Dirigido por Nicolas Winding Refn. Com: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Ron Perlmann, Christina Hendricks e Oscar Isaac. (idem, 2011)
Às vezes fico bastante tempo sem postar aqui no blog, deixando ele meio esquecido e fora dos “holofotes”. É bem verdade que, neste período, precisei cuidar do meu outro espaço (o Louco por Séries). Isso tomou praticamente todo o meu tempo, já que eu não conseguia manter os dois blogs funcionando perfeitamente. Acredito que isso seja impossível nos dias de hoje, com tantas coisas para serem feitas ao mesmo tempo e tendo “apenas” 24 horas para resolvê-las. Só mesmo Jack Bauer consegue.
Em alguns outros momentos deste blog, o Sob a Minha Lente ficou bastante tempo sem uma postagem sequer. Ele passou por repaginações ao longo dos anos para que, entre outros motivos, pudesse me dar novamente vontade de postar nele. Dentre os motivos principais estão os filmes, logicamente, que eu assisto. Há tempos que não me empolgo com nenhuma produção, um problema que foi resolvido ao assistir Drive, filme que deu ao diretor Nicolas Winding Refn o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes deste ano.
Na tevê, tem sido comum os canais fechados apostarem em anti-heróis. Veja, por exemplo, o caso de Dexter ou de Walter na série Breaking Bad. São personagens tidos como heróis e protagonistas em suas respectivas histórias, mas guardam dentro de si ações que, dentro da convenção social, não são dignos de heróis. Que tipo de herói mata uma pessoa para apenas saciar o seu desejo de matar? Que tipo de pessoa trafica cocaína porque está com um câncer terminal e tem poucos meses de vida, colocando a família em risco?
Drive se encaixa neste panorama ao apresentar o Motorista (Gosling) que ganha a vida como dublê, mas que tem um outro trabalho que consiste em ser o motorista de ladrões que desejam fugir dos locais que roubam. O Motorista não quer saber o que vai ser roubado ou quem está contratando os serviços. Ele quer apenas fazer a sua parte e voltar para casa.
Sob a tutela do personagem não ter um nome, rememorando os filmes de Sergio Leone da década de 70, o diretor Nicolas Winding Refn faz um trabalho de direção interessante com o ator Ryan Gosling. Este pouco fala durante toda a película. Enquanto isso, o diretor mantém um mistério em torno do seu personagem, que nem mesmo o seu mentor Shannon (Cranston) sabe exatamente quem é. As coisas ficam realmente difíceis quando o Motorista se apaixona por Irene (Mulligan) e se envolve, além disso, com mafiosos liderados por Bernie Rose (Brooks) e Nino (Perlman).
Baseado no livro do americano James Sallis, o argumento de Drive poderia dar errado ao contar uma história que, aparentemente, não levaria a lugar nenhum. O interessante é que o roteiro oferece reviravoltas que prendem a atenção do espectador. A começar pela interpretação de Ryan Gosling, cuja mudanças de comportamento representam um importante estudo do filme. Perceba como o seu olhar muda quando ele está na companhia de Irene, sendo um homem mais solto, mais falante e dando mais risadas. Ao contrário disso, na cena do hotel e do elevador, ele mostra a sua outra face, de um homem frio, calculista e selvagem.
O diretor Nicolas Winding Refn, aliás, cria um bom ambiente para o seu filme ao perceber que o seu protagonista não tem nome. Ao invés de entregar uma roupagem atual, ele parece ambientar a sua película na década de 80 ao contar com o importante trabalho do compositor Cliff Martinez. Ele entrega uma trilha sonora oitentista, cheio de hits e que dá um tom antigo ao filme (ainda que ele seja extremamente contemporâneo). A fotografia de Newton Thomas Sigel também ampara esta ambientação com cores frias que remetem ao personagem.
E se a direção acerta na maneira como conduz e enquadra o seu personagem motorista, ela também sustenta um clima de claustrofobia ao trazer algumas cenas em stop-motion – ou outras em close-up. Esteticamente, Drive é um filme cheio de artimanhas interessantes que estão a serviço da história. A violência, que até lembra os filmes de Quentin Tarantino, dão um toque grotesco a um roteiro que não tem vergonha alguma de mostrar o lado sombrio do seu personagem.
Rating: 4 estrelas





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