Archive for the 'Cinema' Category

Bahia sedia 1º Festival de Cinema Universitário

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

festival Tenho ouvido um burburinho sobre este evento a um grande período aqui pela cidade. Mas agora foi finalmenete confirmado. O 1º Festival de Cinema Universitário da Bahia acontecerá de 14 a 18 de outubro de 2010, no Centro Universitáro Jorge Amado. Durante uma semana Salvador será pólo de discussão, produção e difusão do cinema universitário brasileiro.

Voltado à produção universitária nacional, o Festival tem o objetivo de trazer filmes experimentais com uma linguagem cinematográfica própria, nos mais variados formatos.

Ao todo o Festival selecionará 50 curtas-metragens que serão divididos em uma Mostra Informativa (40 filmes) e a Mostra Competitiva (10 filmes). Os 10 realizadores finalistas serão convidados para participar do evento em Salvador.

Serão distribuídos R$ 12.000,00 em prêmios.

Programação
Além da exibição dos filmes experimentais da Mostra Informativa e da Mostra Competitiva, o festival também pretende buscar interação e discussão sobre o cinema, consolidando atividades paralelas para quem deseja participar. Ainda não sei dizer se serão palestras ou mesas-redondas aos modos do Semcine, mas a intenção dos organizadores é não apenas ficar restrito ao campo da projeção.

Cães de Aluguel

terça-feira, agosto 31st, 2010

4342154300_73f2f14f08_o
Dirigido por Quentin Tarantino. Com: Michael Madsen, Steve Buscemi, Quentin Tarantino, Tim Roth, Harvey Keitel, Lawrence Tierney, Chris Penn e Edward Bunker. (Reservoir Dogs, 1992)

O cinema americano na década de 90 passava por uma crise existencial e também criativa. A indústria tinha problemas em lançar novos diretores, assim como filmes que poderiam surpreender um público cada vez mais exigente em querer assistir novas histórias. Quem surgiu para dar um fim nesta crise foi Quentin Tarantino, um cara desconhecido e ex atendente de locadora que, com Cães de Aluguel e Pulp Fiction, mudaria completamente a forma de se fazer cinema naquela época e passando a ser um dos diretores mais cultuados até o presente momento.

A primeira cena de Cães de Aluguel possui a marca do cinema de Quentin Tarantino. Seis caras começam a conversar sobre o significado da música “Like a Virgin”, da cantora Madonna. Enquanto isso, um outro mais velho fica repetindo nomes da sua agenda. Todos bem vestidos, de terno e gravata, passam a discutir diversas músicas da cantora Madonna e cada um apresenta teorias diversificadas sobre o que cada letra poderia dizer. Aparentemente, a cena pode não significar absolutamente nada, mas ela se torna um marco por definir o cinema que o Quentin Tarantino começaria a fazer a partir deste filme (e daquela cena).

Assim surge Cães de Aluguel, um filme que conta a história sobre um grupo de assaltantes contratado para roubar uma joalheria. O plano todo daria certo se não fosse por conta de um informante que estaria infiltrado no grupo, responsável por fazer com que o roubo não desse certo e se tornasse uma verdadeira bagunça. Tarantino inova por construir o seu longa-metragem a partir de uma narrativa completamente diferente, não seguindo a linearidade dos fatos. Ao contrário do óbvio que poderia ser, ele não mostra o roubo na joalheria, mas sim o que acontece dentro do galpão que seria o ponto de encontro para eles.

Quanto mais o filme avança, ele vai se tornando extremamente perturbador. E isso acontece, principalmente, pela presença do Sr. Pink (Buscemi, em belíssima interpretação), pois ele vive se questionando quem poderia ser o traidor do grupo. E a narrativa de Tarantino vai ganhando força com o uso do flashback para apresentar a forma como os personagens embarcaram naquela aventura. O recurso narrativo, aliás, é muito bem utilizado e organizado pelo diretor porque ele demonstra uma tranquilidade absurda em saber definir o tempo de apresentar os personagens, com o clímax e o desfecho que viria logo a seguir.

No entanto, Cães de Aluguel tem um problema que às vezes é muito comum nos roteiros de Tarantino: a repetição. Em uma cena, por exemplo, “quando aquele que seria conhecido como o traidor” começa a contar uma piada que permanece em quatro quadros diferentes. A cena é bem construída, mas se torna repetitiva e, por mais que Tarantino queira demonstrar o quanto a história era bem-humorada, a verdade é que a piada não é exatamente engraçada como o diretor poderia imaginar. Mas nem mesmo isso tira o brilho do roteiro escrito por Tarantino e, principalmente, pela sua criatividade em transformar histórias (ou diálogos) aparentemente banais em algo interessante e inventivo.

Os cenários também criados em Cães de Aluguel funcionam para o filme. O galpão, que é onde toda a ação acontece, tem exatamente as características de um esconderijo. E é nele que o elenco de Cães de Aluguel demonstra que estava realmente em sintonia. Aos poucos, cada um daqueles que estavam envolvidos no assalto vão aparecendo. A narrativa vai se tornando mais ágil, tomada por um suspense em relação ao que seria feito a partir do momento em que eles descobrissem quem seria o traidor. Tarantino preserva a sua forma intrigante de contar esta história até o último minuto do filme literalmente. Os seus planos de câmeras, a sua montagem em sintonia com uma edição muito bem arquitetada, ajudam a transformar a sua história em algo bem armado e que prendem o espectador a ficar atento a cada detalhe que é colocado na tela.

Dá para dizer que, desde 1992 (ano em que Cães de Aluguel foi lançado), Quentin Tarantino vem fazendo o que se chama de “cinema de autor”. Cada obra que ele realiza é possível reconhecer as características que fazem parte da sua narrativa. A montagem que muitas vezes não segue a linearidade da narrativa, a violência explícita das cenas, o roteiro com diálogos cujas referências estão ligadas à cultura pop americana. As banais discussões também ganham momentos de tensão em seus filmes como, por exemplo, no mesmo Cães de Aluguel quando Steve Buscemi reclama de ter recebido o nome de “Sr. Pink” ou, ainda, quando ele também fala sobre o porquê de não dar gorjetas.

Assim como os filmes que Quentin Tarantino iria dirigir posteriormente, Cães de Aluguel segue a tendência de ser trágico e violento, inovador e original, engraçado e dramático. A violência exagerada que pode ser vista nas cenas de tortura de um policial dentro do galpão onde os assaltantes se encontrariam, também faz parte do cinema idealizado por Tarantino. Além disso, o diretor analisa, de maneira indireta, a psicologia de cada personagem que ele construiu, principalmente em relação às ações que eles tomam ao saberem que o assalto não teria dado certo. Por mais que o filme se torne repetitivo e até prolongue a história do Sr. Orange, Cães de Aluguel, para mim, não é um marco do cinema, mas foi ele o responsável por lançar um diretor que veio a se tornar um marco para a cinematografia mundial.

Cotação: ★★★★☆

Tags: , , , ,

Nosso Lar

sexta-feira, agosto 27th, 2010

CartazNossoLar_embaixa
Dirigido por Wagner de Assis. Com: Renato Prieto, Fernando Alves Pinto, Rosane Mulholland, Inez Viana, Rodrigo dos Santos, Werner Schünermann e Ana Rosa. (idem, 2010).

Nosso Lar envolve uma questão de Fé que vai muito além de apenas assistir ao filme. Falando por mim, não acredito na Vida após a Morte. Para se envolver no roteiro escrito por Wagner de Assis, baseado em livro psicografado por Chico Xavier, precisa exatamente desta Fé na relação da vida material com a vida espiritual. Porém, dá para ver realmente os esforços de Wagner de Assis em fazer um filme que não pudesse ser voltado apenas para os espíritas, mas também para um público de uma maneira. Ele se esforçou, mas acredito que não tenha alcançado o resultado satisfatório.

André Luiz (Prieto) é um médico renomado e que sempre deu muito mais importância ao trabalho do que para a família. Em um certo dia, ele morre por conta de uma doença e acorda na umbra (uma espécie de limbo ou purgatório). Os primeiros defeitos de Nosso Lar começam a ser apresentados logo nestas primeiras cenas, quando Wagner de Assis dá a impressão de que está fazendo um filme de terror, colocando uma trilha bastante pesada, tendo focos bruscos nos "rostos desfigurados" dos seres humanos que estavam ali por conta das suas personalidades quando estavam "presos" à matéria.

Não há como precisar o período que André Luiz fica preso naquele mundo, mas depois ele é "salvo" e "levado" para um outro plano onde as pessoas vivem como uma verdadeira comunidade, existindo leis, governantes e organização. André Luiz, obviamente, acorda cheio de perguntas. Mas, antes mesmo de começar a respondê-las, as pessoas que cuidavam dele parecem ter algum poder de cura que conseguem adquirir naquele mundo. A partir daí, o filme se desenrola (ou se enrola) com algumas questões que beiram demais o que costumo chamar de "brega".

Pra começar, o "poder verde" que sai das mãos das pessoas que viviam no “nosso lar” se encaixa nesta terrível definição. O visual também imposto pela fotografia de Ueli Steiger também ajudam a retratar a desagradável experiência que é assistir este filme nos cinemas. Sem contar que os figurinos, com todos vestindo as mesmas roupas naquele branco que mais parece comercial de sabonete em pó, também cai no velho clichê que vemos em diversas novelas (e em outros filmes) em relação ao modo como as pessoas se vestem. A única personagem que usa uma roupa diferente é a Eloisa (Mulholland). E será que isso acontecia porque ela ainda não estava pronta para aceitar aquele mundo espiritual no qual ela estava?

Analisando os aspectos cinematográficos do filme, dá para dizer que a obra não soa interessante. Pelo contrário, ela se torna bastante cansativa. O próprio André Luiz, protagonista da história, acorda com uma série de perguntas. Sem muito tempo para desenvolver todas aquelas indadações da personagem, Wagner de Assis pula os estágios e o faz compreender todas aquelas dúvidas que outrora faziam parte da sua mente de uma maneira muito rápida. Os diálogos, aliás, não fluem com naturalidade. Parecem ter sido escritos com o objetivo de serem declamados, como se o filme fosse uma peça teatral. E é uma pena que as palavras ditas pelos atores (até a própria narração) dêem a impressão de estarem vagas no espaço (ou no plano espiritual).

Nosso Lar pode causar efeitos em quem acredita nesta doutrina mas, ainda assim, acredito que o filme tem um visual que vai muito além da realidade. Independente da religião ou do fato de acreditar ou não, o espírito de André Luiz não consegue causar envolvimento. A sua história é tão vaga e mal desenvolvida que, em nenhum momento da produção, é possível se interessar pela sua trajetória em querer rever a família e de ser uma pessoa melhor naquele plano em que ele estava. Nosso Lar tem uma mensagem positiva nesse sentido, de imaginar que existe uma vida após a morte, de que as pessoas podem conseguir se reencarnar depois de um período e, a partir dali, ter uma outra experiência.

A trilha de Phillip Glass, que é um dos elementos que se salvam nesta obra de Wagner de Assis, é extremamente bonita se ouvida fora do filme. Dentro da sua narrativa, ela está completamente mal inserida. Em alguns momentos, Glass adota claramente um tom mais rápido em sua trilha tentando manter um certo suspense, ou criando uma ação para a história que é mórbida e lenta. No entanto, Wagner de Assis não consegue controlar a sua história - apesar da sua tentativa em querer fazer algo bom.

Com uma boa produção, Nosso Lar não consegue fugir daquele mesmo visual apresentado por novelas como "A Viagem" e a recente "Escrito Nas Estrelas". Porque, no final, "Nosso Lar" não passa de uma novela disfarçada de filme.

Cotação: ★☆☆☆☆

Tags: , , , ,

Fale com Ela

segunda-feira, agosto 23rd, 2010

BannerAlmodovar

falecomela_2002_poster
Dirigido por Pedro Almodóvar. Com: Javier Cámara, Darío Grandinetti, Leonor Watling, Rosario Flores, Maríola Fuentes e Geraldine Chaplin. (Habble con Ella, 2002).

Em comum, deve existir nas relações humanas algum tipo de obsessão que, pode não ser escancarada, mas que pode ocorrer. Ser uma pessoa obsessiva não faz parte exatamente da modernidade e do mundo em que vivemos. Muito pelo contrário: ter uma personalidade como esta é sinal de que você nunca vai conseguir se inserir nos meios sociais (ou que vai ser tratado sempre como algum tipo de maluco). Ao contrário do que possa aparecer, Fale com Ela é um filme que transcende de uma maneira simpática e meio complexa. O diretor Pedro Almodóvar, que também é o roteirista do longa-metragem,  trata da amizade entre dois homens como pano-de-fundo para falar sobre a obsessão do amor ou, ainda, sobre a questão que envolve a solidão e o que as pessoas são capazes de fazer para não viverem dessa forma.

Benigno (Cámara) é visto logo na primeira cena da película sentado em uma poltrona e assistindo uma peça de teatro. Aos poucos, as lágrimas começam a escorrer do seu rosto. Quando ele sai do espetáculo, parte para o hospital onde trabalha para contar a experiência que teve para uma paciente. Alicia (Waitling) é o grande amor da vida de Benigno. Quando a história de Almodóvar volta ao tempo, ele acaba mostrando a obsessão que ele tinha por aquela linda dançarina de balé que o fazia ficar horas e mais horas em pé na janela observando-a dançar. No entanto, um acidente de carro faz com que Alicia fique gravemente ferida e entre em coma. Por causa disso, Benigno se torna Enfermeiro e passa a cuidar da garota, conversando e mantendo uma relação com ela como se os dois fossem casados e tivessem uma vida pela frente.

Já Marco é um jornalista que escreve para o El País e também chegou a assistir a mesma peça que Benigno havia se emocionado. Naquela época os dois não conheciam, mas parece que o destino deu um jeito de uní-los para que eles pudessem construir uma bela amizade. Marco se vê em uma situação parecida quando Lydia (Flores), toureira profissional, acaba sofrendo um acidente na arena e também entra em coma. Benigno e Marco passam a se encontrar regularmente no hospital conversando com as suas mulheres mas, em um determinado momento, Marco acaba deixando essa vida de lado para continuar viajando e escrevendo guias de viagem, enquanto que Benigno pensa em se casar, constituir uma família e viver para sempre juntos.

Ainda que o filme mostre sempre as duas mulheres em coma e extremamente mórbidas, Almodóvar sabe deixar a obra sensual o suficiente para que possamos entender a obsessão de Benigno, principalmente. Em um determinado momento, quando ele vai dar o banho em Alicia, ele acaba se lembrando de um filme-mudo que havia assistido e as cenas começam a ficar sobrepostas em sua cabeça. A sua atração por Alicia já vinha desde os tempos em que ela era bailarina e, naquele instante, havia aumentado com a possibilidade que ele tinha de realizar os seus desejos. Por isso que, no final, Fale com Ela acaba não se tratando exatamente de uma amizade mas, sim, desta obsessão que se nutre por um amor, fazendo com que o ser humano aja de maneira descontrolada e impulsiva.

Grande parte das cenas de Fale com Ela se passa dentro da clínica, mas constantemente o roteiro dá giros no tempo. Vai ao passado e complementa uma determinada história para depois retornar ao presente e complementá-la de alguma forma. São nestas idas e vindas que Marco e Benigno acabam constituindo um laço de amizade muito forte. E mesmo quando o Enfermeiro se encontrava em uma situação difícil, Marco tenta salvá-lo da obsessão que ele tinha. Talvez neste momento Almodóvar possa deixar o público com um pouco de dúvida em relação ao que acontece. Se talvez Marco tivesse contado a verdade, será que o futuro de Benigno poderia ser diferente? Como se pode imaginar no início da película, o destino é feito de acontecimentos inesperados e Fale com Ela deixa isso claro ao se aproximar do encerramento da sua narrativa.

Aqui em Fale com Ela não se vê tanto das cores vivas e fortes utilizados por Almodóvar em seus filmes (algo que também inexiste em Má Educação). No entanto, o resultado da fotografia de Javier Aguirresarobe é marcado por tons azuis que expressam um pouco da depressão vivida por conta da solidão de Benigno. Este é um outro tema muito bem retratado durante o filme porque, ao contar melhor a história deste personagem, Pedro Almodóvar deixa claro que podem existir “motivos” para ele fazer o que está fazendo. Isso não quer dizer, no entanto, que as suas ações e os seus atos são corretos. E ele se mostra tão depressivo e longe da sua realidade, que isso contrasta exatamente com o seu amigo Marco, um cara que consegue ter mais equilíbrio e sabe lidar melhor com as perdas e os momentos ruins. Neste jogo de duas personalidades distintas, Fale Com Ela se torna um filme muito mais masculino do que feminino.

Nesta linha tênue entre a loucura e a insanidade, Fale com Ela se sai como uma obra praticamente perfeita.  De alguma forma, Tudo Sobre a Minha Mãe e Fale Com Ela parecem estar interligados. O primeiro acaba quando se revela um palco teatral, exatamente como o segundo começa. Mas as coincidências podem parar por aí. É claro que Pedro Almodóvar nos coloca em uma posição para refletir acerca do que acontece com os seus personagens, principalmente pela amizade inesperada que é formada. Mais do que isso, mesmo quando ele quebra o seu filme e exibe o curta do cinema-mudo espanhol Amante Minguante que conta a fábula de um homem que tomou uma porção e ela começou a fazer com que ele diminuísse sendo que, a metáfora principal para a relação do curta com o filme de Almodóvar, está exatamente na atração que os homens possuem para estarem na companhia do corpo de uma mulher. Fale com Ela é cheio de emoção e conta a sua história nas entrelinhas, como se um monólogo contado da forma mais sutil possível.

Cotação: ★★★★★

Tags: , , ,

Mercenários, Os

terça-feira, agosto 17th, 2010

Os-Mercenários-Poster-697x1024
Dirigido por Sylvester Stallone. Com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, David Zayas, Giselle Itié, Gary Daniels e Mickey Rourke. (The Expendables, 2010)

O primeiro passo importante para assistir Os Mercenários é que o próprio filme não se leva a sério. Dirigido por Sylvester Stallone, o ator dos clássicos de ação como Rambo, Cobra, dentre outros, aproveitou esta produção para reunir os maiores astros deste gênero da última década. A história é o que menos importa. Stallone se propõe a fazer um resgate da construção de um gênero que, em sua forma mais pura, pode até ter andado meio perdido (o que, para muitos, pode não ser uma verdade). Em meio a esta reunião da “trupe da pancadaria”, a proposta de Stallone para quem está assistindo é apenas de fazer uma homenagem aos filmes de ação das décadas de 80 e 90. Com os clichês de sempre e as pirotecnias criadas por Hollywood, Os Mercenários causou burburinho apenas pelas declarações do seu diretor sobre a experiência de ter filmado no Brasil.

A história pode não ser importante, mas ela é necessária como pretexto para as explosões e perseguições que se vê no filme. Barney Ross (Stallone) ganha a vida matando pessoas e monta uma equipe para aceitar uma oferta de trabalho do agente do governo americano (aqui interpretado por Bruce Willis, que faz pequenas aparições ao longo do filme). Assim, Barney reúne o que de melhor se poderia existir em termos de pancadaria. Cada um dos componentes tem uma determinada característica. Gunner (Lundgren) é o descontrolado da turma; Jet Li surge como o interesseiro; Lee (Strathaim) é o especialista em facas, enquanto que Mickey Rourke interpreta ele mesmo.

Toda esta equipe parte em uma missão para tentar derrubar um ditador em um país fictício da América Latina. Assim, eles conhecem Sandra (a brasileira Itié), que faz o tipo de mulher sul-americana enxergada pelos americanos. Ela é uma revolucionária e surge como uma guerrilheira que tem o objetivo de defender o seu povo das mazelas do ditador (interpretado por David Zayas, da série Dexter). No entanto, Stallone não demonstra controle em relação às cenas que dirige. Com todo este elenco que, claramente, desfalcado de outros que preferiram não participar do projeto, o filme se torna vago. Mesmo assim, não é o seu objetivo apresentar um grande roteiro, inteligente e perspicaz. A produção é de puro entretenimento, divertido e até provoca algumas gargalhadas em quem assiste.

E o pretexto utilizado por Stallone é o fio condutor para começar a se explodir coisas, realizar pirotecnias com as cenas de ação que, de alguma forma, marcaram as décadas de 80 e 90. Quem não assistiu aos clássicos Cobra, Rambo, e mesmo Assassinos (no qual ele atuou ao lado de Antonio Banderas)? Aos seus parceiros, Jason Statham se caracterizou pelos filmes frenéticos de ação como Caos, Adrenalina, Carga Explosiva e outros que o definiram como um ator deste gênero. Jet Li com o seu Beijo do Dragão, O Confronto, dentre outros, também dá a sua contribuição para o filme de Stallone, que nada mais é do que uma mistura de todos estes filmes citados (e também de outros que não foram).

Ainda que o roteiro de Stallone não deva ser levado a sério, é impossível não criticar o fato das ações de Barney serem motivadas pela sua paixão por Sandra. Os dois não apresentam nenhum tipo de química no filme, fazendo aquele típico “casal sem graça”. Stallone já teve companhias melhores em suas produções explosivas (não desmerecendo a beleza de Giselle Itié). Porém, a maior das críticas é feita pelo próprio Stallone. Ao resgatar este gênero que ele ajudou, de alguma forma, a construir nos anos 80 e 90, ele parece dizer que as produções que são feitas atualmente não possuem a mesma qualidade daquelas do passado (sem contar dos atores aqui reunidos por ele sendo eles, na cabeça do Stallone, os verdadeiros responsáveis pelo gênero e pelo seu sucesso).

Não importa se o roteiro tem brechas, ou se Stallone conduz mal a direção do seu filme, ou se alguns diálogos surgem forçados, ou se o casal não tem química alguma. Nada disso vai fazer diferença para o espectador que deseja ver explosões, pancadarias, perseguições e muita zuada. Nesta proposta a que Os Mercenários tem como objetivo, Stallone consegue entregar um filme que cumpre esta promessa. Com as pontas de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis, o elenco cheio de estrelas parece ali todo reunido. Mas a sensível falta de Jean-Claude Van Damme é sentida, com certeza. Ele, que preferiu não participar do projeto, também faria estragos em meio às explosões programadas por Stallone.

Os Mercenários é engraçado em alguns momentos (até por ver toda esta trupe reunida para salvar o mundo, mesmo tendo que destruí-lo aqui e ali). Além disso, o filme também é uma homenagem para estes atores e, principalmente, para as produções de ação encabeçadas por eles. Dessa forma, não há muito o que se pedir ou analisar de um filme como este. Só resta assistir e se divertir.

Cotação: ★★☆☆☆

Tags: , , , ,