A guerra é uma droga

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Humor Cartum Jitet-Kustana Indonesia EUA no Iraque É impossível ainda não repercutir o Oscar do último domingo e a vitória do filme Guerra ao Terror. Ainda se fala bastante que a estatueta dada para Kathryn Bigelow e o seu filme são uma prova de que Hollywood, por mais que seja adepta das novas tecnologias, ainda não está pronta para premiar tais filmes. Avatar se tornou a maior bilheteria de todos os tempos e ganhou os prêmios que ele merecia (ou não): Direção de Arte, Fotografia e Efeitos Visuais. Os votantes, claramente, preferiram o modo como a guerra foi tratada por Alan Boal no filme Guerra ao Terror. Mas será que foi somente por isso, ou teve mais coisas subentendidas que ainda não conseguimos perceber?

Esta semana eu estava lendo a coluna especial de Luís Bolognesi, roteirista do filme Bicho de Sete Cabeças e do ainda inédito As Melhores Coisas do Mundo, tecendo comentários sobre uma outra abordagem que pode ter acontecido. Segundo ele, Avatar tem uma história bonitinha, muitos efeitos visuais que tiram o fôlego e impressionam os seus espectadores mas, para a indústria de Hollywood, apresenta um roteiro que vai de encontro aos Estados Unidos, transformando os americanos em vilões. Decerto, a briga dos EUA no filme para conquistar Pandora e toda a riqueza que ele tinha, não coloca realmente os americanos em uma posição de serem os heróis deste conflito, muito pelo contrário, os transforma exatamente neste vilão que o mundo aprendeu a enxergar com olhos tortos.

Ainda segundo Bolognesi, a vitória de Guerra ao Terror representa exatamente isso: a premiação dos heróis americanos que lutam no Iraque em prol da governabilidade americana e de suas próprias ideologias. De qualquer maneira, o roteiro de Mark Boal não faz apologias políticas e não entra no mérito do que é certo e errado neste conflito. Ele apenas apresenta um grupo de soldados que convivem com a morte diariamente ao ter um dos trabalhos mais perigosos: desarmar bombas e impedir a morte de iraquianos e americanos. É com esta temática que se pode enxergar o porquê da Academia premiar o filme de Bigelow, trazendo a história do Sargento William James, um soldado que acabou se tornando viciado na droga que é a guerra.

É possível que alguns concordem com esta ideia de Bolognesi. Ainda assim, prefiro acreditar nas diretrizes que Avatar poderia dar ao cinema (como já vem dando) se por acaso vencesse. A Academia, no entanto, cumpriu a sua meta: conseguiu alavancar a audiência da premiação apenas com a expectativa criada para saber se Avatar iria faturar os principais prêmios ou, ainda, pelo fato de Kathryn Bigelow ter sido casada durante dois anos com James Cameron. Todos estes elementos foram um aperitivo para o espectador ficar ligado na televisão e resgatar uma audiência que vinha despencando ano após ano. E, ainda que Guerra ao Terror possa ser considerado um filme sobre os heróis americanos, seria muito vago apenas definí-lo dessa maneira e descartar a trâmite psicológica que ele carrega consigo.

A guerra pode ser uma droga utilizada das mais variadas formas, seja injetando andrenalina, seja cheirando o odor dos corpos que se encontram pelo caminho, seja fumando a fumaça dos iraquianos e convivendo constantemente com o medo. Tendo os mesmos tons dramáticos e psicológicos que fazem qualquer um se entregar para as drogas, Will acabou se entregando à guerra. Mesmo quando ele volta à cidade para tentar ter uma vida normal, a cena na qual ele enxergar vários tipos de sucrilhos na prateleira do supermercado é um exemplo claro de que ele não conseguia se encaixar naquela sociedade. De alguma forma, Guerra ao Terror entra neste mérito do quanto pode ser difícil esta inserção novamente no círculo social, algo que já foi abordado em outros filmes e no recente Entre Irmãos, do diretor Jim Sheridan.

Acredite no que quiser, mas o fato é que Guerra ao Terror é um excelente filme. Não é o meu favorito do ano (por razões não muito claras, eu prefiro Amor sem Escalas), mas consegue misturar diversos gêneros como, por exemplo, o suspense com o falso documentário. Ainda que alguns acreditem nesta ideia colocada e contextualizada por Bolognesi em sua coluna, não se pode deixar de dar o crédito ao filme. Uma coisa é certa: a vitória de Guerra ao Terror me trouxe uma calmaria em relação a esta pulsação de filmes em 3-D que estamos vendo. Os estúdios começaram até a relançar filmes neste formato. Como tudo hoje no mundo, o objetivo é faturar. Avatar abriu as portas e agora é ter que conviver com a ideia. Enquanto isso, Guerra ao Terror mostrou que nem todos estão preparados para viver o 3-D, ou os tantos efeitos especiais, como se pensa.

Apenas para finalizar: a guerra se tornou um remédio para Will pelo qual ele acabou se viciando. Era onde ele se sentia bem e livre. No final, a guerra é realmente uma droga, talvez sem cura e sem a volta de viver normalmente consigo mesmo um outro dia.

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LOST 6×07 – Dr. Linus

Lost, Reviews 2 Comentários »

Atenção: os próximos parágrafos possuem spoilers

Ben Linus
Título: Dr. Linus
Temporada: 06
Episódio: 07
Exibição: 09/03/10
Emissora: ABC

O que é mais fantástico em uma série como Lost é que, em alguns momentos, os mistérios nem são aquilo que mais importam. Por um lado, grande parte do que vemos nos personagens pode ser o suficiente para fazer com que um episódio seja bom e que fique na memória. Talvez “Dr. Linus” nem tenha sido um dos melhores capítulos centralizados em Ben, mas soube mostrar uma história comovente no qual se pôde ver a sua incrível jornada e tudo o que ele fez por esta Ilha. Se no começo vimos um homem que estava completamente entendido sobre as respostas que tinha – ele nunca deixava transparecer os seus questionamentos – aqui, neste momento da temporada, já o enxergamos de maneira diferente. Sem entender qual o seu papel dentro da Ilha, a sua total confiança em Jacob o levou a perder aquilo que o fazia ser diferente: o seu poder. E, ao não ter mais isso, ele se viu como um “sobrevivente” normal, como se não tivesse um destino a ser cumprido.

Dessa forma, o episódio se concentrou nos arrependimentos de Ben dentro da Ilha e nos momentos que ele leciona História em um colégio público de Los Angeles. É assim que ele “conhece” Alex, a filha que teve na Ilha mas que, neste momento, não passava de uma aluna haja vista que ele e o seu pai saíram daquele lugar antes de Ben se tornar o que havia se tornado. No entanto, nestas duas personalidades apresentadas uma característica é igual: a sua maneira indefesa. Se lembrarmos da segunda temporada, Ben era um dos personagens que entraram na série e que havia se tornado um dos misteriosos, crescendo conforme o tempo. Grande parte disso se deve ao excelente trabalho do ator Michael Emmerson. É impressionante a maneira como ele consegue encarnar esta melancolia de Ben, principalmenbte se levarmos em conta que ele já foi completamente diferente no passado. E é isso que o faz um personagem complexo, como outros que também habitam esta série em meio aos mistérios que ela proporciona.

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Contudo, um dos momentos mais importantes deste episódio se deu naquele antigo navio onde ainda existem dinamites, em um diálogo entre Richard Alpert e Jack Shephard. Como se sabe, os seis números indicam seis possíveis substitutos para a Ilha no lugar que era de Jacob. No entanto, Richard já não acredita mais que está neste lugar por algum motivo ou por alguma razão. Desde que Jacob lhe deu este “dom da imortalidade”, ele vem tomando conta da Ilha há décadas na espera de que o próprio Jacob lhe mostre o porquê dele fazer esse trabalho. Já para Jack, que também mudou constantemente ao longo desta jornada deixando de ser um homem da Ciência para virar um homem que também acredita na Fé, percebeu que existe, sim, um plano para eles por meio do farol de observação que Jacob detinha na Ilha. E, por mais que os dois tenham tentado se explodir com a dinamite, o destino o quis que não.

Mesmo sem espaço para grandes mistérios e sim para reviravoltas nas complexidades que os personsgens apresentam, o final do episódio foi realmente interessante e deixando gancho para o próximo. Era de se saber que o Sr. Widmore desembarcaria na Ilha em algum momento (já que este é um dos embates esperados para esta temporada). E, ao ver aquele submarino, ainda não havia percebido de que poderia ser até ver o seu rosto. A briga para “tomar posse” deste lugar vai ficar ainda mais acirrada. Enquanto uns procuram respostas para o “tudo acontece por uma razão”, outros querem desbravar ainda mais o lugar, explorar a riqueza que a Ilha possui. Outros, ainda, querem sair mas precisam deixar um guardião (que seria Ben, mas que resolveu ignorar o pedido de UnLocke e seguir para o outro lado). Dessa forma, Lost vai caminhando para o seu final e mal posso esperar para saber o que vai acontecer nestes próximos episódios.

Cotação: ★★★★☆

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Oscar 2010: análise dos vencedores

Cinema, Premiações 1 Comentário »

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As maletas com os vencedores no momento de sua chegada ao Teatro Kodak

Pra mim, foi uma das cerimônias mais chatas que já assisti do Oscar. Não sei se é porque os filmes também não me chamaram muita atenção, ou se foi porque tiraram as notas musicais ou se foram as mudanças como um todo. Não sei exatamente o que foi, mas não gostei. Aliás, o palco foi a única coisa que eu realmente apreciei. A criação do arquiteto David Rockwell estava belíssimo. Mas estou aqui para falar um pouco sobre os vencedores do 82ª Edicão do Academy Awards, a maior festa do cinema e que movimenta bilhões (viram a briga da Disney com uma outra emissora de Nova York e o corte da transmissão de vinte minutos?). Disputa acirrada como essa também se viu na premiação, tendo Guerra ao Terror de um lado e Avatar do outro.

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Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite com seis estatuetas 

No entanto, o grande vencedor da noite foi o filme dirigido por Kathryn Bigelow recebendo seis estatuetas contra três de Avatar. Isso prova, de alguma maneira, que os votantes da Academia ainda não estão prontos para as novas diretrizes que poderiam ser criadas caso o filme de James Cameron tivesse tornado o maior vencedor (comentarei isso durante a semana). Guerra ao Terror acabou vencendo prêmios que até não eram esperados como, por exemplo, Melhor Roteiro Original para Mark Boal quando todos esperavam pela vitória de Quentin Tarantino e o seu Bastardos Inglórios. Nas categorias de Melhor Som, a disputa era acirrada com Avatar, mas o filme de Bigelow conseguiu também vencer e isso o fez ainda mais favorito para a premiação.

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A vitória de Avatar em Melhor Direção de Arte e Efeitos Visuais 

Em Melhor Roteiro Adaptado, a vitória foi de Geoffrey Fletcher, que assinou o roteiro de Preciosa, um dos filmes mais fortes que já vi nos últimos anos. Em alguns momentos, me senti completamente impotente em relação àquela história (eu queria pular da poltrona e entrar no filme, mas isso é impossível). Com isso, desbancou Amor Sem Escalas que era, até então, o favorito a vencer. Ainda antes destes prêmios, Christoph Waltz já ganhava a sua estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no filme Bastardos Inglórios. No seu discurso de agradecimento, fez questão de homenagear as possibilidades criadas pela mente de Quentin Tarantino que, segundo ele, estava sempre pensando na história e em uma maneira de deixar os atores livres para atuarem.

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O favorito Christoph Waltz não deixa de admirar o Oscar

Seguindo na categoria de Coadjuvante, mais pra frente Mo’Nique faria um discurso emocionado ao vencer por Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Preciosa, no qual ela faz um papel realmente difícil ao interpretar uma mãe que violenta a sua filha a todo instante, completamente desequilibrada e levando estes problemas para a educação difícil que ela teve. Aplaudida de pé, ela tentou segurar o choro durante alguns momentos, mas estava completamente emocionada ao falar das dificuldades que teve e, principalmente, de dizer que havia se espelhado na sua própria vida para criar este personagem.

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Sandra Bullock venceu os prêmios de Pior Atriz e de Melhor Atriz neste ano

Quem também se emocionou foi Sandra Bullock, que levou a estatueta de Melhor Atriz. Um discurso que tinha por intuito chamar atenção para a importância de ser mãe, ela agradeceu por aqueles que estiveram com ela, os que também não estiveram, os que criticaram, os que disseram que ela não estava na moda ou coisas do tipo. Problemas que ela passou por cima e deu a resposta aos críticos, mesmo porque a sua atuação em The Blind Side é maravilhosa (ainda que eu quisesse que a Carey Mulligan pudesse ter vencido). Como Melhor Ator, finalmente a Academia resolveu premiar Jeff Bridges depois de quatro indicações.

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Depois de quatro indicações, Jeff Bridges conseguiu a sua primeira estatueta

Assisti ao filme Crazy Heart horas antes do Oscar e fiquei impressionado com a sua atuação. O filme é bom para quem gosta da música country e deseja conhecer mais um pouco (a trilha sonora é linda), mas Jeff Bridges está realmente impecável. O seu único problema foi o discurso, agradecendo a muitos nomes e deixando de mencionar o quanto o prêmio era importante. Mas o seu carisma não tem limites (a plateia o aplaudiu de pé neste momento). Aliás, este problema do discurso havia sido alertado pela Academia que havia pedido que os vencedores evitassem ficar agradecendo a tanta gente já que se torna algo chato e realmente enfadonho.

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Juan José Campanella foi premiado pelo ótimo O Segredo dos seus Olhos

E o que dizer, por exemplo, da categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Enquanto todos achavam que a disputa estava entre A Fita Branca, que venceu todos os prêmios e era o favorito, e Un Prophete, que havia ganho o BAFTA (Oscar britânico), quem acabou vencendo mesmo foi o argentino foi O Segredo dos seus Olhos. Juan José Campanella não sabia para onde ir, se falava em espanhol ou em inglês, se agradecia ou se demonstrava o quanto estava emocionado e surpreso. Foi uma das gratas surpresas desta edição premiar este excelente drama argentino.

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Guerra ao Terror
mostrou a força do filme feito com um pequeno orçamento

E o que dizer de Melhor Filme e Melhor Direção? Logo quando anunciaram a vitória de Guerra ao Terror e Kathryn Bigelow, não pude me conter de felicidade. Tenho escrito alguns textos recentemente um pouco tanto revoltados sobre esta indústria cinematográfica que acha que o valor das produções é o suficiente para sair vencendo prêmios ou coisas do tipo. Com Avatar. o cinema passou a pensar diferente e em apenas uma plataforma: o 3-D. A vitória de Guerra ao Terror é uma resposta para os que pensam assim. Um filme pequeno, que foi lançado primeiro em DVD aqui no Brasil e depois nos cinemas, desbancando Avatar, a produção de maior bilheteria de todos os tempos. É realmente de se aplaudir o que os votantes da Academia fizeram. Viva o Cinema!

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Oscar 2010: as surpresas da premiação

Cinema, Premiações 1 Comentário »

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O Segredo dos seus Olhos foi uma das grandes surpresas da noite

A premiação do Oscar normalmente sempre se pode esperar algumas surpresas. E nesta 82ª edição não foi diferente. Alguns prêmios que eram considerados certos como, por exemplo, em Melhor Roteiro Adaptado para Amor Sem Escalas, foi completamente desmentido quando Geoffrey Fletcher foi chamado para receber a sua estatueta. Emocionado, ele se mostrava mesmo surpreso por ter ganhado. Não deixou de agradecer o elenco e o diretor, Lee Daniels, que confiaram naquilo que ele estava fazendo e naquilo que estava escrito. Aliás, Preciosa é um dos filmes mais difíceis que assisti nos últimos anos. Forte em sua essência e bastante violento em algumas cenas, o filme não se rende ao óbvio e provoca o espectador com a realidade que nós não estamos acostumados a ver (uma vez que Hollywood sempre se preocupou em mostrar o “felizes para sempre”).

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A vitória de Fletcher desbancando Amor sem Escalas

Dessa forma, Amor Sem Escalas sairia sem nenhuma estatueta depois de vencer tantos prêmios dos sindicatos e também o Globo de Ouro. Sem a vitória em Melhor Roteiro Adaptado não restava mais nada para o filme de Jason Reitman, que tinha mínimas chances nas outras categorias em que fora indicado. Mas, falando das surpresas, elas começaram a ficar mais nítidas nos embates entre Avatar e Guerra ao Terror. O filme de Kathryn Bigelow acabou vencendo nas categorias de Efeitos Sonoros. Não sei se já era esperado, mas fiquei espantado. E isso era um sinal de que Guerra ao Terror era mais favorito do que muitos pensavam. No entanto, já na categoria de Melhor Fotografia, a vitória do italiano Mauro Fiore, por Avatar, foi uma incrível surpresa se levarmos em conta que ele competia com a belíssima e premiada fotografoa de Christian Berger, em A Fita Branca, e com a própria candidatura de Guerra ao Terror.

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Já Mark Boal, venceu o forte Roteiro Original de Bastardos Inglórios

Mas a cerimônia ainda preparava outras surpresas. Em Melhor Roteiro Original, quando todos apontavam para a vitória de Quentin Tarantino, eis que surge o jornalista Mark Boal com o seu Guerra ao Terror para vencer, mesmo com as críticas e com a acusação de plágio de um dos soldados que realmente serviu no Iraque desarmando bombas como é contado no filme. Considerando tudo isso, o que dizer da vitória de O Segredo dos seus Olhos, derrubando o fortissimo A Fita Branca, de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e de todos os prêmios que disputou nos festivais, no sindicato e no Globo de Ouro? O diretor do filme argentino, Campanella, não deixou de agradecer a toda equipe que integrou a produção. Esta é uma daquelas gratas surpresas, já que O Segredo dos seus Olhos é dos mais belos filmes que vi neste último ano (apesar de toda a beleza e complexidad vista em A Fita Branca).

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A fotografia de Mauro Fiore venceu outros candidatos mais fortes

Mas tem essas vitórias que podem não agradar muito quem assiste. No meu caso, não gostei da premiação dada ao figurino de The Young Victoria, assinado por Sandy Powell (que já venceu outras duas vezes). Os figurinos compostos por Janet Patterson, no filme Bright Star é uma primazia. Aliás, juntamente com a bela fotografia, esta é a maior característica do filme dirigido por Jane Campion, que falha em relação ao roteiro e na abordagem que tem do Amor, deixando de transparecer emoção e paixão para quem assiste. Enfim, nas outras categorias, não tivemos surpresas e a Academia soube premiar os melhores do ano, mesmo tendo uma cerimônia bastante chata e arrastada (apesar da audiência ter sido a melhor dos últimos cinco anos).

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Oscar 2010: erros e acertos da cerimônia

Cinema, Premiações 4 Comentários »

oscars A todo ano que se passa, sempre crescem as expectativas para o Oscar. Pelo menos, é assim que acontece com qualquer cinéfilo. As premiações que antecedem a cerimônia feita pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood funcionam apenas como um aquecimento para o que realmente está por vir. E neste ano não foi diferente. Além disso, tudo girava em torno de Avatar e Guerra ao Terror. James Cameron ou Kathryn Bigelow? Uma disputa entre ex-marido e ex-mulher. E isso ficou tanto no imaginário das pessoas, que acabou se tornando meio chato no final. Todos os apresentadores não se cansaram de repetir que a Bigelow teve um caso de dois anos com o Cameron. Por que não dizer que ela é uma excelente diretora e que merece estar ali, entre os indicados e que mereceu o prêmio? Mas, tudo bem, não se trata disso.

Contando com dois apresentadores, Alec Baldwin e Steve Martin, ambos começaram a premiação contando algumas piadas, divertindo o público presente e entretendo quem estava assistindo em casa. E eles tiveram alguns bons momentos, principalmente quando foram brincar com os óculos 3-D fazendo uma breve alusão ao filme Avatar. Aos poucos, no entanto, eles foram perdendo espaço e se tornando esquecidos (aparecendo uma vez ou outra e sem ter a mesma presença que o Hugh Jackman teve quando apresentou). E estas “aparições-relâmpago” acabaram tendo um efeito negativo na premiação. Por mais que as mudanças feitas pela Academia com o intuito de acelerar e não deixar se tornar uma coisa cansativa, parece que aconteceu exatamente o contrário. O ponto positivo foi que, neste ano, eles souberam premiar exatamente os melhores, ou seja, aqueles que realmente mereceram.

Enquanto isso, o palco criado por David Rockwell foi de uma beleza impressionante. Nunca vi algo tão bonito, tão vivo. A plateia mais próxima, os músicos na parte de cima, apresentadores que saíam de “paredes giratórias”, dando uma impressão de que aquilo era mesmo um Teatro (como é). Além disso, apresentou uma dinâmica maior com o telão e com as próprias cores, brincando com o azul e o branco. Apesar disso, a Academia errou (e espero que eles repensem) em terem tirado as notas musicais da premiação. Eles tentaram inovar colocando uma espécie de street dance na apresenta dos indicados às trilhas sonoras (o que também não funcionou, já que a coreografia em alguns casos não tinha a ver exatamente com o filme em questão). Sem contar que a direção também se mostrou defeituosa em alguns momentos, assim como os cortes de um momento para o outro. Em alguns, é possível sentir a falta de captação que eles não conseguiram absorver com esta montagem/direção.

Um exemplo disso foi nos intervalos em que alguns atores apresentavam os indicados na categoria de Melhor Filme. Eles ficavam parados em um palco que foi colocado no meio do Teatro Kodak. Até aqui uma ideia interessante, se não fosse pelo péssimo trabalho de direção. A câmera posicionada muito longe e com um ângulo bastante aberto, que não dava para ver realmente o rosto dos atores. Se a intenção era deixar focar também no telão com o cartaz do filme, o erro pode ser ainda pior já que, em seguida, seria passado um trailer da produção que havia sido indicada. Em um outro momento, quando eles passam uma homenagem que fizeram no ano passado (como é de costume), mal conseguem achar os homenageados na plateia e, quando conseguem, não respeitam a história e a contribuição que eles deram para construir toda esta indústria que vemos hoje.

Entre erros e acertos, a cerimônia foi condizente com aquilo que a crítica estava programando. Mais uma vez, mostra o papel da crítica no meio disso tudo. Talvez se não tivesse sido por ela, Guerra ao Terror não havia se tornado um filme tão conhecido, desbancando esta megaprodução que é Avatar. Aliás, este é o maior mérito da Academia e da premiação deste ano. Se por acaso ela premiasse o filme de James Cameron, seria bem possível que o mercado 3-D crescesse de uma forma ainda mais acelerada (pra me deixar ainda mais nervoso), Mas, ao dar a estatueta para Guerra ao Terror, se percebe que a Academia ainda pensa nos filmes enquanto uma linguagem, ou seja, enquanto produções que se caracterizam não apenas pelos bilhões arrecadados, mas também pela mensagem que eles têm a passar.

E por que será que os piores erros estão sempre guardados pro final? Não sei responder, mas foi o que aconteceu aqui na premiação deste ano. Logo que Kathryn Bigelow venceu o prêmio de Melhor Direção e após o seu discurso, começa a cerimônia de entrega da categoria principal que é Melhor Filme. No entanto, a maneira como Tom Hanks foi entregar a estatueta, o seu jeito descompromissado e a própria correria no final tiraram o suspense de quem poderia vencer. No final, mal ouvimos ele dizer que o “O vencedor foi…” (agora não é mais “the Oscar goes to…”). Somente sabemos que a vitória é de Guerra ao Terror por ver o Mark Boal (roteirista do filme) subir ao palco com a equipe de atores e a Bigelow voltando para também receber mais um prêmio. E, “do nada”, aparecem os dois apresentadores depois de um longo tempo perdidos. Uma pena que o Oscar tenha acabado assim, de uma maneira tão rápida e tão depressa.

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