O mais irreverente dos 70’s show

Opinião do Editor, Swingtown 1 Comentário »

A midseason sempre nos reserva bons programas, o que acaba sendo uma alternativa às séries que entraram de férias e que só devem entre os meses de agosto e setembro. Normalmente as emissoras americanas conseguem investir bastante nesse meio do ano, como é o caso da rede ABC Family que tem, na grande maioria da sua grade, seriados que sempre estream nesta época. No entanto, quem tem roubado mesmo a cena é a CBS com a série Swingtown, que tem conseguido chamar atenção pela construção de um tema polêmico e pela recriação da década de 70.

O período da década de 70 foi extremamente conturbado, mas a música foi a expressão que mais se sobressaiu, assim como a mudança de comportamento das pessoas. O classic rock teve o seu surgimento e por essa razão os anos 70 também é chamado de “a década da discoteca”, devido ao surgimento da dance music e todos aqueles bailes que agitavam as boates de todo o mundo. Grupos como Pink Floyd, Genesis, Jethro Tull, dentre outros, foram de grande importância para a incorporação de anos tão significativos e de uma evolução musical muito importante. O glamour visual que começou com David Bowie também marcou uma década em que as pessoas seguiam uma moda que, nos tempos atuais, é simplesmente chamada de “brega”. A força de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, ainda ajudaram a criar uma tensão muito mais forte para o rock e influenciando as gerações seguintes, assim como Sex Pistols, Ramones, The Clash e tantos outros conjuntos musicais que marcaram época.

É dentro desse círculo que se desenvolve a série Swingtown, considerada como uma das grandes promessas do canal CBS para esquentar essa midseason. A história gira em torno dos casais Susan e Bruce, Tom e Trina. Os dois primeiros acabaram de se mudar para uma vizinhaça no subúrbio de Chicago, onde os residentes praticam o swing. E essa premissa não poderia se passar em uma década melhor, visto que os anos 70 tem toda a ousadia e a irreverência que um tema como este necessita. Por essa razão, a série não tem a intenção de retratar como nenhum romantismo a idéia, mas sim tentanto recriar uma realidade. E isso fica claro na parte técnica do programa. É impressionante como as construções são realmente idênticas às da época, assim como os carros, as rodovias, o figurino, os costumes dos personagens e tantas outras características marcantes da série.

Além disso, a série tá sabendo construir muito bem os seus personagens. Assim que assisti o episódio Pilot, resolvi não traçar muitos comentários positivos para não ser surpreendido no capítulo seguinte. Porém, Swingtown continou muito bem a história mostrando as conseqüências dos atos que foram explorados na sua estréia e a reação dos casais. Trina e Tom são os que conduzem Susan e Bruce para a nova prática com a intenção de levantar o astral do relacionamento entre os dois, que estava um pouco frio até por conta do tempo que estão juntos e dos dois filhos que tiveram. Susan e Bruce, com a ajuda de Tom e Trina, encontram no swing uma forma de continuar vivendo o amor. E me parece que esse tipo de recriação é a melhor possível, não apenas criando um fato sem um mero significado. A série tem o objetivo de transmitir que o relacionamento aberto pode ser uma saída para os problemas que muitos casais enfrentam como, por exemplo, os ciúmes, as desconfianças e o medo do outro encontrar uma outra pessoa.

Mesmo assim, o que realmente exalta a qualidade de Swingtown é a sua trilha sonora. Contagiante como a década foi, até agora foi o que de melhor a série se preocupou em mostrar, revivendo grandes clássicos da música como Johnny Cash, Rolling Stones, Bob Dylan. Assim como músicas de extremo sucesso, entre elas estão “Radar Love”, “Machine Gun”, “I Can See Clearly Now” e tantas outras belas canções. E acho imensamente importante esse resgate que a série tem feito, o que acaba sendo uma oportunidade para aqueles que não viveram nesta década de, pelo menos, ouvir e sentir o que foram aqueles anos de drogas, sexo e muito rock n’ roll, além da busca pela aceitação das mulheres o que acabou gerando os movimentos feministas que se iniciaram mais tarde.

Ainda é muito cedo para se avaliar Swingtown porque foram apenas dois episódios exibidos, mas é impossível não dizer que a série já conseguiu obter um tremendo destaque, seja com a trilha sonora maravilhosa ou com o tratamento de um tema tão polêmico e sensual. Mas não pense que o programa é cheio de sexo, porque ele não é. Se você está pensando em assistir por este motivo, a série não vai responder às suas expectativas. Mesmo sem as cenas que poderiam conter, Swingtown tem conseguido criar personagens que são tão contagiantes quanto a sua trilha sonora e que, acima de tudo, atores que possuem “a cara dos anos 70.”

Dica: Vocês podem acessar o link http://www.lastfm.com.br/group/swingtown para ouvir as músicas que são tocadas nos episódios da série.

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O Amor Custa Caro

Cinema, Críticas 1 Comentário »

Dirigido por Joel Coen. Com: George Clooney, Catherine Zeta-Jones, Geoffrey Rush, Paul Adelstein, Billy Bob Thornton, Jack Kyle. (Intolerable Cruelty, 2005)

Uma comédia romântica nas mãos dos fratelli Coen? Pois bem, essa é uma característica marcante dos irmãos, que sempre fazem trabalhos diferentes uns dos outros. Um gênero como esse na mão de qualquer outro diretor, tenho certeza que caíria naquela velha história de um casal lutando para ficarem juntos e todo aquele besteirol que já estamos acostumados. Com os irmãos Coen é completamente diferente.

Já falei em outras críticas que fiz de outras produções dos irmãos, que eles sempre conseguem desenvolver muito bem os seus personagens. Pois isso se confirma em O Amor Custa Caro. Primeiro ele nos mostra Miles Massey (George Clooney), um advogado especialista em divórcios. O cara possui uma genialidade inquestionável quando o assunto é estar no tribunal para defender os interesses do seu cliente. Sem contar nos lucros que ele dá para empresa em que trabalha. Enfim, o cara é um mito dentro do mercado. Enquanto isso, se tem a “caça-dotes” Marilyn Rexroth (Catherine Zeta-Jones) que, ao longo do filme, vai ganhando vários sobrenomes. Ela está sempre a procura de um marido rico, pois a riqueza para ela significa liberdade, independência, poder.

O grande lance do roteiro assinado pelos irmãos Coen é que eles dissimulam o amor, além das táticas que cada um desses personagens utilizam para vencer ou para conseguirem o que querem. O amor, sempre tratado como algo Belo, aqui nesta obra adquire uma outra forma: ele é apenas um objeto, num espaço em que existem interesses muito maiores. Simplificando, o amor é tratado como um jogo em que cada um defende aquilo que será melhor para si mesmo. O amor tratado como algo individualista.

Essas metáforas que os Coen utilizam estão presentes em grande parte da sua filmografia. Basta lembrar, por exemplo, de Fargo, quando eles também conseguem traças uma história como pano-de-fundo para exemplificar as ações dos seus personagens. Os roteiros são sempre inteligentes, não deixando escapar absolutamente nada. No início de O Amor Custa Caro eles colocam um produtor de televisão que flagra a sua mulher transando com outro. Nisso, a mulher contrata Miles Messey para fazer com que ela se saísse bem na divisão dos bens, mesmo com a traição. Essa história parecia ter o seu arco fechado no momento em que ele ganha a causa, mas logo depois isso serve como um estopim para a aproximação entre Miles e Marilyn e as conseqüências que seriam traçadas no restante da película.

Ainda assim, apesar de mostrar os seus personagens como pessoas auto-suficientes e auto-confiáveis, os irmãos Coen ainda conseguem transmitir que todos eles, mesmo sempre atrás do poder, conseguem expressar uma sensibilidade que eles pareciam não ter criando, assim, personagens que são seres humanos que possuem os seus sentimentos e emoções, o que soa completamente verossímil com a personalidade de uma pessoa normal, deixando claro que existiu sim uma tentativa de criar personagens que, apesar do roteiro ficcional, pudesse ser identificado como uma pessoa “normal”.

E é sempre assim que os Coen conseguem conduzir a sua narrativa fílmica, mesmo dentro de um gênero como uma comédia romãntica, eles conseguem ilustrar e criar um roteiro inteligente e com todos os arcos se fechando, além de um ótimo desenvolvimento dos seus personagens. Nessa clássica guerra dos sexos, entre traições e espertezas, dramas e romances, quem sai ganhando com tudo isso é o espectador que se delicia com essa comédia romântica bem água-com-açúcar, mas que se diferencia por ter um enquadramento completamente diferente de outras fitas que adotam este mesmo gênero.

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