Agora que as discussões se encerraram, o IV Semcine promove apenas exibições de filmes na sala principal do Teatro Castro Alves e na Sala do Coro, onde acontece a Mostra Retrospectiva, além da mesa “Diálogos”, que nestes últimos dias de evento estará discutindo a atual posição da Crítica dentro do cenário cinematográfico.

Decidi, então, acompanhar os longa-metragens que estão sendo exibidos nas noites na sala do Teatro Castro Alves, sendo sempre antecedido por um curta-metragem que está concorrendo ao Prêmio de Melhor Curta que será entregue na celebração de sábado a noite. Confesso que até então, estava achando a qualidade dos curtas selecionados muito abaixo daqueles que foram exibidos em outras edições. Porém, o curta-metragem baiano 10 Centavos deu mostras de que é o um fortíssimo candidato para vencer a disputa neste ano.

Digo isso porque o diretor César Fernando de Oliveira soube empregar uma sensibilidade da realidade de um garotinho que luta pela sua sobrevivência nas ruas de Salvador de maneira muito peculiar, assim como a sua maneira de filmagem. Os 19 minutos são repletos de boas tomadas e da boa atuação do garoto Jorge Júnior, que vigora aí como uma possível revelação do cinema brasileiro. A diferença deste curta para os outros que foram exibidos anteriormente, é que 10 Centavos mantém uma narrativa única sem brincar com metáforas de imagens e viagens pelo inconsciente, como aconteceu no curta Dreznica. Não que isso traga uma dificuldade ou que fuja de um contexto, mas 10 Centavos mantém um roteiro que consegue passar uma mensagem, ao contrário do que estava acontecendo.

E como este IV Semcine foi marcado principalmente pelo Documentário, o longa-metragem da Mostra Internacional ficou por conta de Café dos Maestros, dirigido pelo argentino Miguel Kohan, que conta a história do tango verdadeiro, e não aquele de exportação. O documentário promove uma incursão por meio da sua musicalidade, mas procurando enfatizar ainda mais os seus músicos e não apenas a dança. Aliás, pouco se vê na lente de Kohan a dança em si. O filme tem a intenção de celebrar o tango argentino e de venerar os seus principais musicistas, que ajudaram a construir a sua história e a sua musicalidade única. É até mesmo um documentário feito de uma maneira diferente, sem muitos depoimentos. O que se vê é muita música e orquestras que fazem qualquer pessoa se deliciar na poltrona com a maravilhosa sonoridade do piano e dos violinos.

Ainda essa semana pretendo fazer uma publicação sobre o papel da crítica, já que este tem sido um tema recorrente dentro do Seminário, além de ter rendido uma discussão fervorosa no ano passado entre o crítico André Setaro e o cineasta Edgar Navarro. Mas este é um assunto para as próximas postagens…