Brüno

By Vinícius Silva. Filed in Cinema, Críticas, Podcast  |  
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Dirigido por Larry Charles. Com: Sacha Baron Cohen, Gustaf, Hammarsten e Clifford Bañagale. (idem, 2009)

‘Para eu ser uma celebridade, tenho que me tornar uma pessoa hétera como o Tom Cruise, John Travolta e Kevin Spacey’. É seguindo por este tom de ironia e sarcasmo que somos conduzidos a uma estória cômica, engraçada e ao mesmo tempo crítica. Sacha Baron Cohen se livra de Borat para fazer Brüno, um repórter gay fashionista, e austríaco, que deseja se tornar tão famoso quanto Adolf Hitler. Ele já consegue ser visto por todos os países de línguas germânicas, menos a Alemanha. E o seu objetivo é fazer com que todos possam conhecer o seu programa (lê-se: ele mesmo).

Depois que ele é despedido do seu programa sobre moda, Brüno começa a cruzar o mundo e parte para Los Angeles, o lugar perfeito para se falar sobre o mundo das celebridades. Bruno é viagem do personagem-título para conseguir se tornar famoso, não importando o que deve ser feito para que isso aconteça. Dividido de forma episódica (ou em esquetes, como foi Borat), o longa-metragem nos conduz entre as atrapalhadas e bem boladas piadas e histórias do seu personagem, assim como os seus momentos de queda, reflexão e ressurgimento. Com um humor escrachado que não tem a mínima noção de se tornar pretensioso (mesmo com uma estória que possa fazer o espectador pensar em algo além da comédia), Brüno vende uma coisa mas acaba contando outra.

Quando o filme começa, temos a clara noção de que ele fará uma crítica pesada ao mundo da moda. No entanto, o que vemos não é exatamente isso. A crítica existe, mas ela é para as celebridades e o que as pessoas estão dispostas a fazer para alcançar o estrelato. Dessa forma, Brüno tenta diversas artimanhas para conseguir isso. Já em Los Angeles, ele procura montar um programa parecido com o que ele fazia na Áustria, que não dá muito certo. Depois ele parte para o âmbito dos filmes pornográficos (pensando apenas no quanto ele poderia ficar famoso). Passando por estas coisas mais bobas, o vemos se reunindo com líderes do Oriente Médio para encerrar os conflitos, uma vez que ele poderia ser reconhecido como ‘a pessoa que conseguiu interromper anos de guerra naquela região’.

Mas nada disso dá certo. E Brüno entra em depressão. Mesmo sendo amparado pelo seu companheiro Lutz (Hammarsten), ele não sabe mais o que fazer para se tornar famoso. Aqui, surge grande parte das críticas que o filme faz indiretamente para determinados assuntos que são polêmicos e que causam, obviamente, muita discussão. Nesta viagem pelo Oriente Médio, ele passa na África (porque toda pessoa famosa tem que ir lá visitar as criancinhas e os povos carentes), e depois retorna à América adivinha com o que: uma criança africana, mas escondida em uma caixa de papelão.

É uma cena extremamente engraçada pela maneira como foi feita, mas também pode nos chamar a atenção sobre o porquê que todos precisam fazer isso para se tornar reconhecidos (não exatamente esconder a criança em uma caixa). A Madonna adota, a Angelina Jolie e tantas outras estrelas também. Não convencido sobre isso, ele envolve ainda questões políticas que mexem com o preconceito do norte-americano. Quer dizer, eles podem ser chamados de ‘afro-americanos‘, mas porque os negros da África são conhecidos como ‘africanos’? São pontos mínimos como esses, que surgem na tela sem nenhum compromisso, que podem fazer o espectador se questionar e pensar em determinadas coisas que o filme incita.

Além disso, existe uma crítica muito maior à homofobia. Em uma das últimas tentativas para se tornar famoso, Brüno viaja até a cidade de Arkansas (uma das mais conservadoras e preconceituosas regiões dos Estados Unidos) e se passa por um heterossexual que deseja exterminar os homossexuais, criando até um dia de orgulho para os héteros. No entanto, seu grande amor Lutz surge na platéia. Os dois parecem que vão começar a brigar no meio do ringue, mas acontece é que ambos se beijam loucamente ao som de ‘My Heart Will Go On’, de Celine Dion e tema do filme ‘Titanic’. Em represália, as pessoas começam a querer espancá-los, jogando cadeiras e outros objetos mais. Passando por este lado preconceituoso e conservador, ele também critica o fato dos gays não poderem se casar, ou até mesmo de adotar uma criança.

E é exatamente com esta cena no ringue na cidade de Arkansas, a partir de um vídeo gravado e colocado no YouTube, que Brüno consegue aquilo que ele queria: se tornar uma celebridade. Se esta cena parecia ser a melhor do filme, é porque seríamos surpreendidos ainda com as presenças de Bono, Sting, Chris Martin e Snoop Dog, interpretando uma canção escrita pelo próprio personagem. E mesmo não sendo uma obra brilhante (acredito que o formato perdeu um pouco o impacto que o Borat conseguiu quando foi lançado), ‘Bruno’ é um filme engraçado, hilário, cômico, escrachado e totalmente crítico. Tudo isso feito de maneira despretensiosa.

Existem certos momentos que nos fazem questionar a maneira como as cenas foram filmadas como, por exemplo, quando Brüno entra para o Exército (em uma leve lembrança que pode nos remeter a uma crítica aos primeiros trinta minutos de Nascido para Matar, de Stanley Kubrick, ou até mesmo pelo método que é utilizado), parar testar a sua masculinidade. Porém, as cenas soaram forçadas. Primeiro porque seria impossível ele entrar com o cabelo daquele tamanho, e segundo que é muito difícil alguém conseguir gravar cenas reais em meio ao Exército norte-americano.

De qualquer forma, outros momentos como a sequência em que ele se consulta com um médium e, em seguida, com um pastor, pode fazer qualquer um chorar de rir. E este é o propósito da comédia, mesmo quando ela consegue ser tão descabida. É difícil fazer uma comparação entre os dois filmes lançados pelo Sacha Baron Cohen, mas tenho a certeza de que ambos conseguem divertir o seu público da maneira que eles esperam: com piadas e situações que nos fazer duvidar se existe realmente um limite para tudo que deve ser feito.

Cotação: ★★★☆☆

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One Comment

  1. Comment by Vinícius P.:

    Faço parte do pequeno grupo que não gostou muito de “Borat”, que considero um filme de uma piada só. Mas os trailers de “Bruno” me deixaram ansioso, parece ser mais engraçado. Que bom que consegue ao menos divertir…

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