Mallory Levitt versus Blogueiros

Bastidores, Opinião do Editor 3 Comentários »

Ao mesmo tempo em que recebi recentemente um convite do Universal Channel para escrever um texto sobre o final do volume ‘Fugitivos’ em ‘Heroes’, me deparo com outras situações bem distintas na internet. Enquanto um canal estreita o relacionamento com os blogueiros e enxergam um potencial de divulgação e participação deles, o canal pago americano Showtime pensa exatamente o contrário.

Mallory Levitt, vice-presidente e assistente geral do Conselho de Propriedade do CBS Law, começou uma caça aos blogueiros brasileiros que divulgaram cartazes de lançamento da nova temporada de ‘Dexter’, série que é exibida pelo canal Showtime mas que tem os seus direitos pertencentes à CBS. De acordo com ela, estes ‘criminosos’ não teriam os direitos autorais para reproduzir as imagens que haviam sido colocadas na grande rede pela própria emissora.

Se vocês estiverem lendo bem o texto, podem perceber que o material colocado na internet é de ‘divulgação’ e não ‘comercializado’ como sugere Mallory Levitt. Se os cartazes foram colocados à disposição dos internautas, é bem provável que eles facilmente entrariam na rede de blogs o quanto antes, mesmo porque, ‘Dexter’ é uma série que se tornou mundialmente conhecida e aclamada pela crítica. O que mais me impressiona, no entanto, é que estes mesmos blogueiros fizeram quase que um serviço de ajuda ao divulgarem a nova temporada do programa.

Porém, não é bem assim que Mallory Levitt pensa. De acordo com Ale Rocha (editor do Poltrona.Tv), ela sempre se envolve em escândalos desse tipo. No final dos anos 90, segundo seu texto publicado (leia aqui), uma das ações desta pessoa foi derrubar sites de fãs de ‘Star Trek’. Ela mandou retirar “qualquer material da internet e de qualquer serviço online futuro”.

Recentemente, em 2006, dois moradores de uma cidadezinha perdida da Carolina do Norte, decidiram erguer uma estátua em homenagem a Barney Fife, interpretado por Don Knotts na clássica comédia ‘The Andy Griffith Show’, exibida entre 1960 e 1968. O projeto foi abortado porque o personagem pertencia à CBS Corporation.

Os brasileiros sempre tentam copiar os americanos mas, neste caso, acredito que conseguimos ser muito superiores a eles. A prova disso é a própria Universal Channel, que sempre convida blogueiros para escreverem sobre as suas séries. É uma atitude importante, de principalmente caminhar ao lado dos internautas, porque são também eles que ajudam na divulgação dos programas. Para Mallory Levitt, esta relação não deve existir, porque tudo gira em torno dos direitos autorais e de propriedade intelectual.

De qualquer maneira, fica aqui o apoio aos blogueiros intimados e também a decepção de termos que ainda ler notícias sobre isso e de vivenciar certas coisas que parecem não combinar com o atual momento em que vivemos, mas que existem. Posso também receber uma intimação desta Mallory Levitt, nunca se sabe. Mas o cartaz de divulgação só aumentaram as minhas expectativas para a nova temporada, que estréia no dia 30 de setembro.

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Trailer da Semana: Nine

Trailer da Semana 3 Comentários »

Eu sei que Nine provavelmente só estreie no segundo semestre ou no início de 2010, mas eu tinha que colocar o thrailer desta obra musical do diretor Rob Marshal (’Chicago’), que construiu para este longa-metragem um elenco cheio de estrelas e talentosos atores. Daniel Day-Lewis, por exemplo, que faz um cineasta perseguido por todas as mulheres da sua vida, já ganhou duas estatuetas. Judi Dench foi indicada recentemente pela sua interpretação magnífica em ‘Notas de um Escândalo’. Marion Cotillard ganhou o prêmio de melhor atriz do ano passado pela sua atuação em ‘Piaf - Um Hino ao Amor’. O furacão Penélope Cruz ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante com a sua María Helena em ‘Vicky Cristina Barcelona’, do diretor Woody Allen. E ainda tem Nicole Kidman (também já foi indicada), Kate Hudson e Sophia Loren. Só tem dois caminhos para ‘Nine’: ou ele será um completo fiasco, ou será um desses filmes inesquecíveis que o cinema produz. Confira abaixa o trailer:

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Universal Channel Convida

Bastidores, Heroes 2 Comentários »

Este blogueiro que vos escreve foi convidado recentemente para escrever um texto sobre o final do volume ‘Fugitivos’ em Heroes. Só para situar, a coluna ‘Universal Channel Convida’ chama blogueiros e especialistas para comentar sobre as séries que o canal pago possui. É uma atitude interessante, em uma época em que os canais parecem lutar tanto contra os blogueiros (viram o caso da emissora Showtime com alguns blogs brasileiros?) que, segundo eles, estão usando indevidamente cartazes de divulgação e contribuindo para o decréscimo da audiência.

Aliás, o canal exibe o final do volume nesta sexta-feira (26). Eu fiz comentários sobre o contexto geral do que foi abordado. O mais importante é que realmente (acredito eu) consegui fazer um texto, sem ser exatamente muito crítico, mas apontando algumas falhas que evidenciaram um pouco da queda da audiência, que se consolidou nesta terceira temporada.

Não digo que Heroes não tenha a capacidade de reerguer com as suas tramas, mas vejo que a série precisa começar a diminuir o número excessivo de personagens para se concentrar melhor neles e no desenvolvimento das suas estórias. Este é o caso de Sylar. Se ‘conhecemos’ tão bem o seu jeito frio e calculista, por mais que este seja um mérito do ator Zachary Quinto, é porque os roteiristas deram oportunidade para ele crescer dentro do programa. É isso que eu espero.

De qualquer maneira, não pretendo fazer um post grande. Apenas estou aqui informando que o meu texto já fou publicado. De antemão, já deixo aqui os meus agradecimentos a toda equipe do Universal Channel, pelo convite e pelo tratamento. Muito obrigado! Para ler, basta clicar neste link ou no cartaz ao lado.

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O Cheiro do Ralo

Cinema, Críticas Sem comentários »

Dirigido por Heitor Dhalia. Com: Selton Mello, Paula Braun, Lourenço Mutarelli, Flávio Bauraqui, Sílvia Lourenço e Alice Braga. (idem, 2007)

Quando tive a oportunidade de entrevistar o diretor Heitor Dhalia, aproveitei para perguntá-lo sobre o filme O Cheiro do Ralo. Ele me disse que era um livro de difícil transposição na tela (’O Cheiro do Ralo’ foi escrito por Lourenço Mutarelli, personagem vivido pelo ator Selton Mello). A dificuldade é simples: todo o longa-metragem se passa praticamente em apenas uma locação, que é a loja onde Lourenço compra objetos usados das pessoas. Porém, o mais interessante na personalidade conturbada do personagem principal é perceber o quanto ele se torna uma pessoa fracassada ao longo do filme.

O longa-metragem começa com um zoom na bunda de uma garçonete, cujo nome não é revelado para o público, enquanto aparecem os créditos. Lourenço (Mello) se apaixona pela bunda e faz questão de sempre ir até aquela lanchonete, por mais que o hambúrguer de lá seja ruim. O importante para ele era visualizar a bunda que tanto lhe agradava e que ele tanto admirava. Nesta vida paralela, Lourenço é um cara comum que compra objetos usados das pessoas, necessitadas por dinheiro. No entanto, ele começa a perceber que pode explorar mais estes clientes, fazendo com que o próprio Lourenço se tornasse satisfeito, uma vez que ele estava cansado de satisfazer a sua clientela comprando aquilo que ele os oferecia.

Quando o maldito ’cheiro do ralo’ começa a incomodar cada vez mais Lourenço, ele acaba se tornando uma pessoa mais solitária, principalmente quando resolve terminar o seu noivado por estar apaixonado pela bunda da garçonete. No entanto, sempre quando ele perguntava para as pessoas que o visitava se estes estavam sentindo algum ‘cheiro ruim’ no lugar, o outro respondia que não. Isso cria uma certa suspeita em torno deste elemento, que acaba fazendo parte integrada da estória, funcionando quase como um personagem. E vejo esta metáfora do ‘cheiro’ como algo surreal dentro do filme, porque quando as pessoas passam a sentí-lo também começam a enxergar a outra personalidade de Lourenço, se tornando um sujeito ainda mais frio e louco.

O roteiro do filme segue uma inovação de dividí-lo em forma de capítulos, o que acaba representando muito bem o momento pessoal do personagem principal. A própria fotografia simples (que pode ser caracterizada pelo baixo orçamento do filme), acaba tendo um resultado impressionante, uma vez que em muitas cenas a própria montagem e edição das cenas, feita de maneira fervorosa em certos  momentos (o que é uma característica do diretor Heitor Dhalia já no seu filme Nina ele usa muito isso), contrastando o perfil decadente que o personagem vive. Mesmo porque, Lourenço tem uma vida em plena decadência que é perceptível quando ele começa a se relacionar com uma das suas clientes. A partir disso, o filme vira quase que uma aula de psicanálise, porque a interpretação de Selton Mello aliada ao próprio roteiro, nos faz transitar pelo mundo psicótico e perturbador do protagonista.

É uma transformação interessante, aliás, que o filme sabe abordar. Se no início do longa-metragem Lourenço tinha medo de falar certas coisas e se apresentava quase sempre de cabeça-baixa, ao longo da película o espectador pode perceber a sua mudança de comportamento - apesar de não entendermos certas situações. Um exemplo que pode elucidar isso, é quando ele manda matar um cliente que havia chegado com um relógio para ser trocado por dinheiro. Em um instante, ele achou que o cara estava querendo roubá-lo e, com isso, Lourenço enlouquece e começa a espancar o seu cliente em um ato incrível de fúria e desequilíbrio.

Tudo isso pode ser percebido graças a uma excelente atuação de Selton Mello. Ele nos provoca múltiplos olhares sobre o filme, principalmente sobre o seu personagem. Com humor caprichado, ele consegue sair do seu estado de comodidade para o de loucura em apenas cinco segundos. E estes mesmos problemas mentais o perseguem quando ele compra um olho que ele diz ser do seu pai, que, segundo ele, morreu na guerra (o que seria impossível se ele nasceu na década de 60) ou, ainda, quando começa a se relacionar com uma cliente e, principalmente, quando percebe que ele pode fazer um jogo com o seu cliente onde todos podem sair satisfeitos.

Agora, se procurarmos refletir sob a ótica da sociedade capitalista em que vivemos, podemos ver como as relações humanas são mediadas pela mercadoria com o objetivo de humilhar a outra pessoa, porque é isso que Lourenço faz em muitas vezes que alguma mulher vai até a sua loja. Como todos estão sempre precisando de dinheiro, ele oferecia algo em troca de um serviço que pudesse lhe dar prazer e que pudesse alimentar a sua mente doentia. Por essa razão, a interpretação de Selton Mello é tão magistral, brilhante e única. O seu personagem reflete a decadência e a podridão, muito bem representado metaforicamente pelo mal cheiro constante do ralo que se encontra no banheiro da sua loja.

O Cheiro do Ralo é um filme underground, filmado em apenas uma locação, tendo como base um roteiro alternativo, inteligente e ‘fedorento’. A estória de Lourenço pode não ser contagiante, mas mostra muito bem como a própria pessoa pode cavar a sua própria solidão e insanidade. O filme é mesmo diferente, singular, algo raro de se ver no cinema. Pra mim, é uma obra extremamente ousada (como eu bem comentei quando conversei com Heitor Dhalia). O diretor, aliás, faz um excelente trabalho. Utilizando-se de uma direção simples, o seu mérito maior é nos deixar entrar no mundo caótico vivido por Lourenço Mutarelli, permitindo ao seu espectador a possibilidade de mergulhar em um universo surrealista fascinante.

Cotação: ★★★★★


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Trailer da Semana: Jean Charles

Bastidores, Trailer da Semana 2 Comentários »

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