Blog de Ouro: confira os vencedores

Cinema, Premiações 3 Comentários »

sociedadebbc 
A Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos, em mais um ano, movimentou a internet com a votação do Blog de Ouro. Neste ano, sofrendo as mesmas mudanças pelas quais o Oscar sofreu (foram indicados dez filmes ao invés de cinco), trazendo como o grande vencedor o filme Bastardos Inglórios, desbancando o fenômeno comercial Avatar. E isso pode comprovar que os votantes da Sociedade ainda se preocupam com a arte, diga-se de passagem. Parabéns para todos eles (inclusive para este blogueiro, que também faz parte da Sociedade, não é mesmo?).

Já na categoria que homenageia o cinema nacional, quem conseguiu vencer foi o longa-metragem À Deriva. Mais do que merecido. O filme de Heitor Dhalia foi, sem dúvida alguma, o melhor que a produção brasileira apresentou neste ano. Inclusive, era para ele ter sido o escolhido para representar o Brasil no Oscar, e não é aquela “coisa” horrível e desequilibrada chamada Salve Geral, que não possui mérito algum a não ser pela excelente interpretação da atriz Andréa Beltrão, que até tenta salvar o filme, mas se torna impossível por conter uma narrativa tão fraca.

Já os agradecimentos desta edição vão para o crítico de cinema e editor do site Cinema em Cena, Pablo Villaça, que aceitou o convite da Sociedade para ajudar na votação deste ano. Parabéns a todos que votaram e participaram da premiação e ano que vem tem mais. Logo abaixo segue a lista com todos os vencedores:

MELHOR FILME
(500 DIAS COM ELA)
AVATAR
BASTARDOS INGLÓRIOS
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
DEIXA ELA ENTRAR
DISTRITO 9
DÚVIDA
O LUTADOR
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?
UP - ALTAS AVENTURAS

MELHOR DIREÇÃO
AVATAR / James Cameron
BASTARDOS INGLÓRIOS / Quentin Tarantino
DEIXA ELA ENTRAR / Tomas Alfredson
O LUTADOR / Darren Aronofsky
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? / Danny Boyle

MELHOR ATOR
RYAN GOSLING / A Garota Ideal
FRANK LANGELLA / Frost/Nixon
SEAN PENN / Milk - A Voz da Igualdade
JOAQUIN PHOENIX / Amantes
MICKEY ROURKE / O Lutador

MELHOR ATRIZ
CHARLOTTE GAINSBOURG / Anticristo
ANNE HATHAWAY / O Casamento de Rachel
MERYL STREEP / Dúvida
KATE WINSLET / Foi Apenas um Sonho
KATE WINSLET / O Leitor

MELHOR ATOR COADJUVANTE
JOSH BROLIN / Milk - A Voz da Igualdade
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN / Dúvida
EDDIE MARSAN / Simplesmente Feliz
MICHAEL SHANNON / Foi Apenas um Sonho
CHRISTOPH WALTZ / Bastardos Inglórios

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
AMY ADAMS / Dúvida
VIOLA DAVIS / Dúvida
ROSEMARIE DEWITT / O Casamento de Rachel
MÉLANIE LAURENT / Bastardos Inglórios
MARISA TOMEI / O Lutador

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
(500) DIAS COM ELA / Scott Neustadter e Michael H. Weber
BASTARDOS INGLÓRIOS / Quentin Tarantino
DISTRITO 9 / Neill Blomkamp e Terri Tatchell
MILK - A VOZ DA IGUALDADE / Dustin Lance Black
UP - ALTAS AVENTURAS / Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON / Eric Roth e Robin Swicord
DEIXA ELA ENTRAR / John Ajvide Lindqvist
DÚVIDA / John Patrick Shanley
FROST/NIXON / Peter Morgan
QUEM QUER QUER UM MILIONÁRIO? / Simon Beaufoy

MELHOR ANIMAÇÃO
BOLT – SUPERCÃO
CORALINE E O MUNDO SECRETO
O FANTÁSTICO SR. RAPOSO
UP - ALTAS AVENTURAS
VALSA COM BASHIR

MELHOR FILME NACIONAL
À DERIVA
O CONTADOR DE HISTÓRIAS
SE NADA MAIS DER CERTO
SIMONAL - NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI
TEMPOS DE PAZ

MELHOR ELENCO
BASTARDOS INGLÓRIOS

O CASAMENTO DE RACHEL
DÚVIDA
FOI APENAS UM SONHO
MILK - A VOZ DA IGUALDADE

MELHOR FOTOGRAFIA
AVATAR
BASTARDOS INGLÓRIOS
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
DEIXA ELA ENTRAR
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

MELHOR MONTAGEM
(500) DIAS COM ELA
AVATAR
BASTARDOS INGLÓRIOS
DISTRITO 9
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
AVATAR
BASTARDOS INGLÓRIOS
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
A TROCA

MELHOR FIGURINO
AUSTRÁLIA
BASTARDOS INGLÓRIOS
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
INIMIGOS PÚBLICOS
A TROCA

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
AVATAR
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
QUEM QUER QUER UM MILIONÁRIO?
UP - ALTAS AVENTURAS

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Gran Torino / GRAN TORINO
I See You / AVATAR
Jai Ho / QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?
O… Saya / QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?
The Wrestler / O LUTADOR

MELHOR MAQUIAGEM
ARRASTE-ME PARA O INFERNO
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
DISTRITO 9
O LEITOR
STAR TREK

MELHORES EFEITOS VISUAIS
2012
AVATAR
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
DISTRITO 9
STAR TREK

MELHOR SOM
AVATAR
BASTARDOS INGLÓRIOS
DISTRITO 9
INIMIGOS PÚBLICOS
STAR TREK

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Trailer da Semana: Homewrecker

Cinema, Trailer da Semana Sem comentários »

Ainda tomado pelo espírito do Festival de Sundance, o Trailer da Semana será o de “Homewrecker”, que foi premiado em Park City exatamente por este vídeo que vocês podem conferir logo abaixo. Na premiação, que ocorreu no sábado (30), muitos falaram sobre a importância de Sundance. Porém, teve um discurso que me chamou mais atenção. O ator Mark Ruffalo (Ensaio sobre a Cegueira), disse que em Sundance era o “lugar onde nós podemos ser livres”. Engraçado, este foi sempre o pensamento que passou pela minha cabeça durante estes três anos nos quais eu decidi acompanhar o festival com mais afinco.

Sempre fui um fã da produção independente e, com isso, sempre dei grande destaque a estes filmes aqui no meu blog. Pretendo continuar fazendo isso mais e mais vezes, mas é impressionante como esta fala cai perfeitamente bem dentro das novas propostas e direções que o Sundance tomou neste ano. Um exemplo disso é o filme Homewrecker que, na realidade, é uma mistura de vários gêneros. Assistam o trailer abaixo deste longa-metragem escrito e dirigido por Todd e Brad Barnes:

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Sundance ‘10: confira os vencedores

Cinema, Festivais 1 Comentário »

O Festival de Sundance chegou ao fim, tendo mais uma edição dedicada especialmente à produção independente. A certeza que fica é que, mesmo com o fechamento da Miramax e com a falta de distribuição, enquanto o Sundance existir poderemos continuar imaginando que as produções deste gênero tenham espaço. Para tanto, é cada vez melhor acreditar que exista público para elas, como é possível ver na plateia lotada em Park City. Mais do que um mero texto onde apresento os vencedores, falo como um blogueiro que ama a produção independente e que, como qualquer um, fica esperando para que elas possam chegar aos nossos olhos. Existem grandes obras (como devem existir muitas ruins também), que precisam ser vistas por todos nós. São filmes que invocam estéticas cinematográficas de diretores que se preocupam em passar mensagens, em transmitir propósitos e, principalmente, que querem preencher o espaço da produção com a arte de continuar fazendo cinema com amor.

E, assim, sem mais delongas, confira os vencedores do Festival de Sundance 2010:

- Competitiva Internacional

Prêmio Especial do Júri para Documentário: “Enemies of the People”
Prêmio de Melhor Documentário Cinematográfico: "His & Hers”
Prêmio de Melhor Edição em Documentário: “A Film Unfinishied”
Prêmio de Melhor Direção em Documentário: Christian Frei, por “Space Tourists”
Prêmio do Grande Júri para Documentário: “The Red Chapel”
Prêmio Especial do Júro para Melhor Atuação: Tatiana Maslany, por “Grown Up Movie Star”
Prêmio de Melhor Filme Dramático: “The Man Next Door”
Prêmio de Melhor Roteiro: “Southern District”, por Juan Carlos Valdivia
Prêmio de Melhor Direção: “Southern District”
Prêmio do Júri para Melhor Filme Internacional de Ficção: “It’s Animal Kingdom”
Prêmio de Melhor Apresentação pelo Youtube: “Homewrecker”
Prêmio da Audiência de Melhor Documentário: “Waste Land”

- Competitiva Americana

Prêmio Honda de Audiência de Documentário: “Waiting for Superman”
Prêmio Honda de Audiência de Drama: “Happythankyoumoreplease”
Prêmio da Audiência de Melhor Drama: “Contracorriente”
Prêmio Especial do Júri para Documentário: “GasLand”
Prêmio Especial do Júri para Drama: “Sympathy for Delicious”
Prêmio de Excelência em Documentário: “The Oath”
Prêmio de Excelência em Drama: “Obeslidia”
Prêmio de Melhor Edição em Documentário: Penelope Falk, por “Joan Rivers: A Piece of Work” 
Prêmio de Roteiro Waldo Salt: Debra Granik and Anne Rosellini, por “Winter’s Bone”
Prêmio de Melhor Direção em Documentário: Leon Gash, por “Smash His Camera”
Prêmio de Melhor Direção em Drama: Eric Mendelsohn’s, por “3 Backyards”
Prêmio do Grande Júri para Documentário: “Restrepo”
Prêmio do Grande Júri para Drama: “Winter’s Bone”

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OTH 7×14 – Family Affair

One Tree Hill, Reviews 1 Comentário »

Atenção: os próximos parágrafos possuem spoilers

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Título: Family Affair
Temporada: 0
7
Episódio: 14
Exibição: 25/01/10
Emissora: CW

Nenhuma família é perfeita. Durante sete temporadas, foi possível perceber isso observando apenas os Scott. Entre tantos dramas e tumultos, os filhos conseguiram se desvencilhar dos seus pais e, com isso, criaram as suas próprias vidas. De uma maneira geral, eles aprenderam mais consigo mesmos (e com as desilusões da vida), do que com os seus pais, que estavam mais preocupados em praticar joguinhos do que em realmente educá-los. Entretanto, não são apenas os Scott que possuem problemas. Os James também não ficam atrás. Imaginem três irmãs com nervos à flor da pele? Pois bem, foi isso que One Tree Hill retratou neste episódio. Tudo por conta da relação entre Taylor e David, ex-marido de Quinn, irmã dela. Enquanto as duas tentavam levar isso na melhor maneira possível, Haley tentava mostrar o que era certo e errado nesta história.

É importante que a série tenha cada vez mais o seu foco familiar em questão dentro das suas narrativas. No entanto, a sétima temporada ainda peca pela ingenuidade com que ela consiga materializar estes fatos. A cena entre Mouth e Lauren, por exemplo, logo em seguida ao momento na casa dos Scott, soa completamente desnecessário. Por que ela ajudaria Mouth a limpar a bagunça que Millie fez enquanto se drogava e entregava a sua vida à cocaína? Não tem o menor sentido. E não adianta usar o argumento de que ela era (ou é) a namorada de Skills porque, mesmo assim, continua sendo algo completamente fora da lógica. O mais triste é que a série tentou criar um clima de romance entre os dois, algo que seria completamente estúpido considerando a amizade entre Mouth e Skills e, principalmente, a relação entre Millie e Mouth, o que comprova minha teoria de que, às vezes, One Tree Hill parece simplesmente não saber o que está fazendo.

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Mas o foco estava no jantar da família Scott, com as três irmãs juntas e os seus respectivos noivos, maridos e namorados. Por esta razão, o episódio se vale muito mais pelo humor que as cenas passadas neste ambiente empregam, que ainda conta com uma direção bastante irregular do ator Paul Johansson, que sempre se aventura em dirigir alguns capítulos (já que o seu personagem foi completamente esquecido pelos roteiristas, não é verdade?). A briga que acontece na piscina, por exemplo, poderia ser melhor filmada se ele conseguisse abrir mais o plano. Entretanto, quando ele faz isso, acaba expandindo demais a tela que, em seguida, corta novamente para planos fechados demais, perdendo completamente a dramaticidade que a cena poderia oferecer (por mais que ela tenha soado apenas engraçada e hilária).

Longe disso tudo, estão Brooke e Julian. Ambos se separaram oficialmente, mas sabem que ainda existem um “nós” entre eles, que os dois ainda não superaram. Em contagem regressiva para produzir o seu novo filme, Julian ainda não tem um diretor (apesar de esconder isso, tava “na cara” que ele iria se candidatar para o posto). Enquanto isso, Julian pediu para que Brooke possa ser a figurinista. Convite logo aceito por ela, o que pode representar um recomeço, mas também mais ciúmes e dramas por conta de Alex, haja vista que ela é a estrela do filme e a personagem principal. Enfim, One Tree Hill ainda promete algumas emoções daqui pro final, mas a série continua não tendo objetivos ou histórias centrais que possam carregar todos os personagens. E isso é uma pena, por mais que esta sétima temporada tenha se equilibrado neste momento.

Cotação: ★★½☆☆

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Nine

Cinema, Críticas 1 Comentário »

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Dirigido por Rob Marshall. Com: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Judi Dench, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Kate Hudson, Sophia Loren e Fergie. (idem, 2010)

Federico Fellini, pra mim um dos maiores cineastas italianos ao lado de Michelangelo Antonioni, disse que grande parte daquilo que se vê em Oito e Meio (1963) pode ser considerado como autobiográfico. Um filme onde a trama girava em torno de um cineasta, interpretado com maestria por Marcello Mastroianni, que demonstrava um certo esgotamento no seu estilo de vida e passava por uma crise criativa, fez também com que Fellini dissesse que grande parte das cenas foram concebidas através de sonhos que ele teve.

Com isso, chega-se em Nine, novo filme do diretor Rob Marshall (Chicago), e que tenta fazer uma releitura deste clássico de Fellini, sendo o roteiro primeiramente escrito por Anthony Manghella (que morreu no ano passado) e Michael Tolkin. Além disso, contando com um elenco com super atores, Marshall queria repetir o mesmo sucesso que alcançou com Chicago e que lhe faltou com o seu filme posterior, Memórias de uma Gueixa. Desde 2005 sem filmar, ele retornou ao gênero musical com o intuito de trazer uma versão contemporânea para Oito e Meio, mas a realidade é que ele não deveria mesmo ter feito isso.

Pra começar, as comparações entre os dois filmes acabam sendo quase que inevitáveis. Por um lado, é bem possível que Rob Marshall tenha feito este filme porque também estava passando por uma fase criativa difícil. De qualquer maneira, ele apresenta ao seu espectador Guido Contini (Day-Lewis), um cineasta que anda cansado mentalmente da sua vida cotidiana, com tantas pessoas querendo opinar sobre o seu novo filme e cobrando o roteiro que ele ainda não escreveu. Os nomes dos personagens, aliás, foram preservados. Em Nine, ficou o sobrenome Contini. Enquanto que em Oito e Meio, Marcello Mastroianni interpretou Guido Anselmi. Meros detalhes que não influenciam na narrativa, mas que merecem ser registrados. Para tentar retomar o seu ritmo de produção, Guido tenta se inspirar nas mulheres (também símbolos do cinema italiano e da filmografia de Fellini). Assim tem a esposa Luisa Contini (Cotillard), a amante Carla (Cruz), a musa Claudia (Kidman), a consultora e figurinista Lilli (Dench) e a mãe (Loren).

Todas elas se apresentam em momentos importantes na vida de Guido, mas nenhuma das atrizes consegue obter um resultado satisfatório. O que acaba acontecendo é que os personagens se tornam rasos demais. Talvez tenha faltado mais tempo para criar uma relação entre elas e Guido ou, decerto, talvez este nunca tenha sido o foco. A exceção fica por conta de Marion Cotillard, que desempenha um excelente trabalho. Aliás, ela e Day-Lewis salvam o filme de um desastre que poderia ser muito maior. Mesmo com o sotaque italiano forçado, o vencedor do Oscar de Melhor Ator do ano passado consegue impressionar e contagiar quem está assistindo, principalmente porque ele passa empatia interpretando um cineasta à beira de um ataque de nervos, tenta recorrer a qualquer ajuda que se faça necessária para conseguir realizar o seu filme. Enquanto isso, Cotillard invoca Luisa e a transforma em uma mulher complexa que, mesmo sabendo dos relacionamentos extra-conjugais do marido, continua amando-o e acreditando nas suas possibilidades criativas de realizar um novo filme.

No meio disso tudo e de todo esse drama, surgem as notas musicais, onde se concentra também o maior erro de Rob Marshall. As músicas que são cantadas e encenadas, nada têm a ver com as histórias que vão sendo contadas. Ao contrário de filmes como Moulin Rouge e até mesmo Chicago, onde as notas musicais estavam presentes na narrativa do filme, em Nine isso não acontece. Tudo se passa em um outro cenário - que é o estúdio onde Guido filmaria o seu filme - e a edição acaba picotando as músicas com o que estava sendo feito em cena. Assim, tanto os diálogos quanto às próprias letras das canções, acabam não surtindo efeito em determinados momentos. Em outros, há uma harmonia interessante entre o que é cantado e, principalmente, o que é mostrado. Isso acontece quando Fergie canta “Italian”, em uma das melhores cenas do filme, com uma linda coreografia e também um bom estilo de direção realizado por Rob Marshall, que trabalha durante a obra de maneira muito burocrática ao não conseguir retratar (ou simplesmente mesclar) as músicas com as cenas.

Por outro lado, pode existir uma explicação plausível para este tipo de montagem e que talvez alguns outros possam ter compreendido dessa forma. Como Fellini afirmou quando fez Oito e Meio, boa parte das cenas surgiram de sonhos que ele teve, ou seja, é bem possível que Rob Marshall tenha levado esta afirmação à sério e feito com que o seu Guido Contini imaginasse as sequências que possuem músicas, sendo elas completamente encenadas de maneira afastada das tramas que aconteciam. Ainda assim, este tipo de montagem que fora empregado na narrativa, tira qualquer tipo de naturalidade que o filme poderia alcançar. Poucos são os momentos em que Nine consegue empolgar. Aliás, o papel de Claudia dado a Nicole Kidman, sendo no original interpretado por Claudia Cardinale, surge como mais um erro, pois ela não consegue dar nenhuma expressão, passando completamente despercebida aos olhos de quem está assistindo. O mesmo acontece com Kate Hudson, em uma aparição sem objetivo algum.

Além disso, Nine é um musical com músicas extremamente ruins. São poucas as que conseguem sobressair. As letras das canções também é um outro ponto negativo a ser destacado. “Be Italian” é a melhor música do filme, seguida de “Take It All”, que conta com uma excelente interpretação da atriz Marion Cotillard. Rob Marshall tenta fazer um bom filme, essa é a verdade. De certa maneira, ele faz uma homenagem à obra de Fellini ao trazer também cenas em preto e branco (Oito e Meio, além de ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, também levou a estatueta de Melhor Figurino P&B) e, acima de tudo, mostra a importãncia que o cinema italiano tinha na década de 60. Guido Contini, por exemplo, é tratado como uma estrela e todos aguardavam ansiosos pela estréia do seu novo filme. A imprensa acompanhava de perto todos os seus passos, em busca de novidades. Tudo é bem personificado por Rob Marshall, que realiza, no final, uma obra bastante irregular a partir de uma montagem que surge de maneira não-convencional, mas que não consegue agradar.

Por conta da experiência que Marshall tem em espetáculos da Broadway, Nine é encantador apenas pelo seu aspecto visual. As cenas das canções são bem coreografadas e causam um efeito avassalador em quem assiste. Mas isso é muito pouco em meio a um elenco como este, com uma história capaz de tomar rumos tão distintos quanto o próprio filme de Fellini. O maior problema é que o diretor de Chicago tentou se prender ao “básico” e acabou fazendo uma obra extremamente superficial. Daniel Day-Lewis e Marion Cotillard comprovam a riqueza dramática que ambos os atores possuem como técnica de interpretação, capazes de conseguirem atingir o seu público com qualquer personagem que estejam interpretando. Nine vale pela maneira divertida de Guido, mas registra limites por contar de maneira muito rápida uma história que tinha tudo para dar certo. Rob Marshall continua sendo um diretor superestimado, principalmente porque ele se contenta com o superficial acreditando que o público poderá se contentar apenas com isso quando, na realidade, ele tem se tornado cada vez mais exigente.

Cotação: ★★☆☆☆

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