A disputa do Oscar 2010: Bigelow x Cameron
Opinião do Editor 5 de fevereiro de 2010
Enquanto os jornais falam de eleições, de pré-campanha por parte de Lula para promover a candidatura de Dilma Rousseff, foi uma semana importante para os cinéfilos, que não estiveram exatamente preocupados com as chuvas que aterrorizam São Paulo ou com o déficit gigantesco que a economia americana vai sofrer por conta dos gastos já divulgados por Barack Obama ou, ainda, as desavenças entre o governo americano e o chinês. Dois fatos, para estas pessoas, foram mais importantes do que todas estas conjucturas e problemáticas mundiais que vêm sendo amplamente discutidas nos últimos dias: o anúncio dos indicados à 82ª edição do Oscar e o início da sexta e última temporada de Lost.
A Academia divulgou uma lista sem muitas surpresas. Para muitos, a maior de todas foi a animação The Secret of Kells, que apareceu “do nada” na lista. Você assistiu? Eu, por exemplo, nem sabia da sua existência até ir pesquisar um pouco sobre o que se tratava. O filme é é sobre um garoto de 12 anos que é aprendiz do mestre Aidan e, juntos, irão lutar contra todos os desafios para terminar o precioso livro de kells, um tesouro nacional irlandês. E paro por aqui para não dizer bobagens ou sair julgando o filme sem nem ao menos ter visto. Uma outra surpresa que pode ser considerada é a inclusão de The Blind Side na categoria de Melhor Filme. Tudo bem, são dez indicados. Mas o longa-metragem se segura apenas na atuaão de Sandra Bullock, e nada mais.
Porém, ninguém está muito interessado nesta discussão. O que importa é a disputa entre James Cameron e Kathryn Bigelow. Existem inúmeras razões para isso, e a principal delas é porque os dois já foram casados na década de 90. Por outro lado, é um duelo interessante. De um lado, se tem um filme pequeno que, aqui no Brasil, foi lançado diretamente em DVD. No entanto, com este imenso sucesso de crítica, Guerra ao Terror estreia esta sexta-feira nos cinemas. A obra é impactante, diga-se de passagem. E o primeiro ato não me deixa mentir. Bigelow não entra no mérito das questões do Guerra (acertadamente), e mergulha diretamente no cotidiano de soldados que precisam lidar com um trabalho extremamente perigoso: desarmar bombas que estão prestes a explodir. A direção de Bigelow é ágil, flerta com o suspense e transmite uma apreensão incrível ao seu espectador.
Por outro lado, se tem James Cameron, um diretor que sempre procurou trabalhar com o que de melhor tinha de disponível no mercado. Com Titanic, ele alcançou liderança de bilheteria que, por pouco, não foi batida por Senhor dos Anéis. No entanto, o seu mundo fantasioso de Pandora em Avatar vem batendo recorde a cada semana que passa. E eu pergunto: quem será que ainda não viu este filme? Meus pais eu sei que não viram, mas eles não gostam muito de ir mais ao cinema. O mérito maior de Cameron é que ele conseguiu fazer um filme comercial, mas que se transformou em um imenso sucesso de crítica por todo o envolvimento com a história que se passa em Pandora, com a mensagem que ele prega de preservação ambiental e outras questões que são levantadas ao longo do filme.
Falando em Avatar, a sua revolução digital 3-D criou possibilidades ainda maiores para aqueles que ainda desconfiavam de tal plataforma. Com isso, o mercado está sendo dominado por este tipo de mídia. Filmes estão sendo relançados, outros sendo repensados. Como todos já haviam dito bem antes de Avatar estrear, Cameron prestou um serviço à comunidade cinematográfica que estava com medo de utilizar estas novas tecnologias. Eu, por outro lado, discordo do que muitos estúdios estão fazendo. Mas quem sou eu para ir de encontro a uma massiva corporação de arrecadação que esta obra vem levantando em todo o mundo, não é mesmo? Estou aqui apenas para opinar e levantar questões.
A verdade é que Oscar deste ano, para muitos, está muito mais interessante do que a edição do ano passado. Não é pra menos. Desta vez, se tem uma série de probabilidades que podem marcar para sempre a cerimônia. A começar pelas mudanças, de não ter cinco filmes indicados, mas dez. Além disso, ainda se vive a expectativa de ter a primeira mulher vencendo na categoria de Melhor Direção. Bigelow tem condições para isso, diga-se de passagem. Ela venceu o DGA (Sindicato dos Diretores) e o PGA (Sindicato dos Produtores), ou seja, uma oponente de peso contra a fortíssima candidatura de James Cameron.
É claro que a Academia conta também com a audiência que uma premiação dada a Avatar pode trazer. Faz tempos que o canal ABC não consegue emplacar bons números. Eles tentaram fazer isso no ano passado indicando Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas não deu certo. Com Avatar, as chances são maiores. É possível que a Academia, então, consiga unir o marketing do filme de Cameron com o desejo de premiar uma mulher na categoria principal. O que esperar, então? De verdade, me rendo àqueles que disseram que esta premiação está mais interessante e emocionante que a do ano passado. Realmente, a expectativa é grande para saber quem irá levar a estatueta. Enquanto dia 7 de março não chega, ficamos aqui a fazer prognósticos sobre o que pode acontecer.













5 de fevereiro de 2010 as 21:52
Claro que a atenção maior está voltada para o duelo Bigelow x Cameron, mas sem dúvida, o Oscar de melhor atriz me interessa, e muito. Afinal de contas, parece que haverá mais uma injustiça nesta categoria, a Streep perdendo novamente, só que dessa vez, para a Bullock, que piada!
No mais, também concordo que poucas foram as surpresas desse ano, pelo menos, nas categorias que acompanho. Mas voltando à disputa inicial, estou torcendo para Bigelow levar melhor filme e direção, Tarantino, melhor roteiro original, e Avatar, apenas os técnicos.
Abraço!