou de uma entrevista coletiva

Atriz respondeu sobre “The Runaways” e “Welcome to The Rileys

“The Runaways” chega em março nos Estados Unidos

- Confira o trailer do filme

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Sundance ‘10: o destino de Pablo Escobar

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Um impressionante documentário apresentado neste sábado no Festival de Cinema de Sundance, em Park City (Utah, EUA), conta a história do único filho do traficante colombiano Pablo Escobar, que decidiu viajar à Colômbia para se reconciliar com as vítimas de seu pai.

A produção do argentino Nicolas Entel, de 34 anos, revela pela primeira vez o testemunho de Sebastian Marroqui, que junto com sua mãe decidiu romper com o passado, mudar de nome e de país: os dois moram na Argentina desde a morte de Escobar, assassinado pela polícia em 1993.

“Um amigo produtor, na Colômbia, sugeriu que eu fizesse um documentário sobre Pablo Escobar”, contou à AFP Nicolas Entel, cujo filme, entitulado “Pecados de mi padre” (”Os pecados do meu pai”, numa tradução livre), participa da competição oficial do festival de Sundance, que termina em 31 de janeiro.

“Eu queria fazer algo novo, com um ponto de vista diferente, e tive a ideia de contar a história através de seu único filho”, explicou.

“Depois disso, passei seis meses tentando convencê-lo, para que se animasse a participar do projeto. Ele já havia recusado mais de 50 propostas, entre elas Hollywood. Em grande medida ele as recusou porque eram tentativas de explorar o nome de Pablo Escobar, dar glamour ao estilo de vida do gângster”, estimou Entel.

Sebastian Marroquin, nascido Juan Pablo Escobar, é um homem na casa dos 30 anos, pacífico, de voz serena e olhar triste. Se mostra surpreendentemente tranquilo apesar de seu conflito interior, entre o amor filial por um pai que adorava e a rejeição ao monstro que causou a morte de milhares de pessoas. Segundo o cineasta, ele sente tristeza porque “sabe que perdeu o direito de se expreesar”.

“Darei um exemplo bobo. Se você faz algo muito ruim e eu digo (…) ‘vou te matar’, você sabe que eu não vou te matar, que estou falando no sentido figurado. Se ele diz algo assim e tiram isso de contexto, no dia seguinte estará na capa de todos os jornais que o filho de Pablo Escobar ameaçou alguém de morte”, disse.

No filme, Sebastian Marroquin comenta as principais fases da vida de seu pai, mas a história gira na verdade em torno de seus esforços de reconciliação com os filhos de Rodrigo Lara Bonilla, ex-ministro da Justiça colombiano, e de Luis Carlos Galán, ex-candidato à presidência da Colômbia, ambos mortos por seu pai. A ideia de reunir os filhos de Bonilla e Galán veio do próprio Entel, e acabou aceita por Sebastian Marroquin.

“No começo eu tinha este sonho. Era um sonho, um disparate impossível. Para que o encontro acontecesse, um monte de gestos precisaram ser feitos no mundo real”, contou o cineasta argentino. A reunião, que aconteceu em solo colombiano, é um dos pontos altos do documentário.

“O ‘establishment’ colombiano se assustou e começou a nos criticar. E isso porque as conexões entre Pablo Escobar e o ‘establishment’ colombiano, os políticos, os empresários, os meios de comunicação, nunca foram devidamente investigadas. Então tem gente muito poderosa na Colômbia que não quer uma discussão séria sobre Pablo Escobar ainda”, explicou Entel.

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Sundance ‘10: a dura realidade da guerra

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Depois de terem vivido durante um ano com 15 militares americanos em uma das regiões mais perigosas do Afeganistão, os autores de “Restrepo” levaram neste sábado às telas do Festival de Sundance o inferno da guerra para os soldados, em um excepcional documentário.

Apresentado na competição oficial, a produção era uma das mais esperadas da vigésima sexta edição do maior festival de cinema independente dos Estados Unidos, que acontece até o dia 31 de janeiro em Park City, na região das montanhas de Utah (oeste).

Entre 2007 e 2008, os jornalistas de guerra Tim Hetherington e Sebastian Junger acompanharam um pelotão de soldados no vale afegão de Korengal, um bastião talibã na fronteira com o Paquistão.

A dupla compartilhava tudo com os militares: das condições de vida espartanas, entre o enorme tédio e a constante tensão, aos ataques dos insurgentes, em meio a raros momentos de leveza.

“De fato, nenhum jornalista jamais fez isto, sobretudo durante a duração de uma missão”, destacou Hetherington, que recebeu quatro prêmios da prestigiada organização World Press Photo.

“Então, decidimos passar muito tempo com eles, o que foi possível”, contou à AFP.

“Há 22 milhões de famílias americanas com filhos, irmãos ou cônjuges que estiveram ou estão no exército e querem saber como foi o que eles viveram. Este filme mostra isso”, acrescentou.

“A ideia era fazer um filme apenas sobre a experiência dos soldados”, explicou Junger, correspondente de guerra e escritor, autor do best-seller “Mar em fúria” (”The perfect storm”), que foi adaptado para o cinema com o ator George Clooney.

“Eles deixaram que nós entrássemos em suas vidas e aceitaram que filmássemos tudo. Nunca nos esconderam nada”, afirmou Hetherington.

Os autores, por sua vez, também não escondem nada. Nem sequer a morte, que predomina nos primeiros minutos do documentário, com um ataque dos talibãs que custou a vida do médico do pelotão, Juan Restrepo, cujo nome será usado por seus companheiros para batizar uma posição avançada tomada dos insurgentes.

Apesar do perigo e da extrema violência de algumas situações, os autores nunca deixaram de filmar.

“Só desliguei a câmera uma vez, quando um homem começou a chorar enquanto falava de um de seus amigos, que havia morrido”, admitiu Junger.

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Sundance ‘10: a briga por distribuição

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sundance-film-fest-2010Buscando evitar a extinção dos filmes independentes em Hollywood, pode estar próximo o tempo em que algumas produções de baixo custo sejam exibidas do lado de fora dos cinemas, e não nas salas de exibição.

A ideia - de distribuição alternativa de filmes para assinantes de videos por TV a cabo (algo como um pay per view) ou sistemas de televisão por satélite e a internet - é o que alguns dos envolvidos com a produções independentes estão apoiando no maior evento do setor, realizado nesta semana, o Festival de Sundance.

O segmento de filmes de baixo custo, que produziu obras como o vencedor do Oscar “Quem quer ser um milionário?”, vem enfrentando momentos difíceis já que equipamento digital de baixo custo e um influxo de investidores estimularam uma enxurrada de filmes justo no começo de uma recessão.

Defensores de lançamentos para atender uma demanda já definida dizem que a distribuição alternativa aponta meios para produtores com pequeno orçamento lucrarem sem terem de competir pelo espaço limitado dos cinemas.

Para promover a ideia, o Festival de Sundance está lançando três filmes, incluindo o documentário de Michael Winterbottom, “The shock doctrine”, que pode ser visto por usuários que pagarem, por meio de um novo programa chamado Seleção de Sundance. Cinco outros filmes estarão no YouTube.

“A beleza deste modelo (o pay per view) é que você remove da equação uma porção de entraves da distribuição”, disse Jonathan Sehring, presidente da IFC Entertainment, que está trabalhando com o Sundance.

Tradicionalmente, um distribuidor paga uma taxa ao produtor para lançar o filme. Desembolsa muito menos do que custou a produção e lhe promete uma fatia dos lucros, que pode nunca ser paga se o filme for um fracasso de bilheteria.

Ao usar o sistema pay per view na TV ou downloads da Web, os filmes independentes podem definir mais claramente o público e evitar o gasto de milhões de dólares para divulgar um filme nos cinemas, dizem os defensores da ideia. Alguns cineastas gostam da proposta porque seus filmes serão vistos. Distribuidores esperam novos clientes, fora dos tradicionais espaços dedicados à arte nas grandes cidades.

“Achamos que não podemos sobreviver como empresa se não fizermos um esforço conjunto para compreender o mercado, compreender o público, compreender quais as diferentes oportunidades que estão lá”, disse Christine Walker, dirigente da Werc Werk Works, cujo filme “HOWL” abriu o festival.

A Works é uma entre várias produtoras independentes que estão encontrando público por meio do sistema pay per view ou downloads, fato que, segundo ela, levou à colaboração entre distribuidores e produtores de cinema. “Talvez o distribuidor não ganhe tanto quanto teria num esquema tradicional, mas ele também não estará arriscando muito”, disse ela.

Nolan Gallagher, fundador e CEO da Gravitas Ventures, afirmou que sua empresa agora lança cerca de 300 filmes por ano pelo sistema pay per view em 40 operadoras de TV a cabo e que a indústria já está num ponto em que um produtor pode obter lucro por meio do pay per view.

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