Archive for janeiro 22nd, 2010

Sundance ’10: Howl abre a primeira noite

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

O filme cobrirá um trecho da vida do poeta Allan Ginsberg (James Franco), quando um processo foi movido contra ele, acusado de pornografia por uma de suas obras na década de 50.

No elenco da produção, o ator vai atuar ao lado de David Strathairn (As Crônicas de Spiderwick - foto), Paul Rudd (Ligeiramente Grávidos, Nunca é Tarde Para Amar - à direita), Alan Alda (O Aviador), Jeff Daniels (O Vigia) e Mary-Louise Parker (da série Weeds).

O filme será centrado no processo movido contra o escritor Allen Ginsberg, vivido por Franco, acusado de pornografia em seu livro Uivo, na década de 50.

Strathairn será o advogado de acusação Ralph McIntosh, enquanto Alda será o juiz Clayton Horn; as testemunhas de acusação serão interpretadas por Daniels e Parker; e, por fim, o crítico literário e testemunha de defesa Luther Nichols será vivido por Rudd.

Hamm será o advogado de defesa Jake Ehrlich. O filme é centrado no processo movido contra Ginsberg, acusado de pornografia em uma de suas obras dos anos 50.

Desde setembro do ano passado, os atores que farão parte do tribunal que será representado no filme já começaram a ser escalados. David Strathairn será o advogado de acusação e Alan Alda dará vida ao juiz. Jeff Daniels, Mary-Louise Parker e Paul Rudd serão as testemunhas, os dois primeiros de acusação e o último de defesa. Alessandro Nivola e Treat Williams também estão no elenco.

Howl foi filmado em Nova York.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Rob Epstein, Jeffrey Friedman
Elenco: James Franco, Mary-Louise Parker, Jon Hamm, Jeff Daniels, Alessandro Nivola, David Strathairn
Produção: Gus Van Sant, Miles Levy, Jawal Nga
Roteiro: Rob Epstein, Jeffrey Friedman
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida

A primeira noite
O Festival de Cinema de Sundance começou nesta quinta-feira (21) proclamando o retorno ao cinema rebelde e anunciando o fato com as estreias de “Howl”, cinebiografia de Allen Ginsberg, e do documentário de guerra “Restrepo”.

Apoiado pelo Instituto Sundance, do ator e ativista Robert Redford, o festival começou na década de 1980 a promover filmes produzidos fora dos grandes estúdios de Hollywood, e seu tema este ano é a renovação da independência que começou por defender.

“Às vezes é renovador voltar a nossas raízes”, disse Redford ao público, que lotou o cinema na estreia de “Howl”, seguida por “Restrepo”.

Mais cedo na quinta-feira, Redford disse a jornalistas que nos últimos anos vinha sentindo que Sundance estava se afastando de sua visão original pelo fato de o cinema independente ter começado a fundir-se com os filmes de estúdios.

Na realidade, alguns dos melhores filmes independentes dos últimos anos foram produtos de divisões de estúdios de Hollywood dedicadas a fazer filmes com pequenos orçamentos. “Quem quer ser um milionário”, por exemplo, foi financiado originalmente pela Warner Independent Pictures, unidade da Warner Bros. que deixou de existir.

DNA independente
Os criadores de “Howl” disseram que o filme tem independência em seu DNA. Ele começou como documentário em oficinas do Instituto Sundance, onde foi transformado em longa pelos co-roteiristas e diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman.

“HOWL” relata como o clássico poema homônimo de beatnik Ginsberg, que busca retratar o cotidiano de jovens norte-americanos no pós-Segunda Guerra Mundial, foi visto por alguns como indecente, tendo seu editor sido levado a julgamento na Califórnia em 1957 por distribuir pornografia. O filme difere das cinebiografias tradicionais ao fundir elementos de documentários e longas de ficção e ao recorrer à animação para ilustrar o poema.

“O próprio poema quebra tantas regras formais que achamos apropriado fazer o mesmo”, disse Friedman à Reuters.

Epstein acrescentou que o poema define posições sobre militarismo e anticonsumismo e que Ginsberg, em seus melhores momentos, foi um artista que afirmou sua própria verdade.

Levando adiante o tema de assumir riscos, na noite de abertura da edição de 2010 Sundance rompeu com sua própria tradição. Em vez de exibir um filme em uma première de gala, exibiu dois longas e um programa de curtas.

Depois de “HOWL” veio “Restrepo” porque Robert Redford e o Festival Sundance sempre deram destaque a documentários. Para fazer esse filme, o autor Sebastian Junger (de “A tormenta”) e o cineasta Tim Hetherington passaram um ano com um pelotão de soldados no Afeganistão, registrando a rotina deles, o trabalho e os combates.

Sundance ‘10: novo diretor redefine festival

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

Será que o novo diretor de Sundance pode redefinir não só o festival como também todo o setor de filmes independentes?

O Festival de Cinema de Sundance começa sua 26ª edição na quinta-feira e as pessoas estão falando sobre os assuntos de sempre, como quais filmes estarão em alta para aquisição (Blue Valentine é uma boa aposta) e se este será finalmente o ano em que o espetáculo paralelo de celebridades acabará (improvável).

Mas os frequentadores de longa data de Sundance estão ponderando sobre o evento em si: esse pode muito bem ser o festival de Sundance mais importante em anos.

Pela primeira vez nas últimas duas décadas, o principal festival de cinema da América tem um novo diretor, John Cooper, e seu objetivo primordial foi dar uma direção totalmente nova a Sundance, levando o festival de volta às suas raízes artísticas. “Menos comerciais, mais independentes” é como ele resume as seleções deste ano. Embora a seleção continue cheia de estrelas, Cooper cumpriu seu objetivo. Os filmes em geral são menores e mais difíceis. Há menos estreias de estúdios. Em uma decisão que para muitos já deveria ter ocorrido, Sundance irá introduzir uma seção chamada Next, focada em filmes de baixo orçamento.

Com a diminuição do suporte aos filmes independentes - diversos estúdios fecharam suas divisões de filmes independentes -, as decisões de Sundance têm mais potencial do que nunca para impactar o gênero, dizem veteranos do setor. Essa responsabilidade enorme e inesperada vem em parte de um vácuo de poder. Harvey Weinstein não lidera mais o grupo de filmes independentes, e os grandes compradores que permanecem, como Fox Searchlight, sofreram um baque nos meses recentes.

“Tentamos não pensar muito no setor, mas acho realmente que as pessoas estão vindo até aqui para se recarregarem”, Cooper disse.

Ao focar mais diretamente na inovação, será que Cooper irá colocar esse setor da indústria cinematográfica de volta aos trilhos? Muitos acreditam que a única forma de ressuscitar o setor de filmes independentes é transformá-lo novamente em um laboratório -retirá-lo do ninho dos negócios de filmes excessivamente comerciais.

Ou será que essa decisão irá causar danos? Esses produtores precisam de dinheiro e, se os compradores não enxergarem valor comercial nos filmes, eles não vão abrir muito suas carteiras.

“Ainda é difícil dizer, mas o festival deste ano definitivamente vai nos ajudar a descobrir como será o futuro”, disse Christine Vachon, produtora de 60 filmes, incluindo Longe do Paraíso e Meninos Não Choram.

É claro que Sundance já tentou voltar ao seu formato autônomo antes, com graus variados de sucesso. Quando se fica do tamanho que está -113 longas em 10 dias e mais de 40 mil participantes-, mudar de curso é muito difícil.

E Sundance sempre fez seleções arriscadas. No ano passado, o grande prêmio do júri e do público na competição dramática americana foi para Preciosa, sobre uma adolescente do Harlem que sofre abusos extremos.

“Até certo ponto, o festival toca o trompete de retorno às raízes todos os anos”, disse Bob Berney, cofundador da Apparition, uma distribuidora de filmes.

Mesmo assim, Berney afirma ver uma nítida mudança em direção a produções mais ousadas nas seleções feitas por Cooper e seu principal assistente, Trevor Groth. Uma mudança voltada para a arte em detrimento do comércio talvez seja inevitável, considerando o mercado, diz ele. Nos últimos dois anos, os estúdios fecharam divisões especializadas (Warner Independent, Picturehouse, Paramount Vantage) ou as reduziram drasticamente (Miramax). Fora do sistema de estúdios, ficou extremamente difícil obter financiamento devido à crise de crédito e à recessão.

“Vejo menos promoção de estrelas nessa seleção, e aqueles que possuem estrelas parecem ter histórias mais sombrias”, disse Berney.

Exemplos importantes incluem Blue Valentine, um retrato sombrio de um casamento fracassado, estrelando Ryan Gosling e Michelle Williams, e Sympathy for Delicious, sobre um DJ paralítico que tenta se curar pela fé, estrelando Orlando Bloom e Mark Ruffalo. The Company Men, o primeiro filme de John Wells (ER ¿ Plantão Médico), traz Ben Affleck e Kevin Costner e trata do assunto deprimente de enxugamento corporativo. Ryan Reynolds passa o filme todo em um caixão em Buried.

Outros filmes que estão recebendo badalação precoce incluem alguns de baixíssimo orçamento, sem nenhuma estrela à vista. Catfish é um filme não-ficcional feito em tempo real, sobre um fotógrafo que passa por uma experiência incomum envolvendo o Facebook, e Winter’s Bone adota um olhar esparso sobre uma garota dos Montes Ozark em busca de seu pai traficante.

“Parece que a qualidade dos filmes será muito consistente com a de festivais passados -os tipos de comédias inteligentes e subversivas e os dramas sutis e elegantes pelos quais esperamos todos os anos”, disse Richard Klubeck, sócio da United Talent Agency. Klubeck espera vender vários filmes, incluindo Please Give, sobre o envolvimento de um casal com uma mulher idosa, de Nicole Holofcener.

De fato, os agentes estão cautelosamente otimistas quanto às vendas, em parte porque Preciosa foi um sucesso de bilheteria.

“Isso poderia ser potencialmente o começo do início -a renascença pela qual todos estávamos esperando”, disse Kevin Iwashina, cofundador da Parlay Media, uma companhia de venda e produção de filmes.

Algumas das mudanças de Cooper podem parecer sutis para os que estão de fora, mas são equivalentes a um estrondo para os participantes regulares. A nova seção Next é uma delas. Outra envolve a noite de abertura. Este ano, Sundance irá abrir mão de uma única estreia espalhafatosa em favor de um programa de curtas e dois longas de destaque: o parcialmente animado Howl, com James Franco como o jovem Allen Ginsberg, e Restrepo, um documentário cáustico sobre a guerra no Afeganistão.

“Pude sentir o gosto da lama nele”, Cooper disse sobre Restrepo, dirigido por Sebastian Junger (Mar em Fúria) e Tim Hetherington.

Como se trata de Sundance, há outros documentários polêmicos, incluindo The Tillman Story, sobre como a família de Pat Tillman enfrentou o governo dos EUA após a sua morte, causada por fogo das tropas americanas no Afeganistão. Mas também há diversão, incluindo High School, uma comédia de maconheiros, e o longa 3D ambiental Cane Toads: The Conquest. A comédia britânica Four Lions é centrada em um grupo espalhafatoso de jihadistas com estilo próprio. Quanto a sucessos garantidos com celebridades, conte com Welcome to the Rileys e The Runaways, ambos estrelando Kristen Stewart de Crepúsculo.

Cooper já fez vários trabalhos de seleção de filmes em Sundance desde 1989, mas assumiu o cargo de diretor em março. Qual é o seu estado de espírito, especialmente considerando o peso renovado do festival?

“Ataque de pânico, na maior parte”, ele disse.

Sundance ‘10: cinema latino busca espaço

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

Uma seleção de filmes latino-americanos chega ao Festival de Cinema de Sundance com a expectativa de aumentar sua visibilidade internacional.

Além do Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia e Peru têm filmes participando da edição de 2010 do festival, com temas que vão desde política e homosexualiade a questões ambientais.

A programadora do festival, Caroline Libresco, afirma ter notado uma mudança importante na quantidade e qualidade do cinema latino-americano.

“Viajei recentemente a Colômbia, Peru e Chile, países que estão produzindo uma nova rodada de produtores que estão fazendo um trabalho emocionante, desenvolvendo talentos e arrecadando financiamento de diferentes partes do mundo”, afirmou Caroline.

De acordo com ela, a recepção do cinema latino-americano em Sundance é excepcional; a reputação é de serem filmes inovadores e as salas estão sempre cheias.

Sundance foi fundado em 1978 pelo ator e diretor Robert Redford para promover o cinema independente e viabilizar uma alternativa em relação aos grandes estúdios de Hollywood.

“É um ambiente de descobrimento e há muita emoção”, ressaltou Caroline sobre o clima presente no festival. “Aqui se encontra toda a gente da indústria dos Estados Unidos, mais compradores, distribuidores e caça-talentos de todas as partes do mundo”, concluiu.

Segredo da tribo
O Brasil participa do festival com o documentário “Segredos da Tribo”, de José Padilha, o mesmo diretor do documentário “Ônibus 174″ e da ficção “Tropa de Elite”.

Em 2008, “Tropa de Elite” conquistou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. “Segredos da Tribo” trata de polêmicos estudos antropológicos em torno de índios yanomami na Venezuela.

Em emtrevista à BBC, Padilha disse que optou por concentrar-se na discórdia pessoal entre os antropólogos e perguntar-se ao longo do documentário se esta disciplina pode ser considerada uma ciência genuína.

“Seus conflitos geraram uma guerra pessoal entre antropólogos, com as expressões mais baixas e indecentes, não um debate sobre quem são os yanomami”, afirmou Padilha. “O segredo não se refere ao segredo dos yanomami e sim ao segredo dos antropólogos”, completou o diretor.

América Latina
Outro filme latino-americano que pode ter sucesso em Sundance é o peruano “Contracorriente”, ficção que trata de uma relação homossexual secreta em uma aldeia de pescadores. “Contracorriente” concorre ao prêmio de cinema dramático internacional, uma das quatro competições existentes no festival.

Ano passado, o longa peruano “La Teta Assustada”, de Claudia Llosa, foi premiado com o Urso de Ouro em Berlim. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Sundance ‘10: desejo de voltar às raízes

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

O Festival de Sundance será inaugurado pelo vigésimo-sexto ano consecutivo nesta quinta-feira em Utah, com uma seleção de mais de 100 filmes e documentários que incluem a estreia de “Segredos da tribo”, de José Padilha, além de produções da Argentina, Bolívia, Peru e Espanha.

Durante os 10 dias de exibição, a nova equipe organizadora está disposta a retomar o espírito original da Meca do cinema independente.

O festival, fundado pelo ator americano Robert Redford para contrabalançar o enorme poder de Hollywood com uma mostra de produções independentes, se transformou nos últimos anos no maior festival dos Estados Unidos - e na melhor vitrine para os filmes, já que é frequentado assiduamente pelos caçadores de talentos dos grandes estúdios.

“Há muita pressão que vem do exterior para levar em consideração o aspecto comercial de um filme no momento em que é feita a seleção”, explicou à AFP John Cooper, que assumiu este ano a direção da mostra.

“É nossa responsabilidade manter nossa missão e programar os melhores filmes que pudermos encontrar”, acrescentou.

Na categoria Documentário Mundial, “Segredos da tribo”, nova produção do premiado diretor José Padilha, denuncia a maneira como índios da Amazônia são tratados por pesquisadores estrangeiros.

Na mesma categoria, “Lixo extraordinário”, da inglesa Lucy Walter, acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz com os catadores de lixo do Rio de Janeiro.

O ator mexicano Diego Luna apresentará nesta edição “Abel”, seu segundo trabalho como diretor, que conta a história de um menino mudo que precisa assumir o papel de chefe de família quando seu pai sai de casa. A produção, rodada no México, é de John Malkovich.

Entre os documentários mais esperados pelos cinéfilos se destacam “Bhutto”, de Jessica Hernandez e Johnny O’Hara, que conta a vida da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em dezembro de 2007, “I’m Pat Tillman”, de Amir Bar-Lev, “The Oath”, de Laura Poitras, e “Restrepo”, de Sebastian Junger e Tim Hetherington, que fala sobre o terrorismo no Afeganistão.

A guerra entre Geórgia e Rússia em 2008 também chega ao festival com “Russian Lessons”, de Olga Konskaya e Andrei Nekrasov.

Na ficção, os atores americanos Mark Ruffalo e Philip Seymour Hoffman fazem sua estreia do outro lado da câmera, respectivamente com “Sympathy for delicious” e “Jack goes boating”.

Apesar das mudanças, o Festival de Sundance continuará fiel à mostra da meia-noite, dedicada a filmes de terror B, de onde saíram os sucessos “A bruxa de Blair” e “Jogos mortais”.