Esta foi a semana mais intensa da série. Talvez por estar próxima do seu final, mas seguiu de uma forma bastante dramática. O que eu mais achei interessante foi a maneira com a qual Paul começou a se questionar sobre a sua própria profissão e sobre a influência que as suas palavras exercem para os seus pacientes, principalmente as significações e (si)gnificados. De qualquer maneira, não pretendo me estender muito nesta breve introdução desta ‘Sexta Semana’, porque já comento bastante nas resenhas dos episódios. Vou deixar apenas uma frase em um determinado capítulo, como sempre veio fazendo nestas publicações. Boa leitura!
‘Deixe-me perguntar uma coisa: o que aconteceria se acreditasse nela? Se você se permitisse sentir a raiva e a tristeza que pode ter escondido por esse pai perfeito, o que aconteceria?’ - Paul Weston
(Monday: 2×26) - Mia: Esta foi a melhor sessão de Mia em cinco semanas acompanhando o trabalho do Dr. Paul Weston para entender um pouco das idealizações do seu paciente. Sempre vi a Mia como uma mulher que é muito bem-sucedida, mas que possui problemas na sua vida social que tiram a sua tranquilidade e não permite que ela seja feliz como no profissional. Porém, o mais importante aqui é perceber o quanto ela consegue criar, dentro do seu imaginário, possibildades que lhe possa fazer feliz. Ela queria muito um filho. E o que ela fez? Criou este bebê, esta nova vida, dentro de si quando, na realidade, ela nem estava grávida. Mia sempre defende o seu pai, apontando a sua mãe como a maior causadora das tragédias familiares que viveu. Entretanto, ela nunca se questionou sobre certas decisões que o seu pai tomava e que, claramente, lhe faziam sofrer. É por estes mesmos questionamentos que Paul busca as respostas para tentar ajudá-la, mas não é fácil ajudar uma pessoa que já tem conceitos pré-formados, ou opiniões pré-formadas. O que é preciso acontecer para mudar? Uma tragédia.
(Tuesday: 2×27) – April: Lembro de alguns diálogos que Paul teve com Sophie na primeira temporada e a maneira como ele se preocupava com ela, principalmente pelo tipo de pressão que ela sofria em precisar ser a melhor. Com April, é quase que o mesmo processo, com a diferença que ele precisou tomar decisões importantes em relação à ela. O exemplo claro disso se dá quando Paul abre o jogo sobre o câncer que April para a sua mãe. Se antes ele era a pessoa de confiança, a garota passou a enxergá-lo como um traidor que não cumpriu os desejos que ela tinha, que era enfrentar a doença sozinha como sempre vem fazendo durante toda a sua adolescência, passando pelos problemas sem a ajuda de ninguém. Isso trouxe independência à April, e também maturidade. Entretanto, parafraseando Paul, ‘para o bem ou para o mal, a maturidade na sociedade moderna americana se tornou sinônimo de carência e emoções, de não sentir nada profundamente’. April sente que a sua mãe deve saber das coisas, mas não exatamente por ela. Na realidade, ela quer ter o mérito quando faz as coisas certas, mas também deseja também transparecer esta pessoa madura que ela acha que se tornou.
(Wednesday: 2×28) – Oliver: Com certeza, um dos melhores episódois desta segunda temporada. Pelos diálogos, pela maneira que foi desenvolvido, pelas decisões importantes e pela atuação dos atores envolvidos nesta mise-en-scène. Além disso, a situação de Oliver é aterrorizante e choca o espectador, aquele que não está acostumado com tal descaso familiar. Os pais do garoto representam as típicas pessoas que não programaram o momento correto de se tornarem pais e, de alguma forma, acaba culpando-o por algo que eles mesmos fizeram. A mãe culpa o ex-marido por ela ter passado 12 anos de sua vida se dedicando a cuidar do garoto, enquanto que o pai não consegue ao menos se culpar porque nem ele mesmo sabe como se relacionar com o seu próprio filho. Toda essa discussão começou a partir do momento em que a mãe de Oliver recebe uma proposta de trabalho irrecusável. Para isso, ela terá que se mudar e o garoto não quer isso para si. No entanto, Luke também não deseja ficar com Oliver por não ter tempo de cuidar do seu filho. Como resolver este impasse? Ele até sugere: deseja morar com Paul, o terapeuta no meio de toda essa bagunça familiar. Por mais que tenha sido algo ficcional, sabemos que isso acontece diariamente no mundo. E é algo que realmente irrita, choca e aterroriza.
(Thursday: 2×29) – Walter: Quando alguém é um executivo de alta importância, é normal que ele se sinta pressionado em querer sempre dar o seu melhor no trabalho. É normal também que ele se esqueça quem de fato ele realmente era antes de assumir tal cargo. Em outras palavras, a crise existencial de Walter - que o levou à tentativa de suicídio - faz parte de uma série de problemas que começaram a aparecer com a acusação que sofreu sobre a polêmica do leite em pó. Com isso, a culpa praticamente tomou o seu cérebro, uma vez que ele não mais exercia a função de antes (já que ele precisou renunciar o cargo). Com esta alta dose de emoções, ele fica perplexo quando Paul começa a divagar para ele os seus compreendimentos em relação ao que está acontecendo, enquanto Walter queria desesperadamente uma liberação do hospital psiquiátrico. A perplexidade de Walter atinge um clímax de maneira espetacular, interpretando de maneira igual por John Mahoney que, mesmo sendo orgulhoso e de se envergonhar facilmente, não sente a mínima vergonha de explodir os seus sentimentos de confusão com um choro sincero, como alguém que busca e atrai respostas para entender o que está acontecendo consigo mesmo. Agora que a série está chegando próximo ao seu final, vemos os personagens cada vez mais carregados de uma intensidade emocional, sendo que Paul tem que saber como controlá-las.
(Friday: 2×30) – Gina: Não sou terapeuta, como bem devem saber. Não sei exatamente qual o código de ética - ou de regras - que regem a profissão ou aquilo que pode atormentar qualquer pessoa que trabalhe com seres humanos, capazes de errarem, de sentirem emoções e de estarem atrás de respostas acreditando que a terapia poderá lhe apontar todos os caminhos para o acerto. Meu entendimento para a fúria do Dr. Paul Weston é exatamente esta: ele está cansado das pessoas acharem que a terapia resolverá todos os seus problemas. Na realidade, ele está exausto dos seus próprios pacientes, o que levou-lhe a crer que o seu trabalho não está bem feito e que ele é um péssimo terapeuta. A discussão fervorosa entre ele e Gina representa a divergência de opiniões de cada um (um talvez um profissional da área e até mesmo um estudante poderia explicar melhor a cena). No entanto, eu a vi como um ataque de pânico de ambos os personagens por se enxergarem em um beco sem saída para ajudar os seus pacientes. Sentar e apenas ouvir parece ser algo muito fácil, mas tudo se complica quando a vida dos seus pacientes começa a ter relação com fatos que marcaram o seu passado. Eu entendo os dilemas de Paul, porque são os mesmos que convivo comigo mesmo diariamente. A terapia com Gina serve apenas para ele colocá-los para fora, vivendo tão sozinho em companhia apenas dos seus pacientes, sempre em busca de ajuda e de respostas para os problemas que os perseguem.


O ator americano Karl Malden, ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em “Um bonde chamado desejo” (1951), morreu hoje, aos 97 anos, informou o jornal “Los Angeles Times”.












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