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Educação

quinta-feira, fevereiro 18th, 2010

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Dirigido por Lone Scherfig. Com: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Olivia Williams, Alfred Molina, Emma Thompson, Dominic Cooper e Rosamund Pike. (An Education, 2010)

Em um determinado momento da adolescência, você passa a querer questionar tudo o que acontece à sua volta, todas as decisões dos seus pais. É como se existisse uma necessidade de querer provar uma certa independência que ainda não chegou, mas que está tão próxima. Por outro lado, é um momento de se conhecer melhor, de começar a querer frequentar círculos sociais diferentes, lugares mais badalados (ou não). Mesmo com exceções, é nesta fase da vida que todo ser humano começa a definir a sua personalidade para o que lhe aguarda mais na frente. Entre uma decisão e outra, são elas que acabam moldando a relação de harmonia que se constrói consigo mesmo. Por todas estas inquietações, Educação surge como um filme que procura narrá-las, mas esbarra na irregularidade, nos defeitos do roteiro que perde o seu fôlego com o passar do tempo e no limite de uma família que é pouco explorada.

Jenny (Mulligan) é uma garota de 17 anos que vive em uma Inglaterra dos anos 60 ainda compenetrada em viver crises que os ingleses tinham com outras nações naquele momento, mas que não são dados importantes para o filme, que não está preocupado em exatamente mostrar o momento histórico como pano-de-fundo para a história que seria contada. Decisão acertada, diga-se de passagem. Educação se estende aos bailes, aos leilões e à burguesia que se formava na época. Com a ajuda de David (Sarsgaard), Jenny começa a fazer parte desse mundo. Formada em uma família de um pai conservador (Molina) e uma mãe (Seymour) que apenas aceitava os desejos do marido, Jenny estava precisando de alguma inquietação no auge dos seus 17 anos, tendo por intuito sair desse objetivo definido por todos de estudar e chegar até Oxford. Com tantos planos feitos, ela precisa se aventurar, e acabou encontrando isso em David, um rapaz de 30 e poucos anos, que se mantém de maneira misteriosa até minutos finais da projeção.

Entretanto, Educação acaba menosprezando certas situações que acabam se tornando constrangedoras para quem assiste. Quando Jenny resolveu se entregar ao amor de David, ela havia decidido que somente perderia a virgindade quando completasse 18 anos. Em uma determinada cena, David entende completamente isso mas logo, em seguida, ele pede para que ela possa tirar a roupa apenas para apreciar aquilo que ele não poderia ter naquela noite. Não chega a ser exatamente um sentimento de constrangimento, mas comprova que o filme tinha em David a prova de um mau-caráter que ainda poderia aprontar alguma coisa. E isso nos leva a uma outra questão: até que ponto você estaria pronto(a) para largar tudo (escola, amigos e o seu futuro) para viver uma paixão com uma pessoa mais velha? Na abordagem que Educação faz em relação à David, é completamente errado pensar que ele havia passado esta confiança para a família de Jenny.

E isso leva a um outro erro do filme: enquanto Alfred Molina dá um show interpretando um pai que desconhecia o que estava acontecendo no mundo, o roteiro subestima a capacidade de quem assiste ao mostrar a facilidade com a qual ele cede aos pedidos de David. Ora, com uma filha de 17 anos e zelando pelo seu futuro, um pai conservador como ele não deixaria, por exemplo, que ela viajasse e passasse um fim de semana em Paris enquanto as provas aconteciam na escola onde ela estudava. E são por erros assim que o roteiro de Nick Hornby, baseado nas memórias de Lynn Barber, acaba pecando e não conseguindo encontrar um ponto de impacto para o seu filme. Ele acha até uma reviravoltando, quando o relacionamento de David e Jenny muda e ela, querendo se equilibrar novamente, começar a retomar aquele caminho que havia sido preparado quando ela decidiu se aventurar e conhecer a alta burguesia britânica, cansada de ficar andando nos mesmos círculos sociais de antes.

Se por este lado o filme acaba errando, é impressionante como Hornby consegue humanizar a personagem de Carey Mulligan. Responsável por criar uma Jenny tão inocente e pertubada com as experiências que ela desejava tanto viver, Educação é um filme que se prende na sua atuação e nos bons momentos dramáticos de Alfred Molina (que até exagera determinada hora, mas consegue ser o pai preocupado e conservador que lhe havia sido concebido). Mulligan é responsável pela complexidade criada em torno de Jenny, principalmente em colocar o seu espectador pare entender as decisões que ela toma. A direção de Lone Scherfig é convencional. ou seja, não muda e nem acrescenta nada na narrativa, mas mostra uma certa harmonia com Carey Mulligan, uma vez que os quadros criados se destacam pela leveza com que ela consegue atuar nas cenas. A estética do filme, aliás, é baseada em cores cinzentas que são bem características da Inglaterra.

Educação consegue reservar bons momentos ao seu expectador e a dialogar com ele sobre as experiências que cada um pode ter, seja na escola formal ou na escola da vida. Jenny, por exemplo, achou um atalho para conseguir viver a vida adulta que ela queria, longe das pressões do seu pai. No entanto, a partir do momento em que ela viveu também uma desilusão, Jenny começou a aprender que a vida também é feita de momentos felizes e outros tristes. É com esta complexidade (já citada anteriormente), que está o maior mérito de Carey Mulligan. Entretanto, Educação não coloca Jenny como coitadinha nesta história toda. Pelo contrário, ambos (ela e David) usaram um ao outro na medida em que foram se conhecendo: ela queria conhecer a alta classe e viver a vida adulta que ele tinha por oferecer, enquanto que ele se sentia sozinho e precisa da companhia de uma pessoa inteligente que ela tinha por oferecer.

Entre descobertas de possibilidades que se formam na adolescência, além das complexidades e inquietações que também começam nesta fase da vida, Educação é um filme divertido e que consegue se apresentar como uma obra capaz de provocar questionamentos. Carey Mulligan nos conduz a um personagem humano, que deseja ter experiência, que possui medos, anseios, questionamentos, inquietações e que, principalmente, busca aventuras em prol do seu conhecimento e das possibilidades que isso pode proporcionar. Por esta complexidade tão bem retratada no filme, é que o espectador também pode ver o seu sofrimento, a sua volta por cima e o seu sonho se concretizando. Para esta comédia romântica, não existe exatamente um final feliz ou aquele que pode agradar o seu público. Existe, sim, um desfecho de uma jovem mulher que tomou decisões precipitadas mas que, ao invés de se arrepender por elas, buscou a melhor maneira para superá-las: se reerguendo.

Cotação: ★★★☆☆

O sabor amargo das despedidas

quinta-feira, fevereiro 18th, 2010

despedida Tenho pensado muito sobre despedidas nas últimas semanas. Estava revendo As Pontes de Madison, que tem atuação maravilhosa da dupla Eastwood e Streep, e comecei a pensar mais sobre o assunto. No filme, Clint vive um fotógrafo da National Geographic que viaja pelo mundo e está vagando fotografando pontes cobertas nas redondezas do estado de Ohio. Enquanto isso, ele conhece a personagem de Streep, uma típica dona-de-casa que vê seu mundo mudar completamente ao se relacionar com um homem que parece estar sempre à frente dos outros que ela passou a conviver. Não pretendo ficar falando do filme, mas a cena final no qual os dois se “despedem” por não terem como viver aquele amor, é de uma tristeza terrível. Aliás, porque todo amor precisa ser triste e trágico? Acho que nunca encontraremos uma resposta para isso.

Por outro lado, fiquei pensando também nas despedidas em relação aos nossos familiares. Em Friday Night Lights, o episódio “The Son” soube demonstrar isso ao trazer a morte do pai de um dos personagens principais da série. Faz tanto tempo que esse capítulo foi exibido, mas ele ainda mexe comigo. Se despedir de qualquer pessoa deve ser muito difícil. Se for o seu amigo(a), você provavelmente vai conseguir manter contato com ele(a), mas não será mais a mesma coisa. Você perderá uma pessoa que estava sempre por perto quando se precisava. Se você se despede de uma namorada, a solidão começa a bater na porta e a invadir a sua janela, lhe fazendo questionar se você tomou a decisão certa. Enfim, as despedidas nunca são fáceis.

Tenho muitos amigos que se perderam com o tempo. Alguns que fiz no colegial, por exemplo, mal consigo manter mais o contato. E esta é a pior parte das despedidas, quando você se dá conta que ela aconteceu mas não tiveram, ao menos, tempo para se despedir. Pode ser porque isso ainda não aconteceu, mas é como se tivesse acontecido. Tem um ditado que diz que os “amigos que ficam são os da universidade”. Eu sou meio contra esta afirmação: os amigos da faculdade sempre se mostram muito mais competitivos porque todos estão em busca de espaço dentro do mercado de trabalho. Porém, uma coisa é certa: eles são os que fazem mais parte da sua vida. Entretanto, é possível fazer boas amizades neste estágio da vida. E nem todos os ditados funcionam como verdades universais, sempre existem excessões.

Na season finale de Friday Night Lights, vimos a despedida entre dois irmãos. Um tentando proteger o outro de um problema que os dois resolveram se afundar para conseguir dinheiro de maneira mais fácil. E, por mais que a cena tenha soado forçada no momento seguinte em que vemos o trágico destino de Tim Riggins dentro da série, é impossível não se emocionar com isso e em como aquele momento consegue mexer com o interior de quem assiste. Não estou afirmando que qualquer um poderá se emocionar com isso, mas causa uma certa comoção. Além disso, a despedida entre Julie e Matt foi outro momento marcante, quando ambos resolvem seguir os seus destinos e os seus sonhos depois de quatro anos juntos, aprendendo a viver com as adversidades e superando os desafios.

Se despedir não é realmente fácil. E pensei muito nisso a partir de todas estas coisas que assisti nos últimos dias, seja por meio da série ou do cinema. Com as despedidas, também vem a solidão. E quem conseguia manusear isso como nenhum outro era Ingmar Bergman. O diretor sueco traz um efeito psicológico quanto a este sentimento no lindo e inquieto Luz de Inverno, um filme com uma fotografia claustrofóbica e que coloca o seu espectador dentro desse sufocamento idealizado pelo diretor. Não desejo ter que passar por nenhuma despedida, mas elas acabam vindo com o tempo e nunca estamos preparados para superá-las. O maior desejo de qualquer um seria exatamente de manter os amigos sempre por perto, ou melhor, manter as pessoas de quem gosta sempre ao seu alcance. Mas sabemos que a vida não permite que tudo seja assim, tão perfeito.

Considerando tudo isso, a despedida é um caminho que cada pessoa terá que passar em um determinado momento da vida. São momentos inesperados que acontecem e nunca ninguém está preparado. De uma maneira ou de outra, é o vazio que se cria para a chegada de novas pessoas. Mas será que elas irão suprir a falta que as outras deixaram? Como é que funciona isso? Eu não sei exatamente. Deixo as perguntas no ar porque, além de não me preocupar muito por isso, suponho que as despedidas apareceram de maneira natural em nossas vidas (apesar das tragédias que possam acontecer ao longo dessa jornada chamada vida). Enquanto penso nisso, agora é hora de retomar a rotina e, finalmente, começar o ano. Afinal de contas, o Carnaval acabou!