Dirigido por Justin Theroux. Com: Tom Wilkinson, Billy Crudup, Bob Balaban, Mandy Moore e Dianne West. (Dedication, 2007)
Quando você pensa no gênero comédia romântica, vem a mente os famosos clichês do casal que luta para ficar junto e, no final, tudo acaba bem naquele original “felizes para sempre”. Pois bem, quando você ler que Dedication, do diretor Justin Theroux, está enquadrado nesse gênero, esqueça os estereótipos, porque ele não alcança nenhum deles. O que na verdade se vê é uma obra com uma sensibilidade que contagia quem assiste, tornando os personagens carismáticos aos olhos do espectador, com uma história superior a eles.
Dedication é sobre o escritor de livro infantil Henry Roth (Crudup), um cara cheio de manias e com uma vida conturbada, desde a sua infância. Ele encontra na amizade do seu mentor e ilustrador Rudy Holt (Wilkinson), uma maneira de se socializar com as pessoas ao seu redor. Juntos eles escrevem a história de “Marty, o Castor”, um livro infantil lançado no Natal que enaltece as festividades da data. Henry tem um grande problema em não provocar mentiras nas crianças como, por exemplo, fazer com que elas possam acreditar que o Papai Noel realmente exista.
Quando Rudy Holt morre, vítima de um tumor no cérebro, ele se sente perdido e com a responsabilidade de escrever um último livro para satisfazer o desejo do seu mentor. Mas ele encontra terríveis dificuldades na busca de inspiração, até que ele conhece a ilustradora substituta da sua obra Lucy Reilly (Moore), que também vive uma série de problemas. A começar pela sua mãe Carol (Dianne West em uma interpretação de destaque), que vive colocando pressão para que ela ganhe dinheiro e, assim, pagar o aluguel do seu apartamento que pertence à sua própria mãe. E não se pode crucificar a atitude de Carol, até porque ela está ajudando a sua filha a criar responsabilidade e a ser independente, sem precisar da ajuda da sua mãe para sobreviver.
A verdade é que Henry começa a se achar no mundo. A partir do momento em que ele e Lucy vão se aproximando ainda mais para escreverem o livro, Henry acredita que finalmente achou a mulher certa para dividir a sua vida e os seus problemas, gerados pela infância e pelas suas excentricidades. Imaginem um cara que odeia andar de carro ou de ônibus (e ainda dirige com um capacete) e que dorme no chão com um punhado de livros em cima? Bem, esse é Henry Roth. E o carisma do personagem, juntamente com a boa atuação de Billy Crudup, garantem que o espectador possa se enxergar diante das manias e dos problemas enfrentados por Henry.
E foi assim que acabei me identificando com o filme e com Henry Roth. Não pelas manias que ele possui, mas pela forma com a qual ele enxerga as pessoas sempre com desconfiança. E isso não é algo que ele deseja, mas é porque ele aprendeu durante a sua vida que é preciso manter esse olhar para não se machucar, ou para não dar abertura para que isso aconteça. E é esse o principal problema que Lucy enfrenta para se relacionar com Henry e para adquirir a sua confiança. Mas, na verdade, o seu trabalho é facilitado porque ele também se viu apaixonado por ela e foi a partir disso que ele começou a enfrentar as suas manias e os seus medos.
Por essa razão, Dedication acaba sendo uma obra não apenas sobre um escritor de livros infantis, mas sim uma jornada de Henry Roth para enfrentar e lutar contra aquilo que o pertubava, contando com a ajuda do amor que ele sente por Lucy. Justin Theroux soube misturar drama com comédia e romance de maneira inteligente, criando um dos melhores filmes que eu já vi do gênero, com uma excelente trilha sonora e ótimas atuações.
















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