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Amor sem Escalas

sábado, janeiro 23rd, 2010

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Dirigido por Jason Reitman. Com: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, J.K Simmons, Zach Galifianakis, Amy Morton e Melanie Lynskey. (Up in the Air. 2010)

Os filmes podem nos encantar de diferentes formas (e também varia de pessoa para pessoa). O fato de ficar pensando em um filme ao sair do cinema, quer dizer que a sua mensagem foi passada e que você, como espectador, conseguiu absorver. Amor sem Escalas é assim. Baseado no livro de Walter Kim, Jason Reitman e Sheldon Turner conseguem encantar pela maneira simples com que escreveram o roteiro, sem precisar enrolar e, principalmente, sem apelar para momentos dramáticos que buscam apenas chocar o público que está assistindo.

Dirigido por Jason Reitman (responsável pelos elogiados Obrigado por Fumar e Juno), Amor sem Escalas traz George Clooney interpretando Ryan Bingham, um sujeito que vive em aeroportos, aviões e hotéis, viajando de um lado para o outro nos Estados Unidos com um único objetivo: demitir pessoas. Com a crise financeira que assolou os Estados Unidos no ano passado, muitas empresas tiveram que cortar gastos. Bingham pertence a uma empresa terceirizada que é responsável por isso. Para Ryan, cada pessoa reage de uma forma ao ser demitida e, neste caso, cabe a ele fazer com que esta notícia seja dada da “melhor” maneira possível.

No entanto, o executivo Ryan vive de maneira solitária por escolha, livre de qualquer relacionamento. Ao longo do filme, por exemplo, perceba como ele se mantém distante dos seus familiares, evitando qualquer tipo de relação com ele. Com esse jeito cínico, o seu maior objetivo é atingir dez milhões de milhas no programa de milhagem da sua companhia aérea favorita. Em uma dessas missões, ele conhece Alex Goran (Varmiga), com quem passa a ter uma relação casual que começa a mudar o seu jeito de pensar e, principalmente, de viver.

De uma maneira sutil, Jason Reitman consegue nos mostrar as verdadeiras facetas do seu personagem. Perceba, por exemplo, como é o local onde ele mora, se parecendo completamente com um quarto de hotel. As próprias palestras que ele dá quando tem uma pausa nas viagens, o ajuda a continuar sempre viajando, pois ele não consegue viver de outra forma. Assim, ao receber a notícia de que as demissões seriam ocorridas por videoconferência (também com o objetivo de cortar gastos), Ryan passa a viver ainda mais preocupado. É quando ele conhece Natalie Keener (Kendrick), que está começando neste ramo, e responsável pelo novo sistema a ser implantado, mas que ainda tem muito o que aprender.

A partir de toda esta trama, Jason Reitman (inteligentemente), divide o seu filme em duas fases. Amor sem Escalas começa de maneira irônica, com uma edição que facilite ainda mais para tornar os diálogos sarcásticos - muito por conta também de Ryan e Alex, que começam a manter esta relação casual. Quanto mais a trama avança, Ryan começa a rever os seus príncipios e passa a querer algo mais fixo (seja uma moradia e, até mesmo, um relacionamento). Passando de um humor irônico que se desenvolve para um filme extremamente trágico, onde o personagem-central passa a fazer diversos questionamentos sobre si mesmo. “Por que não constituí uma família? Por que não me entregar a um relacionamento? Por que dou estas palestras? Por que não acredito no casamento?”, podem ser algumas das perguntas que ele começa a se fazer.

Além disso, Jason Reitman mistura diversos estilos em seu filme. Ele pode ser encarado, pela personalidade humana improvável de Ryan Bingham, um drama empresarial que mostra com clareza as consequências da terrível crise pela qual passou os Estados Unidos, um road movie no qual a estrada é o céu e uma comédia romãntica e até (por que não?) uma comédia romântica para adultos. Sem apelar para momentos de intensas dramaticidades, Reitman aposta muito mais em uma direção criativa - perceba como ele consegue diferentes focos e enquadramentos nas pessoas que foram demitidas - e na grande atuação de George Clooney e Vera Farmiga.

Os dois atores, aliás, são os responsáveis pela mudança de curso do filme. O romance casual que ambos mantiam apresentava significados diferentes para cada um deles. No caso de Ryan, Alex mudou completamente o seu jeito de ser e de enxergar o momento. Mas, para ela, Ryan era apenas um escapismo da vida que ela tinha quando não estava viajando. Por essa razão, é interessante observar como o tom sarcástico inicial do filme vai, aos poucos, cedendo espaço para uma atmosfera mais amargurada. A própria trilha sonora de Rolf Kent muda, dando lugar a letras e ritmos que provocam um sentimento maior de amargura, enquanto que Ryan vive a sua crise pessoal de não saber mais o que deseja para si mesmo.

Amor sem Escalas é, enfim, um filme triste e trágico, Esta tragicidade está relacionada à mudança de comportamento de Ryan Bingham, um executivo que parecia ter uma vida e objetivos bem definidos, mas que depois se viu entregue às próprias indecisões que ele não sabia que tinha. E a parte triste corresponde exatamente por meio das suas desilusões. Jason Reitman recheia o seu filme com excelentes diálogos, mesclando o humor com o drama e, dessa maneira, ele transforma esta história em uma trama que, no início, parecia totalmente despretensiosa, mas que depois se torna um filme com tamanha sensibilidade em assuntos cruciais, que vão desde as questões familiares até a atual situação mundial de trabalho pós-crise econômica. Amor sem Escalas é um filme para se ver e rever diversas vezes.

Cotação: ★★★★☆

Sundance ‘10: elenco na premiere de “Howl”

sábado, janeiro 23rd, 2010

James Franco na premiere em Sundance

Jon Hamm também marcou presença em Park City

Jon Hamm e a atriz Jennifer Westfeldt

Andie MacDowell também está no elenco de “Howl”