Dirigido por Glen Ficarra e John Requa. Com: Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone, Marisa Tomei e Kevin Bacon. (Crazy Stupid Love, 2011).
Amor à Toda Prova é um filme no qual você torce para que ele acabe logo. E o pior é que, quanto mais você torce, a sua sensação de que ele nunca termina vai aumentando. E, acredite, isso dá uma agonia horrível enquanto se está sentado na poltrona do cinema. Com um elenco recheado de grandes estrelas, e dirigido pela dupla Glen Ficarra e John Requa, Amor à Toda Prova faz de tudo para desconstruir os relacionamentos amorosos. E, ao mesmo tempo em que faz isso, ele também consegue fazer de tudo para que seus personagens possam ficar juntos e viver para sempre.
Cal (Carell) está casado há 25 anos com Emily (Moore) e constituiu uma família com ela ao longo de sua vida. Mas ele é pego de surpresa com a decisão da esposa de pedir o divórcio depois dela contar que teve um rápido e, talvez, passageiro caso com o seu colega de trabalho David Lindhagen (Bacon), que ainda acredita na possibilidade deles ficarem juntos. Para afogar as mágoas, Cal vive indo em um bar e contando que virou “corno”. Os seus devaneios chamam a atenção de Jacob (Gosling), um rapaz conquistador que pretende ensinar a Cal como desenvolver (ou retomar) a sua virilidade para parar de sofrer.
Com uma história dessas, tudo que o roteiro escrito por Dan Fogelman faz é cair nos velhos clichês destes melodramas e nas obviedades dos aprendizados dos seus personagens. Jacob, por exemplo, vive uma vida que, para ele, é incrível: cada noite uma mulher diferente e, o melhor de tudo, ele tem dinheiro para fazer qualquer coisa. Mas quando Hannah (Stone) o despreza no bar, ele parece que fica apaixonado. E é mesmo ela quem vai mudar a sua visão de mundo, a sua concepção sobre o amor e, principalmente, tirá-lo da solidão em que estava. No caso de Cal, as mudanças começam com o estilo de roupa que veste e, além disso, Jacob o ensina a como “chegar” em uma mulher.
O maior problema de Amor à toda Prova é que tudo soa muito forçado. Por que realmente Jacob decide, “do nada”, simplesmente ensinar um desconhecido a galantear as mulheres? Qual o objetivo disso? Dizem que as pessoas fazem loucuras quando um relacionamento acaba, não é? Isso porque cada um quer mostrar para o seu antigo companheiro que eles estão bem sem o outro, que eles não estão sofrendo. E Fogelman realiza estas imersões em seu filme, mas ele desfaz completamente tudo para unir novamente a família que havia se dissipado no início da história.
Se a história fosse o único problema de Amor à Toda Prova seria até bom. O elenco do filme, apesar de tentar e se esforçar bastante, não consegue equilibrar o tom. Ora ele se caracteriza por aquela comédia boba (típica do recente Quero Matar o Meu Chefe), e ora ele parte para o drama. Mas em nenhum dos casos, os atores conseguem encontrar o tom perfeito dos seus personagens na história. No entanto, Jacob e Hannah propiciam boas cenas pois eles se mostram muito mais interessantes como personagens do que os outros que são apresentados.
E mais uma vez não consigo entender os elogios que tanto fazem para Steve Carrel. Ele não é um comediante (ou ator) empolgante, que consegue se sobressair nos filmes com o seu talento ou com o seu humor. Pelo contrário, apesar de ser o protagonista, ele por muitas vezes se comporta como coadjuvante enquanto que Ryan Gosling rouba a cena. Já Julianne Moore, em suas incursões na comédia, dificilmente consegue fugir daquela personagem que dá o tom dramático e exagerado para a história.
Talvez por isso Quero Matar o Meu Chefe, em comparação com o nível de bobagem e de cenas absurdas, consegue ser muito mais engraçado do que este Amor à Toda Prova. O filme passa a impressão de que está faltando alguma coisa para empolgar, para nos fazer mergulhar e rir com a história.
[rating: 1/5]
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O maior problema de Amor à toda Prova é que tudo soa muito forçado. Por que realmente Jacob decide, “do nada”, simplesmente ensinar um desconhecido a galantear as mulheres? Qual o objetivo disso? Dizem que as pessoas fazem loucuras quando um relacionamento acaba, não é? Isso porque cada um quer mostrar para o seu antigo companheiro que eles estão bem sem o outro, que eles não estão sofrendo. E Fogelman realiza estas imersões em seu filme, mas ele desfaz completamente tudo para unir novamente a família que havia se dissipado no início da história.