V Semcine - o ‘cinema-realidade’ de Godard
terça-feira, julho 28th, 2009A abertura oficial do V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (Semcine) se deu com um fragmento da obra ‘Histórias do Cinema’, que é dirigido pelo cineasta francês Jean-Luc Godard e é dividido em diversos capítulos, que serão apresentados na Retrospectiva que o festival preparou para homenagear o autor.
Porém, no episódio apresentado, o curta se torna desgastante pela repetição das cenas e altamente cansativo pela maneira com a qual Godard o conduz. É claro que este foi apenas o primeiro fragmento de uma série de outros que serão apresentados. A própria mesa que veio em seguida, com a proposta de discutir o Cinema e a Poesia de Godard, também pouco se debateu sobre as contribuições do cineasta para a estética cinematográfica.
Os palestrantes exaltaram muito mais o diretor do que propriamente falaram daquilo que a mesa se propôs a discutir. No entanto, o crítico, professor de cinema, ex-redator chefe da revista Cahiers Du Cinema e autor de numerosas obras sobre o Godard, Alain Bergala, contou histórias do cineasta francês e curiosidades sobre as suas maneiras de filmar.
‘Nos anos 60, Godard descobriu novas maneiras de fazer os seus filmes. Mas ele sempre tinha problemas com os orçamentos, porque Godard demorava muito para filmar, gravando três minutos do filme em um dia, mais três em outro e, assim, ele ia levando’, disse Bergala. E ele aproveitou para expor uma crítica do próprio Godard que diz ‘que o cinema deve ficar sempre do lado real’.
A explicação possível para um pouco da crise de Godard no final da década de 60 é explicada por Alfredo Manevy, que escreveu a tese ‘Jean-Luc Godard e o cinema americano - de Acossado a Made in USA’.
É exatamente com este último filme, que o diretor francês começa a questionar a sua própria obra, uma vez que ele sempre criticou a publicidade nos filmes e outras questões que começavam a tomar conta da arte cinematográfica. Porém, ele começou a perceber que também estava se deixando levar por isso e ‘Made in USA’, acaba funcionando como uma crítica sobre estes pensamentos e inquietações do diretor.
Possivelmente, a ‘Retrospectiva Godard’ - que começa na tarde desta terça-feira (28) - poderá trazer um entendimento maior para o público do Semcine a cerca das obras do cineasta francês, que também pode ser chamado de gênio por tudo aquilo que construiu, desde a construção do movimento da Nouvelle Vague em 1959 com o filme ‘Acossado’ até os filmes políticos e militantes que poucos conseguiram ver durante a década de 60.

