Dirigido por Gus Van Sant, Wes Craven, Joel & Ethan Cohen e outros. Com: Natalie Portman, Elijah Wood, Willem Dafoe, Juliet Binoche, outros. (Paris, je t’aime, 2006)
As pessoas falam que Paris é muita coisa: cidade do amor, cidade das grandes paixões, cidade para se viver uma intensa lua-de-mel, cidade do prazer, cidade da luz e mais tantas outras denominações. Na verdade, para se entender todos esses significados dados pelas pessoas e pelos filmes, é preciso mesmo visitar a cidade, sentir o aroma do lugar, a expressão das pessoas. A Nouvelle Vague de Truffaut fez de Paris uma espécie de paraíso onde todos estavam em busca de alguma coisa, de se encontrar como pessoa, uma busca pela própria existência. O que vemos, na verdade, em Paris, Te Amo é uma série de desmistificação narrada por 21 diretores, cada um a sua maneira, cada um com o seu olhar sobre a Paris que eles acham que existe ou que, pelo menos, eles acreditam significar.
Nos 21 curtas apresentados, todos sobre a cidade, vemos que se trata de uma obra pessoal de cada diretor. É impossível querer que todos os curtas sigam uma certa linha de pensamento, uma narrativa ou algo parecido. Nenhum curta tem haver com o anterior e nem funcionam como um seguimento de uma certa história. Na verdade, cada diretor resolveu explorar um lado da cidade criando uma visão própria sobre o que Paris representa pra eles. Walter Salles e Daniella Thomas, por exemplo, ao invés de explorar o símbolo amoroso e apaixonante que a cidade tem, resolveu mostrar como é o cotidiano de um imigrante na cidade. Assim, vemos a personagem criada pelos dois brasileiros correndo para pegar um metrô, saindo de um trabalho e logo indo para o outro. Mais correria para chegar no horário. É como se aquele paisagismo que estamos acostumados a ver, não existisse para essas pessoas, passando despercebido. O tempo não permite com que elas possam ter todo esse vislumbramento.
Gus Van Sant, por exemplo, resolveu tratar em seu curta do choque cultural existente na cidade. Le Marais é o bairro mais gay de toda a cidade. Como sempre, Gus não procura textualizar muito o pouco espaço que tem e apenas cria com o seu movimento de câmera uma perspectiva que possibilita ao espectador entender aquilo que ele resolveu mostrar. Não apenas ele resolveu tratar desse choque cultura, mas os fratelli Coen também colocam o tema em foco, quando Steve Buscemi interpreta um pobre turista em apuros no metrô. Ambos os diretores, com tamanha criatividade que possuem, roubam apenas alguns minutos da projeção mas já se sente a forte discussão que eles se propuseram, cada um dentro de uma temática diferente.
É bem certo que dentro de Paris, Te Amo há de possuir certos curtas que podem passar despercebido. É assim no terror com vampiros em Quartier de la Madeleine, também no curta dirigido por Wes Craven e o de Christopher Doyle, dando até tempo de tirar uma sonequinha antes de continuar assistindo a projeção. Ainda assim, elementos como a melancolia e o fascínio pela cidade estão todos inseridos nos curtas destes diretores. Porém, Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin conseguem comover com o bem roteirizado Quartier Latin, no qual ele coloca dois idosos prestes a se divorciarem, mas ainda mantendo a paixão que os uniu. O tom melancólico não está apenas na história que cerca este curta, mas na própria trilha sonora e na expressão com que ambos são apresentados.
O curta final que fecha o longa é o 14e arrondissement, dirigido e escrito por Alexander Payne (Sideways), é totalmente em voice-over e mostra, na voz de uma senhora que está apenas passeando na cidade, as várias facetas que a cidade possui, os vários significados que ela pode possuir para qualquer pessoa que passe pela cidade parisiense. Como disse no início desta crítica: é preciso visitá-la para entender os significados que ela possui. O curta de Payne se compara em emoção ao que foi dirigido por Walter Salles e Daniella Thomas. Os dois acabam se tornando os melhores curtas nesta miscelânea de histórias e de idéias. Mas, no todo, são curtas que conseguem explorar, nas suas variadas cenas, as diversas facetas de Paris.











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