Avatar
Cinema, CrÃticas 4 de janeiro de 2010![]()
Dirigido por James Cameron. Com: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi e Joel Moore. (idem, 2009)
Desde o momento em que James Cameron anunciou que estava fazendo Avatar, o público sabia que se tratava de uma nova revolução cinematográfica em que a captação de movimentos tinha atingido um estágio extremamente avançado, capaz de mudar completamente aquilo que estamos acostumados a ver na tela. Existe, sim, um novo mundo a ser explorado. E ainda não estou aqui falando de Pandora, mas das novas técnicas que começarão a ser empregados no format 3-D a partir deste filme. Isso poderá ficar claro quando os diretores começarem a perceber que esta estética terá condições de ser usada com significados e representações, e não apenas como um brinquedo em que estamos testando, procurando experimentações e “quebrando”. Avatar coloca o cinema em um novo patamar. Mas e o que isso representa? Alguns acreditam que o 3-D chegou para ficar e que este é um processo inevitável de transformação que, em algum determinado momento, irá acontecer.
A história de Avatar é relativamente simples. No futuro, Jake (Sam Worthington), é um veterano de guerra paraplégico, que foi levado para outro planeta, Pandora, habitado pelos Na’vi, uma raça humanóide com a sua própria lÃngua e cultura. A partir disso, Jake começa a ser incluÃdo em um programa onde ele adota um Avatar. Na realidade, esta era a única forma de fazer com que os cientistas pudessem estudar o lugar, pudessem estudar aquela raça, a sua cultura, os seus antepassados e as suas crenças. Enquanto isso, o grupo liderado pelo Coronel Miles deseja acabar com esta guerra e exterminar o planeta Pandora de uma vez por todas, juntamente com o seu povo. Jake começa como um informante mas, com o tempo, ele vai percebendo o quanto aquele lugar era importante para os Na’vi. Mais do que isso: ele percebe que existe um equÃlibrio que não deve ser tocado, uma vez que aquele povo consegue viver à sua maneira. Mas Jake também se apaixona por uma Na’vi que lhe ajudou a se tornar parte do seu povo. E é também por este amor que ele irá lutar contra as forças terráqueas.
Avatar também pode ser considerado como o Matrix do nosso tempo. As semelhanças são muitas. No longa-metragem dos irmãos Wachowski, o personagem de Keanu Reeves é um hacker que depois se vê transportado para um novo mundo de inúmeras possibilidades, onde tudo pode acontecer. Neo passa por diversos testes e para se conectar à Matrix, a sua mente é conectado a um plug que o coloca diretamente no lugar, que seria como uma matriz onde existe uma conexão de diversos códigos. Como em Avatar, Neo também se apaixona e passa a viver este amor enquanto descobre um meio de salvar a raça humana e o desequÃlibrio que se criou entre o mundo real e o mundo virtual. Apesar de Avatar ter, sim, uma história extraordinária e conseguir prender a atenção dos seus espectadores durante as três horas de duração, tudo o que vemos é uma série de repetições daquilo que já vimos anteriormente. E isso é um ponto negativo? Claro que não. Isso não compromete a fantástica obra idealizada por James Cameron, que consegue misturar com sabedoria o romance com uma guerra que está prestes a acontecer.
Além disso, o diretor de Titanic explora com extrema capacidade o ecossistema do planeta Pandora. Ele parece não ter deixado nenhum detalhe passar, apostando em todos eles para criar um mundo “real”, apesar de ser fantasioso. Na verdade, Avatar serve de lição para diversas metáforas do nosso mundo contemporâneo. A guerra entre o Bem e o Mal, o discurso ambientalista que tanto tomou conta dos jornais na semana da COP-15 (conferência em que os lÃderes de todos os paÃses do mundo se encontraram para debater uma forma de proteger o planeta das emissões de gases tóxicos. E esse discurso fica apenas na definição porque, na realidade, cada um está ali para defender os seus interesses. Assim como os terráqueos, que foram até Pandora (mesmo sabendo que o ar era rarefeito), para tentar explorar com máquinas e combinações de DNAs entre os humanóides e os Na’vi, com o intuito de descobrir o que aquele planeta poderia nos oferecer. E se torna um fato que Avatar tem um belÃssimo espetáculo visual, já que é impressionante a maneira como tudo parece real. Porém, a sensação que fica é de que alguma coisa faltou, principalmente porque o roteiro deixa diversos buracos.
Um exemplo claro disso pode ser questionado em relação ao ano em que toda esta história se passa. Isso não é informado, ou seja, o espectador não é situado no tempo para saber em que momento eles estavam vivendo aquilo. O processo de aprendizagem e de sobrevivência de Jake na floresta para se tornar um Na’vi é interessante, e funciona dentro do arco narrativo, mas cai exatamente nas repetições daquilo que já foi criado. Alguns já estão a falar que Avatar é o melhor filme dos últimos tempos. Discordo da opinião destes e vou mais longe: em 2009 tiveram outros filmes que podem se equiparar (ou até ser melhor) do que Avatar. Distrito 9 é um grande exemplo disso, cuja história também é provocativa como aquela em que vemos na obra de James Cameron. Entretanto, uma coisa é certa: Avatar é um filme que se consolida, não apenas pelo seu aspecto e estética visual, mas também pela força dos atores. Sam Worthington convence nos dois corpos em que habita, tanto como paraplégico quanto como um fuzileiro “vestido” de Na’vi e falastrão.
Avatar é uma excelente obra, que prende o espectador do inÃcio ao fim. Mesmo com as três horas de duração, mal conseguimos sentir o tempo passar, pois a narrativa é ágil, objetiva e encantadora. O amor ligado de diversas maneiras e formas, seja dos Na’vi em relação à sua cultura e a proteção da mesma, ou quando Jake se apaixona completamente por Neytiri. Sem contar que James Cameron demonstra segurança com a câmera, sempre conseguindo captar o que está acontecendo e sempre deixando o espectador impressionado com as imagens que ele conseguiu fazer. A própria trama na qual Avatar está inserida, que é a busca dos humanóides por um mineral cobiçado e que poderá acabar com a crise energética na Terra, soa extremamente real. E este é um dos seus trunfos, de conseguir mesclar o visual fantasioso do 3-D com uma trama que realmente se parece com aquela que o mundo vive atualmente, com todos os paÃses em busca de soluções energéticas para os seus respectivos povos. Avatar é uma experiência maravilhosa, mas longe de ser considerado como o melhor que o cinema já produziu. Exageros à parte, James Cameron mais uma vez mostrou o seu poder de realizar superproduções bem-sucedidas.


















4 de janeiro de 2010 as 16:36
[...] This post was mentioned on Twitter by sobaminhalente, Juliana Correia. Juliana Correia said: RT @sobaminhalente: É bom estar de volta… - Leia agora no blog: CrÃtica - Avatar: http://tinyurl.com/yhs45nc Sei que alguns vão reclam … [...]
4 de janeiro de 2010 as 19:39
Posso estar enganada, mas nos videologs do Jake aparece o ano de 2154, não?