Para os amantes de seriados, a midseason é um terror por não ter praticamente série nenhuma em exibição e, quando tem, a qualidade não é das melhores. Por outro lado, essa fase da tevê norte-americana também pode servir de ajuda para colocar episódios em dia e aproveitar para assistir coisas antigas e que você nunca teve oportunidade de ver antes. No entanto, dessa vez eu resolvi acompanhar a midseason apesar de ter algumas séries pendentes como, por exemplo, The West Wing, Six Feet Under, The Sopranos e mais algumas outras.

Resolvi dar uma pausa nesses programas para assistir algumas coisas novas, mas o saldo não foi dos melhores. A midseason começou basicamente com Swingtown, série que se passa no subúrbio da cidade de Chicago, onde os seus moradores praticam o swing no auge dos anos 70. Trilha sonora bem característica e um elenco encabeçado por Molly Parker, além do tema polêmico atraíram telespectadores nos primeiros episódios. Porém, com o tempo o público foi desistindo da história porque a série não conseguia sair do lugar. Era fato que um programa com uma temática como essa e sendo transmitindo numa emissora de canal aberto (CBS) não iria dar muito certo, tanto que agora a CBS está procurando algum canal pago para comprar o show.

As limitações de Swingtown em não poder mostrar além do comum era algo que não incomodava apenas o seu público, mas os próprios executivos da série. Ela começou a mudar o seu formato a partir do momento em que resolveu explorar mais os fatos históricos dessa década, sendo esta a forma mais inteligente que ela tinha de fugir da normalidade. A midseason, assim, continou com a série In Plain Sight, que também não vingou apesar de já ter sido renovado pelo canal USA. A história de uma detetive durona e que trabalha na proteção de testemunhas não fugiu sequer dos estereótipos criados pelo gênero, nos entregando um programa sem fundamento algum.

Mas o desastre ainda estava chegando. Quando a NBC lançou Fear Itself, colocando supostos “mestres do terror” na direção dos episódios a midseason desandou de vez. Sem ter personagens e/ou histórias fixas, Fear Itself a cada semana nos apresentava novos roteiros (também escritos pelos supostos “mestres do terror”) que beiravam o ridículo. Mais preocupados com a ação e o suspense (que, na verdade, não existiam), a série se perdia na tentativa de criar personagens, histórias, cenários. O programa só serviu para comprovar que o gênero do suspense/terror está cada vez mais decadente nas mãos dessas pessoas tidas como “mestres”. Será que eles assistiram filmes do Hitchock? E do Friedkin, será?

Por outro lado, tivemos boas surpresas. A produção canadense Flashpoint foi uma delas. Estrelada por Enrico Colantoni (ex Keith Mars na série Veronica Mars), a série mostrou uma qualidade que é pouco vista na televisão. A parceria entre a CTV e a CBS criou a possibilidade de se utilizar mais dinheiro que o normal. A história também era consistente ao mostrar o cotidiano de um grupo especiais da polícia (estilo o BOPE) que é responsável por resolver casos que a polícia comum não é capaz de solucionar. Nos primeiros episódios, Flashpoint conseguiu explorar boas histórias mas, aos poucos, foi se afundando no seu próprio roteiro, que tinha a proposta de ter plots independentes.

Aproveitando o sucesso de crítica e de público que foi o filme Juno, o canal fechado ABC Family lançou The Secret Life of the American Teenager que também mostra os problemas da gravidez de Amy Juergens, além de ter um enfoque voltado para o seu grupo de amigos e a vida que pessoas da sua idade se costuma levar no colégio. A primeira impressão que a série passou foi de preservar certas características que ajudaram a construir o drama teen. Por essa razão, a série tinha um visual anos 80 bem caracterizado com o intuito de utilizar este meio para resgatar os fãs antigos, além de conquistar o público novo que estava entusiasmado com Juno.

Normalmente, a midseason sempre é uma época em que boas séries são exibidas. Pelo menos foi assim nos anos anteriores. Para mim, este foi o pior ano até agora desde o tempo em que acompanho a exibição americana. Apesar da boa vontade dos seus criadores e de até alguns episódios interessantes, a midseason não conseguiu suprir a ausência das séries que estamos acostumados a ver na fall season, que começa oficialmente no dia 1° de Setembro. Antes eu tivesse colocado meus episódios em dia…