As maletas com os vencedores no momento de sua chegada ao Teatro Kodak
Pra mim, foi uma das cerimônias mais chatas que já assisti do Oscar. Não sei se é porque os filmes também não me chamaram muita atenção, ou se foi porque tiraram as notas musicais ou se foram as mudanças como um todo. Não sei exatamente o que foi, mas não gostei. Aliás, o palco foi a única coisa que eu realmente apreciei. A criação do arquiteto David Rockwell estava belíssimo. Mas estou aqui para falar um pouco sobre os vencedores do 82ª Edicão do Academy Awards, a maior festa do cinema e que movimenta bilhões (viram a briga da Disney com uma outra emissora de Nova York e o corte da transmissão de vinte minutos?). Disputa acirrada como essa também se viu na premiação, tendo Guerra ao Terror de um lado e Avatar do outro.
Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite com seis estatuetas
No entanto, o grande vencedor da noite foi o filme dirigido por Kathryn Bigelow recebendo seis estatuetas contra três de Avatar. Isso prova, de alguma maneira, que os votantes da Academia ainda não estão prontos para as novas diretrizes que poderiam ser criadas caso o filme de James Cameron tivesse tornado o maior vencedor (comentarei isso durante a semana). Guerra ao Terror acabou vencendo prêmios que até não eram esperados como, por exemplo, Melhor Roteiro Original para Mark Boal quando todos esperavam pela vitória de Quentin Tarantino e o seu Bastardos Inglórios. Nas categorias de Melhor Som, a disputa era acirrada com Avatar, mas o filme de Bigelow conseguiu também vencer e isso o fez ainda mais favorito para a premiação.
A vitória de Avatar em Melhor Direção de Arte e Efeitos Visuais
Em Melhor Roteiro Adaptado, a vitória foi de Geoffrey Fletcher, que assinou o roteiro de Preciosa, um dos filmes mais fortes que já vi nos últimos anos. Em alguns momentos, me senti completamente impotente em relação àquela história (eu queria pular da poltrona e entrar no filme, mas isso é impossível). Com isso, desbancou Amor Sem Escalas que era, até então, o favorito a vencer. Ainda antes destes prêmios, Christoph Waltz já ganhava a sua estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no filme Bastardos Inglórios. No seu discurso de agradecimento, fez questão de homenagear as possibilidades criadas pela mente de Quentin Tarantino que, segundo ele, estava sempre pensando na história e em uma maneira de deixar os atores livres para atuarem.
O favorito Christoph Waltz não deixa de admirar o Oscar
Seguindo na categoria de Coadjuvante, mais pra frente Mo’Nique faria um discurso emocionado ao vencer por Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Preciosa, no qual ela faz um papel realmente difícil ao interpretar uma mãe que violenta a sua filha a todo instante, completamente desequilibrada e levando estes problemas para a educação difícil que ela teve. Aplaudida de pé, ela tentou segurar o choro durante alguns momentos, mas estava completamente emocionada ao falar das dificuldades que teve e, principalmente, de dizer que havia se espelhado na sua própria vida para criar este personagem.
Sandra Bullock venceu os prêmios de Pior Atriz e de Melhor Atriz neste ano
Quem também se emocionou foi Sandra Bullock, que levou a estatueta de Melhor Atriz. Um discurso que tinha por intuito chamar atenção para a importância de ser mãe, ela agradeceu por aqueles que estiveram com ela, os que também não estiveram, os que criticaram, os que disseram que ela não estava na moda ou coisas do tipo. Problemas que ela passou por cima e deu a resposta aos críticos, mesmo porque a sua atuação em The Blind Side é maravilhosa (ainda que eu quisesse que a Carey Mulligan pudesse ter vencido). Como Melhor Ator, finalmente a Academia resolveu premiar Jeff Bridges depois de quatro indicações.
Depois de quatro indicações, Jeff Bridges conseguiu a sua primeira estatueta
Assisti ao filme Crazy Heart horas antes do Oscar e fiquei impressionado com a sua atuação. O filme é bom para quem gosta da música country e deseja conhecer mais um pouco (a trilha sonora é linda), mas Jeff Bridges está realmente impecável. O seu único problema foi o discurso, agradecendo a muitos nomes e deixando de mencionar o quanto o prêmio era importante. Mas o seu carisma não tem limites (a plateia o aplaudiu de pé neste momento). Aliás, este problema do discurso havia sido alertado pela Academia que havia pedido que os vencedores evitassem ficar agradecendo a tanta gente já que se torna algo chato e realmente enfadonho.
Juan José Campanella foi premiado pelo ótimo O Segredo dos seus Olhos
E o que dizer, por exemplo, da categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Enquanto todos achavam que a disputa estava entre A Fita Branca, que venceu todos os prêmios e era o favorito, e Un Prophete, que havia ganho o BAFTA (Oscar britânico), quem acabou vencendo mesmo foi o argentino foi O Segredo dos seus Olhos. Juan José Campanella não sabia para onde ir, se falava em espanhol ou em inglês, se agradecia ou se demonstrava o quanto estava emocionado e surpreso. Foi uma das gratas surpresas desta edição premiar este excelente drama argentino.
Guerra ao Terror mostrou a força do filme feito com um pequeno orçamento
E o que dizer de Melhor Filme e Melhor Direção? Logo quando anunciaram a vitória de Guerra ao Terror e Kathryn Bigelow, não pude me conter de felicidade. Tenho escrito alguns textos recentemente um pouco tanto revoltados sobre esta indústria cinematográfica que acha que o valor das produções é o suficiente para sair vencendo prêmios ou coisas do tipo. Com Avatar. o cinema passou a pensar diferente e em apenas uma plataforma: o 3-D. A vitória de Guerra ao Terror é uma resposta para os que pensam assim. Um filme pequeno, que foi lançado primeiro em DVD aqui no Brasil e depois nos cinemas, desbancando Avatar, a produção de maior bilheteria de todos os tempos. É realmente de se aplaudir o que os votantes da Academia fizeram. Viva o Cinema!













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