Atenção: os próximos parágrafos possuem spoilers

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Título: LA X (Part. I/II)
Temporada: 06
Episódio: 01/02
Exibição: 02/02/10
Emissora: ABC

Lost está de volta para a sua última temporada. A série reinventou o jeito de se assistir televisão, reinventou narrativas que eram tidas como comuns aos seriados e buscou mecanismos estéticos que ainda não haviam sido testados. Com um roteiro que conseguia instigar o seu espectador a pesquisas, a correr atrás das respostas para as perguntas que a série deixava no ar, mas também os próprios questionamentos que eles mesmos fizeram. E, assim, a série chega nesta sexta temporada depois de tantas viagens no tempo, depois de idas e vindas, depois de mortes, decepções, tristezas e o “começo do fim” está cada vez mais próximo. Uma coisa é certa: quando Lost acabar, ela vai fazer muita falta. Mas enquanto isso não acontece, vamos aproveitar os dezoito episódios que ainda tem pela frente para conhecermos o desfecho de toda esta história. Capítulos que estes que começaram a ser narrados a partir desta season premiere dupla exibida pelo canal americano ABC.

Os mistérios começam pelo título do episódio. “LA X” nos diz que existe exatamente um local conhecido, Los Angeles, e um outro desconhecido (uma incógnita), que seria a Ilha. Pelo menos, é neste entendimento que estou partindo. É impossível não buscar teorias em uma série como esta, onde cada detalhe pode fazer muito sentido. Aqui, os eventos começam exatamente do momento em que a bomba de hidrogênio foi explodida com o objetivo de fazer com que o avião da Oceanic não caísse no local e todos seguissem com as suas vidas. Ao que parece, nada funcionou. Jack e companhia continuam nesta desconhecida Ilha, sobrevivendo e encarando novos desafios (além de lidar com novos povos que eles nunca tinham vistos antes, ou sabiam da sua existência). Por outro lado, vemos nos flashbacks que a explosão da bomba pode ter funcionado, de alguma maneira, pois o voo 815 aterrisa em Los Angeles com todos os passageiros.

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Aliás, de maneira inteligente, os roteiristas narram certos momentos que aconteceram (ou aconteceriam) caso o avião não tivesse caído (ou não caiu). Vemos uma série de encontros casuais e outras tramas se desenrolando, seja dentro do avião, seja no Aeroporto, como parte de uma narrativa que faz o seu espectador acreditar na possibilidade de que algo funcionou. Talvez esta tenha sido a impressão de Juliet antes de morrer. Como ela percebeu isso (estando na Ilha como os outros)? Só os roteiristas podem explicar daqui pra frente (ou não). O fato é que todos os flashbacks, de alguma forma, serão baseados naquilo que foi colocado neste episódio, ou seja, nos fatos que podem ter acontecido na suposição de que eles não caíram na Ilha. E, a partir disso, a série cria outros mistérios que movimentam ainda mais esta sexta temporada, como se já não bastasse os outros que foram levantados ao longo desses seis anos.

E o que dizer de John Locke? Ou melhor: o que não dizer dele? Será que ele morreu mesmo? Será que o seu corpo reencarnou em outra pessoa? O seu personagem, que já havia se tornado bastante complexo, parece que ficou ainda mais. Pelo jeito, o corpo em que ele está agora é o mesmo do “monstro de fumaça”. Mas este mesmo “monstro” é um “objeto” ou um “alguém”? Como conseguir explicar isso ou, simplesmente, achar explicações para o que aconteceu. O fato é que o corpo de John Locke (o verdadeiro), estava lá dentro do caixão e depois foi colocado à mostra no meio da praia. No entanto, saiu um “John Locke” de dentro do local onde Jacob estava, completamente furioso com Richard. Uma trama de conspirações e traições, será? Do jeito que as coisas estão, é possível se acreditar em qualquer coisa. Aliás, estes dois episódios me provaram que Lost é uma série única. E a trilha de Michael Giachinno me comprova que ele faz um trabalho tão criativo quanto os que ele desempenha nos filmes de longa-metragem.

Cotação: ★★★★★